brasil – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Fri, 29 May 2026 13:46:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png brasil – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Supermercados crescem em abril, mas inflação de alimentos limita avanço do consumo https://levanteideias.com.br/artigos/supermercados-crescem-em-abril-mas-inflacao-de-alimentos-limita-avanco-do-consumo https://levanteideias.com.br/artigos/supermercados-crescem-em-abril-mas-inflacao-de-alimentos-limita-avanco-do-consumo#respond Fri, 29 May 2026 13:46:11 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=53175 As vendas do setor supermercadista brasileiro cresceram 1,48 por cento em abril na comparação com março, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Com o resultado, o setor acumulou alta de 2,18 por cento no primeiro quadrimestre de 2026 e ficou 3,17 por cento acima do nível registrado em abril do ano passado.… Read More »Supermercados crescem em abril, mas inflação de alimentos limita avanço do consumo

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As vendas do setor supermercadista brasileiro cresceram 1,48 por cento em abril na comparação com março, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Com o resultado, o setor acumulou alta de 2,18 por cento no primeiro quadrimestre de 2026 e ficou 3,17 por cento acima do nível registrado em abril do ano passado. Apesar do avanço, a entidade destacou que o ritmo de crescimento tem sido mais lento do que em 2025, quando os supermercados já operavam em patamares mais elevados desde o início do ano, indicando uma expansão ainda gradual do consumo das famílias.

O desempenho de abril contou com estímulos relevantes de renda, como a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS, que injetou 78,2 bilhões de reais na economia, além de 12,8 bilhões de reais do Bolsa Família e 5,4 bilhões de reais do PIS/Pasep. Também contribuíram as mudanças na tabela do imposto de renda, que elevaram a renda disponível para quem ganha até 7.350 reais por mês, e o impacto anual de 81,7 bilhões de reais do novo salário-mínimo. Ainda assim, a Abras avalia que parte desses recursos vem sendo absorvida por despesas financeiras, contas recorrentes e recomposição do poder de compra.

Pelo lado dos preços, o indicador AbrasMercado, que acompanha 35 produtos de largo consumo, subiu 1,98 por cento em abril e acumulou alta de 4,55 por cento no ano. O leite longa vida foi a principal pressão do mês, com avanço de 13,66 por cento, enquanto o feijão já acumula alta de 32,56 por cento no quadrimestre. No recorte regional, o Norte segue com a cesta mais cara do país, em 922,44 reais, enquanto o Nordeste tem o menor valor médio, de 751,53 reais. A Abras também comentou a discussão sobre o fim da escala 6×1, manifestando apoio à escala 5×2, mas defendendo flexibilização nas regras de contratação.

E Eu Com Isso?

Para o setor, a notícia mostra um ambiente de consumo mais seletivo, em que renda maior não se traduz automaticamente em ganho forte de volume por causa da inflação de alimentos. Esse cenário tende a favorecer operadores com maior apelo de preço e forte presença no atacarejo, como Assaí (ASAI3) e Carrefour Brasil, embora margens sigam pressionadas pela competição e pelo consumidor mais sensível. Para o GPA (PCAR3), o desafio permanece na execução operacional e na defesa de rentabilidade em um varejo alimentar mais competitivo. Já o Grupo Mateus (GMAT3) pode se beneficiar da força regional no Norte e Nordeste, mas também fica mais exposto ao peso da cesta mais cara nessas regiões.



DISCLAIMER

A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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Ata: Copom repete que pretende cortar Selic em março, mas não crava magnitude https://levanteideias.com.br/artigos/ata-copom-repete-que-pretende-cortar-selic-em-marco-mas-nao-crava-magnitude https://levanteideias.com.br/artigos/ata-copom-repete-que-pretende-cortar-selic-em-marco-mas-nao-crava-magnitude#respond Tue, 03 Feb 2026 14:41:26 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52970 A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (03) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros. A Ata foi relativamente breve, mantendo um tamanho parecido com o da reunião de dezembro, e preservou os mesmos… Read More »Ata: Copom repete que pretende cortar Selic em março, mas não crava magnitude

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A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (03) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros. A Ata foi relativamente breve, mantendo um tamanho parecido com o da reunião de dezembro, e preservou os mesmos tópicos.

Ao avaliar o cenário da economia internacional, o Comitê avaliou que “enquanto os riscos de longo prazo se mantêm, as condições recentes sugerem algum arrefecimento na incerteza (…), no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis”, segundo a Ata.

No cenário doméstico, ao tratar da inflação, o Comitê trouxe o trecho mais otimista da Ata. O Copom afirmou que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio”, e que “as leituras recentes indicam um arrefecimento da inflação que abrange tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes”.

Segundo o Copom, “a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos. A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.

A decisão marcou uma inflexão relevante no discurso da autoridade monetária. Até então, o Copom vinha reforçando a necessidade de manter a política monetária restritiva por período prolongado. Na Ata, o colegiado reconheceu avanços no processo de desinflação e avaliou que o cenário prospectivo passou a permitir ajustes graduais na taxa Selic, ainda que cautelosas.

A Ata reforçou que a principal âncora para essa mudança é o comportamento das expectativas de inflação. A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (2), mostrou um recuo da projeção para o IPCA de 2026 para 3,99 por cento. Trata-se da primeira vez, desde o início de 2025, que a expectativa para esse horizonte cai para abaixo de 4 por cento. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior credibilidade do regime de metas.

Pelas contas do Copom, “as projeções para a inflação acumulada em quatro trimestres para 2026 e para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 3,4 por cento e 3,2 por cento”. Com isso, o comitê ganha maior conforto para iniciar o processo de flexibilização sem comprometer a convergência da inflação à meta.

E Eu Com Isso?

As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Wall Street, assim como os contratos futuros dos principais índices americanos, estão em uma leve alta no pré-mercado. Os investidores estão razoavelmente otimistas com a Ata do Copom e, no mercado internacional, com a menor incerteza sobre a independência do Federal Reserve (FED), o banco central americano.

As notícias são positivas para a Bolsa

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Assaí (ASAI3) fecha 2025 abaixo do teto de alavancagem e anima o mercado https://levanteideias.com.br/artigos/assai-asai3-fecha-2025-abaixo-do-teto-de-alavancagem-e-anima-o-mercado https://levanteideias.com.br/artigos/assai-asai3-fecha-2025-abaixo-do-teto-de-alavancagem-e-anima-o-mercado#respond Tue, 13 Jan 2026 12:42:07 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52908 O post <strong>Assaí (ASAI3) fecha 2025 abaixo do teto de alavancagem e anima o mercado</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua
O Assaí (ASAI3) anunciou que encerrou 2025 com uma relação dívida líquida/EBITDA de aproximadamente 2,56x, ligeiramente abaixo do guidance de 2,60x previamente estabelecido. O número, ainda preliminar e não auditado, foi divulgado por meio de fato relevante e reforça a mensagem de disciplina financeira que a companhia vem tentando transmitir ao longo dos últimos trimestres. A confirmação de que a meta foi atingida teve impacto imediato no mercado: as ações da varejista subiram mais de 5 por cento no pregão desta segunda-feira (12), refletindo o alívio dos investidores diante de expectativas por um balanço patrimonial mais equilibrado após um período marcado por expansão acelerada e aumento relevante do endividamento.

O indicador de alavancagem é particularmente sensível para o Assaí, que nos últimos anos passou por um ciclo intenso de abertura de lojas e incorporação de ativos, exigindo elevado consumo de capital e pressionando a dívida. Ao fechar o ano abaixo do teto de 2,6x, a empresa sinaliza que conseguiu crescer sem comprometer excessivamente a sua estrutura financeira, mesmo em um ambiente de juros elevados e custo de capital mais restritivo. Além disso, o fato de a companhia ter antecipado ao mercado esse dado antes da divulgação oficial do resultado do quarto trimestre, prevista para 12 de fevereiro, sugere confiança na qualidade dos números e na narrativa de estabilização da alavancagem.

Embora o número divulgado ainda esteja sujeito à validação dos auditores e à aprovação dos órgãos de governança, o patamar de 2,56x representa um nível mais confortável para um operador de atacarejo, cujo modelo depende de escala, giro de estoque e eficiência operacional para sustentar margens e geração de caixa. Uma alavancagem nesse nível tende a reduzir o risco financeiro, melhorar o acesso a crédito e abrir espaço para que a empresa volte a discutir, no médio prazo, novas iniciativas de crescimento, seja via expansão orgânica, seja por ajustes estratégicos no portfólio de lojas e formatos.


E Eu Com Isso?

Em termos mais amplos, o dado de alavancagem financeira divulgado pelo Assaí ocorre em um momento em que o varejo alimentar brasileiro enfrenta um consumidor ainda pressionado por renda real e um ambiente competitivo mais acirrado, mas, ao mesmo tempo, se beneficia de demanda relativamente resiliente por itens essenciais. A combinação de controle de endividamento, foco em eficiência e um formato de negócio voltado para preços baixos e alto volume coloca a empresa em uma posição relativamente defensiva dentro do setor. Ainda assim, a sustentabilidade dessa trajetória dependerá da capacidade de converter crescimento em caixa, manter margens sob controle e navegar um cenário macroeconômico que segue desafiador. Por ora, o atingimento do guidance de alavancagem, confirmado pelo mercado com uma reação positiva das ações, sustenta uma visão cautelosamente otimista para o Assaí no início do novo ciclo.


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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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É para comemorar a inflação em baixa? https://levanteideias.com.br/artigos/e-para-comemorar-a-inflacao-em-baixa https://levanteideias.com.br/artigos/e-para-comemorar-a-inflacao-em-baixa#respond Mon, 29 Dec 2025 14:46:53 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52750 O post <strong>É para comemorar a inflação em baixa?</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua
O último índice de inflação divulgado em 2025 trouxe boas notícias. Os bons resultados da safra reduziram a pressão sobre os preços de produtos agrícolas e de matérias-primas, o que fez a inflação baixar.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,01 por cento em dezembro, após ter subido 0,27 por cento em novembro. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), com esse resultado o índice encerrou o ano de 2025 com queda acumulada de 1,05 por cento. Em dezembro de 2024, o IGP-M havia subido 0,94 por cento, acumulando uma alta de 6,54 por cento em 2024.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60 por cento do IGP-M, apresentou uma deflação de 0,12 por cento em dezembro após ter avançado 0,27 por cento em novembro.

Os preços das matérias-primas brutas caíram 0,30 por cento após terem subido 0,25 por cento em novembro, e os preços dos produtos agropecuários recuaram 0,87 por cento depois de terem avançado 0,46 por cento em novembro. No ano, os preços das matérias-primas brutas caíram 8,09 por cento e os preços dos produtos agropecuários recuaram 6,30 por cento.

Segundo a FGV, o resultado reflete um ano marcado pela desaceleração da atividade global e por uma incerteza elevada. Apesar da baixa dos preços das matérias-primas no atacado, a inflação ao consumidor continua em alta devido aos preços dos serviços e da habitação.

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,24 por cento, em linha com a alta de 0,25 por cento observada em novembro. As maiores altas ocorreram nos itens Educação, Leitura e Recreação, com alta de 1,53 por cento após o avanço de 1,17 por cento em novembro e Habitação, que subiu 0,42 por cento após ter recuado 0,07 por cento em novembro.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou para 0,21 por cento ante 0,28 por cento em novembro.

A trajetória de desaceleração da inflação alterou as expectativas do mercado. Na última edição do Relatório Focus de 2025, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (29), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 recuou marginalmente para 4,32 por cento ante 4,33 por cento da semana anterior. Há quatro semanas, a estimativa era de 4,43 por cento.

A projeção do IPCA para 2026 também recuou marginalmente para 4,05 por cento, ante os 4,06 por cento da semana anterior e os 4,17 por cento de quatro semanas atrás.

No entanto, há um problema com a inflação. Segundo a FGV, o contraste entre as quedas dos preços das matérias-primas e a alta dos preços dos serviços e da habitação evidencia a “heterogeneidade da inflação”. O cenário indica um ambiente de pressão menor de custos em 2026, mas com riscos importantes em itens sensíveis à atividade econômica.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em queda no pré-mercado. Os investidores seguem atentos a notícias sobre as negociações pelo fim da guerra na Ucrânia, após encontro de Donald Trump com o presidente ucraniano Volodomyr Zelensky. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Nova York estão estáveis, mas a inflação abaixo do esperado pode animar os investidores.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade

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A incógnita do emprego americano https://levanteideias.com.br/artigos/a-incognita-do-emprego-americano https://levanteideias.com.br/artigos/a-incognita-do-emprego-americano#respond Wed, 17 Dec 2025 12:49:31 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52726 O post <strong>A incógnita do emprego americano</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua
Boa parte da movimentação dos pregões na terça-feira (16) deveu-se às interpretações dos indicadores econômicos americanos, em especial os números do emprego. Esta quarta-feira (17) é um dia sem números relevantes, por isso a necessidade de analisar as informações que estão disponíveis. E os números oferecem mais confusão do que clareza.

Observando apenas um indicador, o nível de emprego não agrícola (“non farm payroll”), o emprego nos EUA se recuperou mais do que o esperado em novembro. No mês passado, o número de vagas não agrícolas aumentou em 64 mil. Essa recuperação seguiu-se a uma queda abrupta.

Em outubro, os cortes nos gastos governamentais haviam provocado a maior queda no “non farm payroll” desde dezembro de 2020, com a redução de 104 mil vagas. Naquele momento, essa queda foi associada a uma diminuição de 162 mil empregos no governo federal, a maior desde junho de 2010.

Então o mercado de trabalho está aquecido? Calma. Os dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) mostraram que a taxa de desemprego subiu para em 4,6 por cento no mês passado, ante uma taxa de 4,4 por cento em outubro, e acima da mediana das expectativas, que era de 4,5 por cento.

O desemprego chegou ao maior nível em mais de quatro anos. Porém, o BLS informou que alterou a metodologia de cálculo do desemprego após a paralisação (“shutdown”) do governo por 43 dias ter impedido a coleta de dados das famílias. Ou seja: não é possível simplesmente comparar o dado de novembro com a série histórica anterior.

O que fazer? Nesse caso, é preciso resolver a diferença buscando fontes independentes que não alteraram suas metodologias de cálculo. No caso, os levantamentos regionais e do setor privado. É consenso que as empresas americanas estão contratando menos devido ao choque causado pelas amplas tarifas de importação de Trump. Elas elevaram os preços de muitos produtos, resultando em consumidores, principalmente famílias de baixa e média renda, mais seletivos em suas compras.

Essa tendência foi reforçada por um relatório separado do Departamento de Comércio, que mostrou que as vendas no varejo permaneceram inalteradas em outubro, após um aumento de 0,1 por cento em setembro.

A conclusão é que há tanto indicadores que mostram um aquecimento do mercado de trabalho no setor privado, quanto números que mostram um arrefecimento do setor público. Essa incerteza era tudo o que o mercado não queria. Por isso, os investidores iniciam 2026 com a mesma incerteza que dominou as análises nas últimas semanas.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em alta no pré-mercado. No entanto, as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Wall Street iniciam a quarta-feira com mais uma queda, com os investidores preocupados com as notícias políticas.


Itaúsa (ITSA4) anuncia bonificação em ações de 2,5 bilhões de reais e reforça solidez financeira


A Itaúsa (ITSA4) anunciou por meio de fato relevante, a decisão de aumentar seu capital social via bonificação em ações, uma prática comum entre companhias consolidadas. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a estrutura de capital da holding, ao mesmo tempo em que distribui valor aos acionistas sem exigir qualquer desembolso financeiro adicional.

A operação foi aprovada pelo Conselho de Administração e será realizada por meio da capitalização de reservas no valor de 2,5 bilhões de reais, elevando o capital social da companhia para aproximadamente 83,7 bilhões de reais. Essa movimentação representa uma reorganização contábil, na qual parte das reservas acumuladas passa a compor o capital efetivamente integralizado da empresa.

Como consequência dessa capitalização, a Itaúsa emitirá mais de 219 milhões de novas ações escriturais, entre ações ordinárias e preferenciais, que serão distribuídas gratuitamente aos acionistas na forma de bonificação. A proporção definida é de duas novas ações para cada cem ações da mesma espécie já detidas, considerando como data de corte o dia 18 de dezembro de 2025.

As novas ações serão creditadas a partir de 23 de dezembro de 2025 e passarão a ter direito a dividendos e juros sobre capital próprio declarados a partir dessa data, assegurando igualdade de direitos econômicos em relação aos papéis já existentes.

No caso de frações de ações, os investidores poderão ajustar suas posições entre 26 de dezembro de 2025 e 26 de janeiro de 2026; eventuais sobras serão posteriormente agrupadas e vendidas, com os valores líquidos distribuídos proporcionalmente aos titulares. Do ponto de vista fiscal, o custo atribuído às ações bonificadas foi fixado em 11,37 reais por ação, informação relevante para o correto cálculo do custo médio e da tributação em operações futuras.

Além da operação de bonificação, a Itaúsa se destaca por seus indicadores financeiros, que reforçam sua atratividade para investidores de longo prazo. O Dividend Yield da holding tem se mantido em torno de 8 por cento ao ano, excluindo o recente pagamento extraordinário, sustentado pela política consistente de distribuição de proventos e pelo desempenho de sua principal investida, o Itaú Unibanco.

Em termos de valuation, o índice Preço/Lucro (P/L) da companhia permanece próximo de 8 vezes, sugerindo que as ações podem estar negociadas a múltiplos atrativos em relação aos lucros gerados. Já o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), situado entre 17 por cento e 18 por cento ao ano, evidencia a eficiência da holding na alocação de capital e a qualidade de seus resultados.


E Eu Com Isso?

Em conjunto, esses fatores reforçam a percepção de solidez, disciplina financeira e compromisso com a criação de valor sustentável aos acionistas.

Em 2025, as ações da Itaúsa (ITSA4) apresentaram uma valorização acumulada próxima de 57 por cento no ano, desempenho que supera de forma significativa o principal índice da bolsa brasileira. Esse movimento reflete a combinação de resultados financeiros consistentes, fortalecimento da confiança dos investidores e o bom desempenho de suas principais investidas, especialmente o Itaú Unibanco.

Além disso, a manutenção de uma política sólida de distribuição de proventos e anúncios relevantes, como a bonificação em ações, contribuíram para ampliar o interesse do mercado e sustentar a forte alta dos papéis ao longo do período.



Carrefour acelera reorganização e eleva a competição no varejo brasileiro

O Carrefour Brasil iniciou um dos seus ciclos de reestruturação mais profundos dos últimos anos, com mudanças expressivas na cúpula executiva, revisão de estruturas, simplificação administrativa e reforço da presença de executivos franceses no comando.

A chegada de Julien Munch como deputy-CEO, espécie de vice-CEO, e a saída de lideranças históricas das áreas de varejo, imobiliário e transformação marcam um movimento de reorganização estratégica que busca recuperar eficiência operacional, destravar produtividade e reposicionar o grupo em um mercado cada vez mais competitivo.

A decisão de substituir três executivos brasileiros por uma figura diretamente da matriz, além de eliminar cargos como chief transformation officer, evidencia o desejo do grupo por alinhamento direto com o modelo europeu, corte de sobreposições e maior disciplina de custos.

Ao mesmo tempo, o Carrefour vem redesenhando por completo sua operação no país, priorizando o Atacadão como pilar de crescimento e redefinindo a estrutura administrativa das demais unidades de negócio.

A mudança da sede de Barueri para novos escritórios em São Paulo, a consolidação das áreas de finanças e recursos humanos sob novas lideranças, e a revisão de estruturas que vinham sendo pouco integradas após anos de aquisições mostram que a empresa está disposta a enfrentar de frente o diagnóstico interno de baixa produtividade e custo elevado. Esses ajustes também dialogam com um modelo mais enxuto, que reduz o comitê executivo de 11 para 8 membros e aproxima a governança local da matriz na França.

No campo operacional, o grupo delineou prioridades claras para 2025–2026: estabilizar o parque de hipermercados em torno de 100 unidades, acelerar conversões para o modelo Atacadão, fortalecer a marca própria e ampliar iniciativas de capitalização, como a venda de ativos não estratégicos. Além disso, a empresa reconhece que projetos como 3x sem juros perderam tração em um ambiente de juros elevados, levando o grupo a reavaliar mecanismos de estímulo à demanda. Esse conjunto de iniciativas aponta para um Carrefour mais focado, pragmático e disciplinado em relação à alocação de capital.

 
E Eu Com Isso?
 
Essa reorganização tem implicações diretas no ambiente competitivo, especialmente no segmento de atacarejo, onde o Carrefour compete frontalmente com o Assaí (ASAI3). A priorização absoluta do Atacadão, combinada com cortes estruturais e maior centralização decisória, tende a aumentar a eficiência comercial e acelerar a abertura de lojas em regiões-chave, reduzindo brechas competitivas.

Embora a transição de comando possa gerar ruído no curto prazo, o reforço de executivos de perfil operacional — como Munch, conhecido pelo trabalho em redes de hipermercados na Europa — sugere maior foco em execução, precificação, operação de lojas e compra, pontos que são decisivos em mercados de margem apertada. Além disso, a venda de ativos e a reorganização administrativa liberam recursos que podem ser direcionados à expansão e modernização do Atacadão.

Para o Assaí, esse movimento representa um ambiente competitivo mais acirrado em 2025–2026. O Carrefour deixa clara a intenção de reencontrar eficiência e ampliar capilaridade, especialmente em praças onde ambas as redes disputam consumidor e terreno. O Assaí ainda mantém vantagens estruturais relevantes — como modelo puro de atacarejo, histórico sólido de execução e forte disciplina de custos —, mas o avanço de um Atacadão mais enxuto, reorganizado e com foco explícito em escala pode pressionar margens, acelerar guerras de preço regionais e exigir ainda mais rigor nas decisões de abertura de lojas.



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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas#respond Wed, 10 Dec 2025 12:20:22 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52683 O post <strong>2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua

Teremos a última “super quarta-feira” do ano, com as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc). Por uma daquelas simetrias da história, ambas as reuniões têm perspectivas e expectativas similares e opostas. Por aqui, a certeza é de juros estáveis com uma possível preparação para um corte na Selic a partir de 2026. Nos Estados Unidos, a certeza é de corte, mas o futuro é menos previsível.

Começando pelo Copom. A Selic será mantida em 15 por cento ao ano. Ponto. Além disso, o que movimenta as especulações dos investidores é o cenário que o Comitê antecipa para 2026.

É provável que o Comunicado a ser divulgado nesta noite após o anúncio dos resultados (e a Ata que deve ser publicada no dia 16 de dezembro) estejam alinhados com as declarações da reunião de novembro. No mês passado, a Ata reforçou a necessidade de maior convergência das expectativas de inflação para permitir um corte da Selic.

Ainda que as edições mais recentes do Relatório Focus tenham revisado para baixo as projeções de inflação entre 2025 e 2028, as expectativas seguem acima dos 3 por cento no horizonte relevante, que se estende até o começo de 2027.

Por isso, o Copom deve reforçar três pontos. O primeiro é que a Selic atual permanece compatível com a estratégia de convergência da inflação. O segundo é que ainda há riscos relevantes de que a inflação siga acima da meta e o terceiro é que a política monetária continuará sendo conduzida com prudência.

O que isso indica para 2026? O Comitê deve indicar a necessidade de manter juros altos por um período bastante prolongado. A manutenção da palavra “bastante” será uma indicação de que a queda da Selic não começa em janeiro. Sem esse termo, pode aumentar a especulação de um corte já na primeira reunião do próximo ano. O texto provavelmente manterá a disposição de elevar os juros caso se a inflação sair do controle.

A boa notícia é que há condições concretas para o corte da Selic. A inflação está desacelerando, e o Produto Interno Bruto (PIB) está crescendo menos. Ou seja, não será absurdo que, apesar de trazer um Comunicado duro nesta reunião, o Copom altere o tom e as expectativas a partir do ano que vem.

Agora o Fomc. Também há uma certeza quase absoluta de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo os Fed Funds para a faixa entre 3,50 e 3,75 por cento ao ano. Daí em diante, tudo é indefinição. A começar pela potência dessa decisão.

O Comitê está dividido entre membros que defendem cortes de juros como forma de conter uma maior fragilidade do mercado de trabalho e aqueles que acreditam que o afrouxamento monetário já foi longe demais e ameaça agravar a inflação. Por isso, há uma expectativa entre os investidores que tanto a Declaração pós reunião quanto a entrevista coletiva concedida por Jerome Powell deixarão claro que os investidores não devem esperar cortes automáticos nas taxas a partir do ano que vem.

Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que a inflação desapareceu, na melhor das hipóteses, ela apenas se estabilizou. Pior, está estável acima da meta de 2 por cento ao ano, em parte devido às tarifas implementadas pelo próprio Trump. Embora os diretores do FED tenham afirmado que as tarifas devem afetar os preços apenas temporariamente, a distância em relação à meta é suficiente para dificultar a queda dos juros. Assim, será preciso observar com cuidado as declarações de Powell para saber para onde olhar a partir de 2026.


E Eu Com Isso?

A quarta-feira começa com os mercados em compasso de espera, no aguardo da reunião do Fomc. Sinais diferentes do esperado, tanto no sentido expansionista quanto contracionista da política monetária, podem provocar forte volatilidade no mercado.


 Klabin apresenta Investor Day, dividendos extraordinários e bonificação


A Klabin (KLBN11) anunciou a distribuição de um dividendo extraordinário de 1,1 bilhão de reais, que será pago em quatro parcelas iguais de 278 milhões de reais ao longo de 2026. O valor por ação foi definido em aproximadamente 91 centavos por unit. O corte para recebimento ocorrerá em 15 de dezembro de 2025, com negociação das ações ex-dividendos a partir do dia seguinte.

A companhia também anunciou um aumento de capital de 800 milhões de reais por meio de bonificação, com a emissão de pouco mais de 61,7 milhões de novas ações, na proporção de uma ação para cada cem atualmente detidas. Essas medidas combinadas devolvem caixa aos acionistas e reforçam o capital social da empresa, permitindo que a companhia distribua recursos sem comprometer a estrutura financeira.

No terceiro trimestre de 2025, a Klabin registrou EBITDA ajustado superior a 2,1 bilhões de reais, representando crescimento de 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de custos pressionados, volatilidade cambial e desafios no mercado global de papel e celulose, a companhia manteve suas margens, apoiada pelo desempenho das operações de embalagens, ganhos de eficiência industrial e pela performance da base florestal.

Durante o recente Investor Day, a empresa apresentou sua estratégia de longo prazo, destacando crescimento sustentável, expansão da capacidade de embalagens e investimentos em eficiência operacional e sustentabilidade.

Foram detalhados projetos de modernização industrial, iniciativas ambientais e expansão das operações florestais, com foco na transparência e no alinhamento com os objetivos estratégicos da companhia.

Em termos de CAPEX, a Klabin projeta investimentos de 3,3 bilhões de reais para 2026, destinados à manutenção de ativos, expansão da capacidade produtiva e modernização industrial, incluindo a unidade de Monte Alegre. Para os anos seguintes, a companhia indica envelopes decrescentes, com 2,8 bilhões de reais em 2027 e 2,5 bilhões em 2028.

A alocação do CAPEX contempla silvicultura e compra de madeira em pé, continuidade operacional, modernização da unidade de Monte Alegre e projetos especiais. O objetivo da companhia neste momento é manter a geração de caixa e avançar na desalavancagem, uma vez que não há previsão de investimentos significativos nos próximos anos.

No campo de valuation, a Klabin negocia atualmente com múltiplo EV/EBITDA próximo de 5,5 vezes, abaixo da média histórica do setor, o que indica que o mercado aplica algum desconto sobre o valor intrínseco da empresa.

O Dividend Yield está em torno de 6 por cento, antes da contabilização do dividendo extraordinário, e deve aumentar com a distribuição anunciada, o que pode tornar os papéis mais atrativos para investidores focados em retorno periódico.


E Eu Com Isso?

A bonificação também aumenta a participação dos acionistas sem custo adicional, enquanto a distribuição extraordinária proporciona fluxo de caixa antecipado em 2026. Essas medidas evidenciam a estratégia da companhia de equilibrar retorno aos acionistas com manutenção de capital, mantendo disciplina financeira e consistência operacional.

O conjunto de fatores, dividendos extraordinários, bonificação de ações, CAPEX planejado, múltiplos atrativos e geração de caixa consistente, cria um cenário que pode interessar tanto a investidores orientados à renda quanto à valorização de longo prazo.

As iniciativas refletem a intenção da Klabin de conciliar retorno imediato aos acionistas com fortalecimento patrimonial, preservação de flexibilidade financeira e execução de sua estratégia de longo prazo.


Construção civil sustenta protagonismo com demanda firme, crédito direcionado e empresas mais eficientes

O setor de construção civil voltou a ocupar um papel central no mercado acionário em 2025, com diversas companhias apresentando valorizações expressivas e resultados operacionais consistentes, especialmente aquelas voltadas ao segmento de baixa renda. Este desempenho decorre de três pilares essenciais: melhora na percepção de demanda habitacional, condições de financiamento mais favoráveis – impulsionadas por instrumentos como FGTS e MCMV – e políticas públicas que favorecem o acesso à moradia. Em um ambiente financeiro em que o crédito subsidiado funciona como amortecedor do ciclo macroeconômico, as construtoras atenderam famílias com elasticidade de demanda maior e um mercado menos sensível ao encarecimento do capital, beneficiando especialmente modelos de negócios focados na faixa econômica.

Essa dinâmica também se reflete na performance financeira das companhias listadas, que reportaram geração de caixa positiva e expansão contínua de lucros ao longo dos trimestres. Empresas com maior escala conseguem acessar financiamento a taxas inferiores às praticadas no mercado, reduzindo custo de capital e ampliando margem competitiva. Além disso, a disciplina operacional permitiu ganhos de eficiência, resultando em trimestres consecutivos de geração de caixa livre robusto, o que reforça a resiliência desse segmento. O ciclo virtuoso se retroalimenta: maior volume de lançamentos, velocidade de vendas consistente e capacidade de financiar o comprador final mantêm a engrenagem rodando mesmo em momentos mais desafiadores da economia.

No campo competitivo, as construtoras listadas despontam com vantagens estruturais frente às menores e regionais, em especial na gestão de capital e acesso a crédito institucional. Enquanto pequenas incorporadoras enfrentam custos de dívida mais elevados e volatilidade operacional, as grandes companhias captam a taxas inferiores ao CDI e encontram espaço para ganhar market share. Ao mesmo tempo, a elevação do teto financiável no MCMV e a força de programas habitacionais mantêm a demanda ativa, reforçando o papel anticíclico deste mercado—um traço relevante na leitura estratégica para investidores.

 
E Eu Com Isso?
 
Olhando à frente, a continuidade desse movimento dependerá não apenas da trajetória dos juros, mas também da manutenção ou expansão das políticas habitacionais, da execução eficiente e da disciplina financeira das empresas. O setor mostrou capacidade de absorver choques e capturar oportunidades, mas ainda opera em um ambiente macroeconômico dependente de estímulo ao crédito. Se esse ciclo de suporte persistir, o setor tende a sustentar retornos sólidos e um patamar estruturalmente superior de geração de valor, preservando sua atratividade dentro do portfólio de setores domésticos.

Como leitura final, a construção civil combina fundamentos resilientes, drivers estruturais claros e um alinhamento raro entre demanda, financiamento e capacidade operacional. Esse equilíbrio cria uma janela estratégica relevante: empresas bem-posicionadas podem capturar ganhos contínuos, tanto em participação de mercado quanto em lucratividade, ao passo que investidores encontram no setor um dos casos mais consistentes de relação risco-retorno da bolsa brasileira hoje.



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PIB cresce 0,1 por cento no 3T25, abaixo do esperado https://levanteideias.com.br/artigos/pib-cresce-01-por-cento-no-3t25-abaixo-do-esperado https://levanteideias.com.br/artigos/pib-cresce-01-por-cento-no-3t25-abaixo-do-esperado#respond Thu, 04 Dec 2025 13:51:10 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52663 O post <strong>PIB cresce 0,1 por cento no 3T25, abaixo do esperado</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1 por cento no 3T25 na comparação com o 2T25, abaixo do crescimento de 0,4 por cento no 2T25. O resultado foi inferior à mediana das expectativas, que era de 0,2 por cento. Em quatro trimestres houve um crescimento de 2,7 por cento, acima das expectativas de 1,7 por cento.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “embora a Agropecuária (0,4 por cento) e a Indústria (0,8 por cento) tenham mostrado variações positivas nessa comparação, o setor de Serviços, que tem maior peso na economia, ficou praticamente estável (0,1 por cento)”.

O IBGE informou que, “em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre chegou a 3,2 trilhões de reais. O Valor Adicionado dos três grandes segmentos da economia foi de 176,2 bilhões de reais para a Agropecuária, 682,2 bilhões de reais para a Indústria e 1,9 trilhão de reais para os Serviços.”

O resultado mostra que a atividade econômica está mais desacelerada do que o esperado. Havia uma grande dispersão das projeções. As estimativas para o crescimento trimestral oscilavam de uma retração de 0,5 por cento a um crescimento de 1,4 por cento. O intervalo mostra incerteza sobre o ritmo da atividade em meio à desaceleração da indústria e à perda de força dos serviços. As projeções para o crescimento acumulado em 12 meses também estavam dispersas e variam de 0,3 por cento a 3,2 por cento.

Apesar do número negativo, a reação dos investidores pode ser positiva. O crescimento da economia desacelerou, mas isso era o esperado em um cenário de aperto prolongado da política monetária. A redução do ritmo de atividade pode contribuir para que a inflação convirja mais depressa para o centro da meta, aumentando as probabilidades de o Banco Central (BC) começar a baixar a taxa Selic, atualmente em 15 por cento ao ano.

Na quarta-feira houve uma queda do dólar e mais um recorde no Ibovespa. O movimento de alta na bolsa e queda do câmbio contou com suporte externo: nos EUA, dados fracos de emprego no setor privado reforçaram a expectativa de que o FED vai cortar juros na reunião de dezembro e indicar um afrouxamento mais rápido da política monetária americana. Esse cenário tende a favorecer moedas de economias emergentes e bolsas como a brasileira.


E Eu Com Isso?

O desempenho do PIB abaixo do esperado pode levar a um movimento de realização pontual de lucros na bolsa. No entanto, o cenário externo segue positivo com a possibilidade de corte dos juros americanos, e o panorama para a bolsa é positivo.


Smart Fit compra 60 por cento da Evolve e acelera estratégia de expansão


A Smart Fit (SMFT3) anunciou na terça-feira (02) a aquisição de 60 por cento do capital da Evolve, uma rede de academias com presença no Centro-Oeste brasileiro. O acordo prevê um investimento total de até 100 milhões de reais, dos quais 40 milhões de reais serão desembolsados no fechamento da operação.

O montante restante poderá ser pago ao longo dos próximos dois anos, condicionado ao cumprimento de metas previamente definidas e ajustado pela inflação medida pelo IPCA. Com essa transação, a Evolve foi avaliada em um enterprise value de 199,7 milhões de reais, embora o valor final a ser pago pela participação dependa da apuração da dívida líquida da companhia na data do fechamento.

Atualmente, a Evolve opera 28 unidades, quatro delas inauguradas já em 2025, e possui mais sete academias em fase de construção. Essa estrutura já estabelecida é um dos principais atrativos do negócio: para a Smart Fit, trata-se de um atalho para fortalecer sua atuação em uma região onde a marca ainda não tinha presença dominante. A incorporação de unidades prontas, com base de clientes formada e localização estratégica, reduz significativamente o tempo e o custo necessários para expansão orgânica, que normalmente exige construção, captação de clientes e amadurecimento gradual da operação.

Apesar de a Evolve representar, inicialmente, uma contribuição relativamente pequena aos resultados consolidados da Smart Fit, estimada em algo entre 1 por cento e 2 por cento do Ebitda no curto prazo, o valor estratégico da aquisição vai muito além do impacto imediato. A Smart Fit planeja realizar uma integração gradual das unidades, convertendo-as ao padrão operacional, tecnológico e visual da própria rede. Esse processo tende a gerar sinergias relevantes, sobretudo em eficiência de custos, ampliação do poder de negociação com fornecedores, padronização de serviços e reforço da marca.

Além disso, o acordo firmado entre as companhias inclui um pacto de acionistas que estabelece diretrizes de governança e concede à Smart Fit opções de compra e venda das ações que permanecerão nas mãos dos sócios minoritários. Essa estrutura permite que a empresa, no futuro, adquira a totalidade da Evolve caso julgue estratégico, mantendo flexibilidade para aprofundar a integração quando for mais conveniente.

Como ocorre em transações desse porte, a conclusão do negócio está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), etapa necessária para garantir que a operação não gera desequilíbrios competitivos no setor.


E Eu Com Isso?

Do ponto de vista estratégico, a aquisição não se resume ao aumento do número de academias no portfólio. Ela representa um movimento de expansão calculado em um mercado regional de alto potencial e ainda em desenvolvimento, onde a presença da Smart Fit era menor. Ao incorporar uma rede já consolidada, a empresa ganha escala rapidamente, acelera sua penetração no Centro-Oeste e se posiciona de maneira mais competitiva diante de um segmento que vem se profissionalizando e crescendo de forma consistente nos últimos anos.

Em longo prazo, a integração entre as duas operações pode reforçar ainda mais a liderança da Smart Fit no mercado brasileiro de academias. Com a captura de sinergias operacionais, maior capilaridade e uma marca amplamente reconhecida, a companhia se prepara para competir em um ambiente cada vez mais exigente, no qual eficiência, tecnologia e expansão geográfica são fatores determinantes para sustentar crescimento e rentabilidade.


PRIO (PRIO3) divulga dados operacionais de novembro com forte aumento na produção

A PRIO (PRIO3) divulgou seus resultados operacionais de novembro, registrando produção média de 138,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd), avanço de cerca de 55 por cento em relação a outubro e melhor desempenho da companhia em 2025.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela consolidação da participação de 80 por cento no campo de Peregrino, cuja produção passou a ser incorporada integralmente ao longo do mês.

O fechamento da aquisição adicional de 40 por cento ocorreu no dia 11, e o ativo contribuiu com 68,8 mil boepd de forma proporcional em novembro, reforçando sua importância estratégica no portfólio da empresa. Entre os demais ativos, o desempenho foi mais estável, com variações pontuais.

O campo de Frade produziu 31,4 mil boepd, ligeira queda em relação a outubro. O cluster Polvo + TBMT alcançou 13,98 mil boepd, redução de 6,6 por cento no mês, enquanto Albacora Leste produziu 24,56 mil boepd, recuo de 1,1 por cento devido a uma falha no sistema de compressão de gás, que deve ser totalmente solucionada até a primeira quinzena de dezembro.

Apesar dessas pequenas oscilações, Peregrino compensou amplamente qualquer redução marginal nos demais ativos, elevando o volume total da companhia. Em novembro, a PRIO comercializou 5,1 milhões de barris de petróleo, volume significativamente superior ao de outubro, impulsionado pelo aumento da produção e venda de estoques acumulados. A integração da nova fatia de Peregrino, somada à estabilização operacional, resultou em forte incremento tanto no volume produzido quanto no volume vendido.

O aumento das vendas, aliado à elevação da produção em relação ao terceiro trimestre, tende a fortalecer receitas e EBITDA, criando cenário favorável para a continuidade do crescimento em 2026. A expectativa é que a produção siga em trajetória ascendente, especialmente com os avanços na entrada em operação do campo de Wahoo, que pode adicionar cerca de 40 mil boepd à capacidade da PRIO já em 2026.

A consolidação de Peregrino, a futura contribuição de Wahoo e o melhor aproveitamento do portfólio atual reforçam a tendência de expansão operacional e financeira da companhia, fortalecendo sua posição no setor de óleo e gás.

 
E Eu Com Isso?
 
Para o investidor, a perspectiva para os próximos trimestres permanece favorável. Peregrino cria uma base sólida de produção, enquanto os ativos legados tendem a se recuperar de pequenas oscilações, como em Albacora. Além disso, o desenvolvimento de Wahoo projeta um aumento significativo na produção já em 2026, reforçando a geração de caixa da empresa.

No campo do valuation, PRIO3 é negociado a 5,5 vezes EV/EBITDA e 6,0 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, múltiplos compatíveis com a média do setor. Apesar da volatilidade operacional ao longo do ano, o desempenho de novembro sinaliza retomada consistente. Projetando um EBITDA em torno de 8 bilhões de reais para 2025, há espaço para uma reprecificação positiva à medida que Peregrino amadurece, Wahoo se aproxima da operação e os ativos atuais se estabilizam.

Diante desse conjunto de fatores, mantemos visão positiva para PRIO3, com expectativa de crescimento sustentável e geração consistente de valor para os acionistas.



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A inflação voltou para dentro da meta, e agora? https://levanteideias.com.br/artigos/a-inflacao-voltou-para-dentro-da-meta-e-agora https://levanteideias.com.br/artigos/a-inflacao-voltou-para-dentro-da-meta-e-agora#respond Wed, 26 Nov 2025 12:42:54 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52597 O post <strong>A inflação voltou para dentro da meta, e agora?</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua

A principal notícia econômica desta quarta-feira (26), último pregão antes do feriado americano do Dia de Ação de Graças, foi a divulgação da inflação de novembro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A variação de preços foi de 0,20 por cento, levemente acima da estimativa e da inflação de outubro, ambas em 0,18 por cento.

A variação de preços em 12 meses ficou em exatos 4,50 por cento, limite superior da banda de flutuação da meta de inflação. O resultado acumulado ficou marginalmente acima da projeção de 4,49 por cento e abaixo dos 4,94 por cento nos 12 meses até outubro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior variação e o maior impacto positivo vieram do grupo Despesas pessoais (0,85 por cento e 0,09 p.p.). Nesse grupo, o resultado foi influenciado, principalmente, pelas altas na hospedagem (4,18 por cento) e no pacote turístico (3,90 por cento), com impactos de 0,03 p.p. e 0,02 p.p, respectivamente.

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, inflação usada pelo Banco Central (BC) como parâmetro da meta de inflação. A única diferença é o prazo de medição. O IPCA-15 considera a variação de preços entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês corrente, ao passo que o IPCA “cheio” observa a variação dos preços no mês fechado. Por isso, o IPCA-15 é uma antecipação excelente da inflação oficial.

Foi a primeira inflação dentro do teto da meta de 2025. A meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e defendida pelo Banco Central (BC) é de 3 por cento, com 1,5 ponto percentual de tolerância para mais ou para menos. O teto da meta é de 4,50 por cento e o resultado esperado pode ficar dentro dessa faixa.

Os investidores esperam que, no horizonte de política monetária do BC, com planejamento até 2027, a inflação continue dentro da banda de tolerância, sem necessidade de alta adicional de juros, com um eventual repique isolado em janeiro de 2026, voltando a recuar depois.

A redução da expectativa do IPCA para 2025 e a possibilidade de inflação acumulada em 12 meses permanecer dentro da meta em dezembro reforçam a convicção de que a manutenção da taxa referencial Selic em um patamar elevado vem surtindo efeito.

Algumas instituições financeiras já revisaram suas projeções para dezembro, levando a inflação projetada para algo próximo ao teto da meta, o que sugere crescente convicção de convergência para o intervalo desejado. Apesar disso, a inflação ainda deve demorar para convergir ao centro da meta de 3 por cento, o que reduz a probabilidade de o BC iniciar uma redução da Selic já em dezembro.

No entanto, a edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (24) trouxe uma leve redução na Selic esperada para o fim de 2026, que caiu para 12 por cento ante os 12,25 por cento que valeram por 12 semanas. A confirmação de uma queda no IPCA-15, e uma eventual baixa no IPCA “cheio” que será divulgado em dezembro, podem levar o BC a sinalizar algo mais concreto na baixa de juros na reunião do Copom agendada para os dias 9 e 10 de dezembro.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociados em Nova York estão em alta no pré-mercado. A confirmação de uma inflação dentro da meta pode melhorar as expectativas para os juros, o que é positivo para a bolsa. No entanto, a aproximação do feriado americano do Dia de Ação de Graças deve reduzir a liquidez, o que amplifica a volatilidade dos preços.

As notícias são positivas para a bolsa em um cenário de volatilidade


Projeto de Lei da privatização da Copasa (CSMG3) avança na ALMG e ações sobem


Na segunda-feira (24), o Projeto de Lei 4.380/2025, que autoriza a privatização da Copasa (CSMG3), avançou mais uma etapa na Assembleia Legislativa. A Comissão de Administração Pública aprovou o relatório favorável à desestatização, permitindo que a proposta siga agora para a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO). O parecer nessa nova fase já foi apresentado e deve ser votado nos próximos dias.

A expectativa do governo é concluir a tramitação em todas as comissões ainda nesta semana, para que o texto seja liberado ao plenário na semana seguinte. O cronograma repete a estratégia utilizada recentemente durante a votação da PEC que retirou a exigência de referendo popular para a privatização da companhia.

O Executivo mineiro argumenta que a desestatização é fundamental para ampliar a capacidade de investimento da Copasa e, ao mesmo tempo, liberar recursos que poderão ser direcionados ao abatimento de dívidas do estado no âmbito do Propag, programa federal voltado à reorganização fiscal dos entes federativos.

Pelo desenho da operação, a Copasa poderá ser convertida em corporation de capital privado, mas com a manutenção, pelo estado, de uma golden share. Esse instrumento garante poder de veto em decisões estratégicas, como mudança de sede, alteração do nome da empresa ou modificações relevantes no modelo de governança.

O projeto também determina que, em até 180 dias após a sanção da lei, o governo encaminhe uma proposta de criação do Fundo Estadual de Saneamento Básico. O fundo será responsável por financiar melhorias no setor e assegurar a continuidade de investimentos em regiões vulneráveis.

Durante as discussões nas comissões, foram incorporadas diretrizes para preservar a tarifa social, garantir a universalização dos serviços, inclusive em áreas rurais e de baixa densidade populacional e estabelecer mecanismos para assegurar a modicidade tarifária.

O plano ainda prevê a preservação dos contratos de trabalho dos empregados da Copasa por, no mínimo, 18 meses após a privatização, além da possibilidade de realocação de servidores para outras entidades estatais posteriormente.


E Eu Com Isso?

A privatização da Copasa tende a reposicionar o setor de saneamento em Minas Gerais dentro do radar dos investidores, especialmente considerando a combinação de demanda estável, necessidade de expansão de infraestrutura e potencial de ganhos de eficiência operacional. A entrada do capital privado no modelo proposto pode criar um ambiente mais favorável a investimentos e acelerar a execução de projetos que hoje enfrentam limitações de orçamento público.

Do ponto de vista de risco-retorno, o processo ainda depende de definições regulatórias e do desenho final de mecanismos de modicidade tarifária, que serão determinantes para a atratividade do ativo. A presença de uma golden share, embora mantenha o Estado com relevância, mas não inviabiliza a formação de um bloco relevante de investidores capazes de influenciar a gestão e buscar melhorias de performance, desde que haja previsibilidade normativa e segurança jurídica na transição.

Se confirmada no prazo esperado pelo governo, a operação poderá marcar um dos movimentos estruturais mais relevantes no mercado mineiro em décadas, com potenciais repercussões sobre valuations do setor, equilíbrio competitivo regional e fluxo de capitais para infraestrutura.

Para o investidor, acompanhar a evolução nas comissões, os ajustes do texto e a sinalização de órgãos reguladores será essencial para mensurar riscos e identificar oportunidades na janela que se abre no pós-privatização.
Cury (CURY3) aprova dividendos de 250 milhões de reais após resultados crescentes

Nesta semana, a Cury (CURY3) anunciou o pagamento de 250 milhões de reais em dividendos intercalares, movimento que se tornou o principal destaque recente da companhia e que reforça sua capacidade de geração de caixa. A decisão ocorre em um momento em que a empresa vem registrando bons resultados ao longo de 2025, mas chama atenção pelo volume da distribuição, refletindo a confiança da administração na estrutura de capital da incorporadora.

Em um setor historicamente marcado por ciclos de alavancagem e volatilidade, a companhia vem apresentando uma combinação de crescimento e disciplina financeira que permite remunerar acionistas, ainda que o ambiente de mercado permaneça desafiador.

No terceiro trimestre de 2025, a Cury reportou lucro líquido de 255 milhões de reais, avanço próximo de 50 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA foi de 340,3 milhões de reais, e a geração de caixa operacional atingiu mais de 233 milhões de reais, reforçando a liquidez da empresa.

O ritmo de lançamentos também é relevante para avaliar a sustentabilidade da distribuição de dividendos. No terceiro trimestre, o volume lançado atingiu 2 bilhões de reais, crescimento de cerca de 27 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas líquidas chegaram a 1,83 bilhão de reais. Nos primeiros meses do ano, os lançamentos somaram quase 2,8 bilhões de reais em VGV, distribuídos entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Esses números mostram que a companhia mantém uma agenda ativa de projetos, ainda que a velocidade de execução e as condições do mercado possam influenciar os resultados futuros.

A estrutura financeira da Cury contribui para essa posição, com dívida bruta de cerca de 986 milhões de reais e caixa superior a 1,4 bilhão de reais, resultando em caixa líquido positivo. A maior parte das obrigações possui vencimentos longos, até 2031, o que reduz pressões imediatas sobre o fluxo de caixa. Essa configuração permite que a companhia continue lançando projetos e distribuindo dividendos, mas qualquer mudança no mercado imobiliário ou no financiamento habitacional pode impactar a liquidez futura.

 
E Eu Com Isso?
 
Os dividendos aprovados de 86 centavos por ação resultam em um Dividend Yield estimado em 7 por cento, dependendo da cotação considerada. O P/L da companhia está em 12,5 vezes, um múltiplo que já pode ser considerado elevado para uma incorporadora, e passa a depender de crescimento e margens acima da média.

Esses indicadores sugerem que o retorno ao acionista é relevante, mas a avaliação do risco permanece importante, considerando a sensibilidade do setor a juros, crédito e distratos.

Alguns pontos continuam sendo monitorados, como os distratos, que representaram cerca de 11 por cento das vendas brutas, e a leve redução no preço médio das unidades lançadas. Apesar disso, a Cury mantém margens relativamente elevadas e retorno sobre o patrimônio significativo.

O anúncio dos dividendos reflete a capacidade atual da companhia de gerar caixa e distribuir valor aos acionistas, mas a sustentabilidade desse desempenho dependerá de condições de mercado e execução operacional consistentes nos próximos trimestres.


DISCLAIMER
A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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Focus indica Selic mais baixa em 2026 https://levanteideias.com.br/artigos/focus-indica-selic-mais-baixa-em-2026 https://levanteideias.com.br/artigos/focus-indica-selic-mais-baixa-em-2026#respond Mon, 24 Nov 2025 12:52:04 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52592 Após oito semanas, a edição do Relatório Focus desta segunda-feira (24) indicou uma expectativa de redução da taxa Selic para 2026. As expectativas dos investidores agora são de que os juros referenciais encerrem o próximo ano a 12 por cento, abaixo dos 12,25 por cento esperados desde meados de setembro. A projeção para os juros… Read More »Focus indica Selic mais baixa em 2026

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Após oito semanas, a edição do Relatório Focus desta segunda-feira (24) indicou uma expectativa de redução da taxa Selic para 2026. As expectativas dos investidores agora são de que os juros referenciais encerrem o próximo ano a 12 por cento, abaixo dos 12,25 por cento esperados desde meados de setembro. A projeção para os juros de 2025 segue inalterada em 15 por cento.

Essa alteração da expectativa de juros para 2026 mostra um avanço, entre os investidores, da expectativa de uma sinalização mais efetiva na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para os dias 9 e 10 de dezembro.

A expectativa quase unânime dos investidores, com 92 por cento de probabilidade segundo as opções de Copom negociadas na B3, é de manutenção das taxas em 15 por cento ao ano. No entanto, assim como a Ata da reunião do Copom de novembro cravou que os juros não deveriam subir mais – só deixando as alternativas de estabilidade ou queda – há uma grande expectativa de que o Comunicado e a Ata da reunião de dezembro ofereçam uma perspectiva mais clara de quando começará o afrouxamento da política monetária.

O número mais importante em uma semana de liquidez reduzida (devido ao feriado americano do Dia de Ação de Graças) será a prévia da inflação medida pelo IPCA-15. A divulgação está prevista para a quarta-feira (26). A expectativa dos investidores é elevada, uma vez que os dados mais recentes mostram uma trajetória descendente dos reajustes de preços.

O cenário é semelhante nos Estados Unidos. Também na quarta-feira (26) será divulgada – com atraso – a inflação de setembro medida pelo Personal Consumption Expenditure (PCE) e da inflação no atacado medida pelo Producer Price Index (PPI). Os dados divulgados nos últimos dias não têm sido positivos, por isso a expectativa dos investidores é grande.

O que o mercado avalia é se a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) agendada para dezembro trará mais um corte de juros. Segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no intervalo atual entre 3,75 e 4,00 por cento caiu de 57,6 por cento há uma semana para 24,5 por cento. E a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,50 e 3,75 por cento subiu de 42,4 por cento para 75,5 por cento nesse mesmo período.


E Eu Com Isso?

A segunda-feira começa com uma leve alta nos contratos futuros dos principais índices americanos. Os investidores seguem atentos aos indicadores em uma semana de liquidez reduzida.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade



Mercados com Rafael Bevilacqua


Empresas brasileiras são positivamente impactadas pela retirada das tarifas de 40 por cento

A retirada da sobretaxa de 40 por cento imposta pelos Estados Unidos trouxe alívio para diversos exportadores brasileiros, repercutindo diretamente em empresas negociadas na B3 e na dinâmica competitiva do comércio bilateral. Essa medida, que incide principalmente sobre produtos agropecuários e alimentos, representa uma reversão parcial do tarifaço implementado meses antes e que havia prejudicado as vendas brasileiras ao mercado americano.

Com a isenção, itens como carne bovina, frutas, café, cacau, especiarias e sucos retomam condições mais favoráveis de acesso aos Estados Unidos, recuperando competitividade em preço e margem e reduzindo distorções que vinham desestimulando importadores e pressionando os exportadores nacionais.

Entre os setores mais beneficiados, o de proteína animal se destaca empresas como JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), líderes do segmento, aparecem como as mais favorecidas pela retirada da sobretaxa, as ações tiveram bom desempenho na última sexta-feira. 

O motivo majoritário é a carne bovina e seus diversos cortes estão entre os produtos liberados, o que reduz o custo final da exportação, restabelece boa parte da competitividade perdida e pode estimular uma recomposição dos volumes embarcados. Como essas empresas possuem alta exposição ao mercado externo, mesmo pequenas mudanças tarifárias tendem a produzir impactos relevantes nas margens e nos resultados trimestrais.

Com a remoção da sobretaxa de 40 por cento, esse risco diminui ainda mais, dando maior previsibilidade aos fluxos comerciais e às estratégias de produção destinadas aos Estados Unidos. Outro ponto importante é que a decisão tem efeito retroativo para importações realizadas após 13 de novembro, o que pode gerar reembolsos de tarifas pagas durante esse período. Para empresas do porte de JBS, MBRF e Minerva, esse efeito financeiro adicional pode resultar em melhora relevante no caixa de curto prazo, reforçando a percepção positiva do mercado em relação ao setor.

Embora os frigoríficos liderem entre os beneficiados, outros segmentos também colhem vantagens. O setor de frutas, café e sucos, apesar de não contar com grandes companhias listadas diretamente na bolsa, ganha em competitividade e pode observar aumento nos contratos de exportação. 

Da mesma forma, empresas da cadeia de madeira e celulose, como Suzano (SUZB3), podem experimentar efeitos indiretos positivos, já que produtos como polpas e determinados itens de madeira não foram incluídos na sobretaxa adicional, mantendo-se em uma posição mais favorável nos fluxos comerciais com os EUA.


E Eu Com Isso?

No entanto, nem todos os setores foram contemplados pela nova medida. Segmentos como o aeronáutico, mineração, metalurgia e áreas relacionadas à segurança nacional permaneceram sujeitos a categorias tarifárias que não sofreram flexibilização. Com isso, empresas como Embraer (EMBR3) e Gerdau (GGBR4) não se beneficiam diretamente da remoção da sobretaxa e seguem expostas ao risco tarifário em determinadas linhas de exportação. Para essas companhias, o cenário permanece desafiador, exigindo diversificação de mercados e adaptação estratégica para mitigar possíveis impactos de custos e perda de competitividade.

Assim, enquanto parte relevante do agronegócio celebra a medida, setores industriais continuam enfrentando um ambiente externo mais restritivo, reforçando a importância de políticas de diversificação e acordos comerciais que ampliem o alcance das exportações brasileiras.


CSN Siderurgia (CSNA3) em negociação para a venda da MRS com CSN Mineração (CMIN3)

A CSN (CSNA3) divulgou comunicado ao mercado informando a possibilidade de venda de participação da MRS Logística para sua outra subsidiária listada em bolsa, a CSN Mineração (CMIN3), em um movimento que pode integrar os estudos internos sobre a estrutura de endividamento do grupo.

A operação, ainda em estágio preliminar e sem documentos vinculantes, indica que a CSN avalia reorganizar seus ativos logísticos, transferindo parte de sua participação na MRS para a subsidiária de mineração. A iniciativa se relaciona ao papel da ferrovia no escoamento de minério de ferro, principal produto da CMIN, e à busca por eficiência operacional em um segmento em que o transporte exerce influência direta sobre a competitividade.

A MRS Logística é relevante para a cadeia produtiva da CSN e, especialmente, para a CMIN, que utiliza a malha ferroviária para transportar minério das minas até portos e usinas. Ao concentrar o controle acionário da MRS na unidade de mineração, o grupo poderia ajustar o alinhamento estratégico entre produção e logística, favorecendo maior integração entre as operações, previsibilidade de custos e apoio ao planejamento de investimentos em infraestrutura ferroviária.

Já a CSN, como holding diversificada, pode estar avaliando alternativas dentro de sua estratégia de capital, considerando que agências de rating acompanham indicadores de alavancagem e capacidade de redução do endividamento.

Embora a proposta apresente coerência sob a ótica operacional, há pontos de atenção. A transação envolve empresas do mesmo grupo econômico, o que requer foco em governança, incluindo critérios de precificação e o tratamento dado aos acionistas minoritários da CMIN. Percepções sobre eventuais conflitos de interesse podem gerar questionamentos e levar a análises mais detalhadas por parte do mercado e de reguladores.

Além disso, por se tratar de infraestrutura considerada relevante para o setor, a operação deverá ser avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que examinará possíveis impactos à concorrência e ao funcionamento do sistema ferroviário. Dependendo da análise, o órgão poderá estabelecer condições ou restrições para a conclusão do negócio.

 
E Eu Com Isso?
 
Sob o ponto de vista operacional, uma eventual consolidação da logística na CMIN pode gerar maior integração entre planejamento de produção e transporte, otimização do uso da malha ferroviária e direcionamento mais claro de investimentos. Para a CMIN, isso pode representar ganhos de competitividade e suporte a estratégias de expansão no médio e longo prazo. 

Para a CSN, a operação pode significar uma reorganização que fortaleça a mineradora, um dos principais geradores de caixa do grupo. A possível venda da participação da CSN na MRS para a CMIN constitui uma reorganização societária, que pode gerar impactos positivos na controladora, mas que ainda depende de negociações internas, análises de viabilidade e aprovação regulatória.

O resultado final dependerá da combinação entre potenciais sinergias, práticas de governança e atendimento às exigências de mercado e dos órgãos responsáveis.





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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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O que significa a queda da inflação esperada no Focus? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus#respond Mon, 17 Nov 2025 12:39:56 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52569 A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa… Read More »O que significa a queda da inflação esperada no Focus?

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Mercados com Rafael Bevilacqua

A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa dos profissionais de mercado de que a inflação de 2025 ficará abaixo do teto da meta, que é de 4,50 por cento.

Um raciocínio simplista poderia ser: como i) a expectativa de inflação está dentro da meta e ii) expectativas são importantes para as decisões do Banco Central (BC), é possível esperar um aumento da probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) indicar uma redução da Selic antes do esperado.

Esse raciocínio é válido, mas é preciso observar esse resultado com cautela. O espaço entre a projeção e o teto da meta é de apenas 4 pontos-base (centésimos de ponto percentual). E é apenas uma projeção, não um número concreto de inflação.

O impacto mais importante dessa expectativa de desaceleração da inflação é poder reforçar as expectativas dos investidores de um corte de juros pelo Copom mais cedo do que o esperado. Porém, isso não necessariamente terá uma influência muito grande na atuação efetiva do BC.

Em sua reunião mais recente, realizada na primeira semana de novembro, o Copom manteve os juros em 15 por cento ao ano como esperado. Na Ata divulgada após a reunião, o texto indicou que os juros não deverão subir, mas também não trouxe nenhuma perspectiva de corte nas taxas.

É fato que a comunicação do Copom tem sido consistente ao indicar a desancoragem das expectativas de mercado como um dos principais motivos para a manutenção da política monetária apertada. Agora, com uma melhora das expectativas de inflação, os investidores esperam que haja sinalizações mais claras de um corte na Selic.


E Eu Com Isso?

O primeiro pregão da semana começa com uma leve alta nos contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado. A melhora das expectativas de inflação no Relatório Focus pode ter uma influência positiva nos ativos brasileiros.

Mercados com Rafael Bevilacqua


Raízen (RAIZ4) registra aumento do endividamento e resultados pressionados no 2T26

A Raízen (RAIZ4) divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre do ano-safra 25/26. Os números seguem refletindo um ambiente operacional desafiador, deterioração contínua da estrutura de capital, com aumento do endividamento.

A companhia reportou uma dívida líquida de 53,4 bilhões de reais, representando um crescimento de 48,8 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado, alcançou 5,1x, um patamar considerado bastante elevado.

A receita líquida totalizou 59,9 bilhões de reais no trimestre, queda de 17,8 por cento na comparação anual. Já os custos operacionais somaram 57,2 bilhões de reais, retração de 16,6 por cento em relação ao 2T25. Com isso, o lucro bruto foi de 2,7 bilhões de reais, recuo de 37,8 por cento frente ao mesmo período do ano anterior.

As despesas operacionais permaneceram estáveis em 1,49 bilhão de reais, redução de 20,5 por cento em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado foi de 2,8 bilhões de reais, queda de 39,7 por cento em comparação com o 2T25, refletindo o cenário mais adverso enfrentado pela companhia.

Os investimentos realizados somaram 1,7 bilhão de reais, redução de 29 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Apesar da continuidade dos projetos de expansão no segmento de etanol de segunda geração (E2G), a empresa tem buscado reduzir a alocação de capital a fim de preservar o caixa e reequilibrar sua estrutura de capital.

O resultado financeiro líquido foi negativo em 2,7 bilhões de reais, uma deterioração de 61 por cento em relação ao 1T26, pressionado principalmente pelo aumento do custo da dívida e pelas taxas de juros ainda elevadas.

Como consequência, a companhia encerrou o trimestre com um prejuízo líquido de 2,3 bilhões de reais, confirmando mais um período desafiador para a Raízen.

A Raízen passa por um processo de revisão estratégica do portfólio, com o objetivo de reduzir sua alavancagem e fortalecer a estrutura de capital. Os esforços de desinvestimento incluem a alienação de usinas recentemente.

A companhia anunciou a venda da Usina Continental, localizada no interior de São Paulo, por 750 milhões de reais. Com isso, a empresa passa a deter 24 usinas e capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas por ano-safra.


E Eu Com Isso?

O ano-safra 2026 tem se mostrado particularmente desafiador para a Raízen, marcado por pressões operacionais e financeiras. A combinação de margens comprimidas, menor geração de caixa e aumento da alavancagem resultou em desempenho financeiro mais fraco e deterioração de importantes indicadores de rentabilidade e solvência.

Diante desse cenário, a companhia vem implementando medidas estratégicas voltadas à reestruturação de sua dívida, que ainda não têm surtido efeito, dado que a relação dívida líquida/EBITDA segue em trajetória de aumento.

Do ponto de vista de valuation, a Raízen está sendo negociada a um múltiplo EV/EBITDA de 6,6x em relação aos últimos doze meses.

Entretanto, é importante destacar que a companhia permanece exposta à volatilidade dos preços das commodities, o que, combinado ao seu beta elevado, acima da média do mercado, reflete maior sensibilidade da ação aos movimentos macroeconômicos e financeiros.


Consumo desaquecido pressiona o setor de beleza em um trimestre de ajustes e perda de fôlego

O setor de cosméticos atravessou o terceiro trimestre de 2025 enfrentando uma combinação desafiadora de consumo enfraquecido, endividamento elevado das famílias e inflação persistente, fatores que comprimiram o poder de compra e afetaram principalmente categorias discricionárias como perfumaria e maquiagem. Embora historicamente resiliente, a indústria de beleza e higiene pessoal sente de forma mais intensa o efeito dessa mudança no comportamento do consumidor, que tem priorizado itens essenciais e reduzido a fatia destinada a produtos de maior valor agregado. Nesse contexto, o desempenho das principais companhias indica que o ciclo de desaceleração que começou no segundo trimestre se aprofundou, pressionando volumes, reduzindo a frequência de compras e elevando a competição entre marcas.

Dentro desse ambiente, a Natura (NATU3) apresentou um trimestre que reflete esse cenário mais hostil. A receita da marca recuou 0,2 por cento no Brasil, movimento que, embora moderado, desencadeou uma retração mais expressiva no faturamento consolidado da holding. O impacto foi ainda mais evidente na Avon, cuja receita doméstica caiu 13 por cento e reforçou um padrão de perda de tração já observado ao longo dos últimos trimestres. As quedas acentuadas, sobretudo na divisão Hispana da Avon, revelam uma fragilidade estrutural nas categorias que dependem de lançamentos, renovação de portfólio e maior elasticidade de demanda — justamente os segmentos mais penalizados pela retração do consumo. Ao mesmo tempo, produtos de uso diário e higiene pessoal continuam apresentando maior resiliência, mas não são suficientes para compensar a pressão sobre as linhas premium e de perfumaria.

O movimento de reestruturação observado na Avon — desde a revisão da estratégia de portfólio até a ampliação da presença no varejo físico — reforça a necessidade de adaptação das empresas a um consumidor mais seletivo e menos impulsionado por tendências. A expansão para redes farmacêuticas e perfumarias busca recuperar capilaridade e melhorar visibilidade, mas ocorre em um momento de queda generalizada da demanda, o que reduz o potencial de alavancagem no curto prazo. De forma semelhante, outras líderes globais, avançam em processos de reorganização de portfólio e revisão de marcas locais, um sinal de que a pressão não é pontual nem restrita ao Brasil, mas parte de um ajuste mais amplo nos mercados latino-americanos.

Mesmo entre as gigantes com maior diversificação, o ambiente segue desafiador. A L’Oréal também registrou queda nas vendas na América Latina no trimestre, mostrando que a desaceleração é transversal e não apenas uma questão de posicionamento competitivo. Apesar de alguns nichos pontuais de crescimento, como produtos profissionais e itens de consumo massivo, o setor opera sob um quadro de acomodação após anos de expansão acelerada. No Brasil, embora a companhia destaque o país como um dos mercados mais equilibrados da região, o desempenho ainda reflete um consumidor mais cauteloso, que ajusta prioridades e reduz despesas consideradas “não essenciais”.

 
E Eu Com Isso?
 
Nesse cenário, a leitura para o setor permanece mais pessimista no curto prazo. A persistência do endividamento das famílias e a lenta recomposição da renda real seguem limitando a capacidade de recuperação do consumo discricionário. Ao mesmo tempo, o aumento da competição e a necessidade de investimentos em portfólio, marketing e canais tendem a pressionar margens, especialmente entre as empresas que já enfrentam desafios estruturais. A combinação desses elementos indica que o ciclo de retomada deve ser gradual e sujeito a volatilidade, com maior dependência de inovação assertiva, eficiência operacional e estratégia comercial focada em mix adequado e presença multicanal.

Por fim, o desempenho do trimestre reforça que a indústria de cosméticos está passando por um momento de inflexão, no qual o histórico de resiliência não é suficiente para amortecer por completo a desaceleração macroeconômica. A capacidade de adaptação será determinante para atravessar os próximos meses com maior estabilidade. As empresas que conseguirem equilibrar reposicionamento de marcas, racionalização de portfólio e expansão disciplinada de canais podem se proteger melhor da queda de demanda. Assim, o fechamento do 3T25 sinaliza um setor ainda pressionado, que permanece dependente de melhorias macroeconômicas para recuperar o ritmo e voltar a entregar crescimento mais consistente.




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