Levante Ideias - Temer

O “vice decorativo” que amamos odiar

Seguindo a ideia de textos para o fim do ano, hoje vou traçar um panorama geral sobre o desempenho do governo Temer. O homem que passou de “vice decorativo” para um firme presidente não teve vida fácil nestes dois anos e meio à frente do governo.

Em 12 de maio de 2016, Michel Miguel Elias Temer Lulia assumiu interinamente a Presidência da República após o afastamento temporário de Dilma. Em 31 de agosto, após a conclusão do processo de impeachment, ocupou definitivamente o cargo. Em um governo de altos e baixos, Temer termina seu ciclo na Presidência com sensação de dever cumprido, mas popularidade inexistente.

Temer foi vice-presidente de Dilma Rousseff durante o primeiro mandato da presidente até seu impeachment, no segundo governo. Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1994 e conseguiu a reeleição até 2010, quando se tornou vice-presidente em coligação do MDB com o PT.  Presidiu a Câmara dos Deputados de 1997 até 2001 e também nos anos de 2009 e 2010, o que lhe conferiu capital político para tornar-se vice de Dilma.

 

Verba volant, scripta manent

No dia 7 de dezembro de 2015, exatos 5 dias após o acolhimento na Câmara de um dos pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff, Temer enviou uma carta à presidente em que escreve a frase em latim “Verba volant, scripta manent” (as palavras voam, os escritos permanecem).

Se referia aos burburinhos sobre a desconfiança de Dilma e seus aliados mais próximos com Temer e o MDB. Na carta, Temer desabafa sobre o descaso da petista com seu trabalho e como nos primeiros quatros anos de governo ele foi deixado de lado, como “vice decorativo”.

O texto foi amplamente repercutido e significou a ruptura de Temer e seu partido com Dilma. Certamente, abriu espaço para a articulação política que se construiu e culminou na destituição da presidente de seu cargo, seis meses depois. Nesta carta, Temer voltou à cena.



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Não fale em crise, trabalhe

A frase acima foi referência de Temer em seu primeiro discurso como presidente em exercício, no dia 12 de maio de 2016. Na ocasião, o emedebista reproduziu a frase que viu em uma placa de posto de gasolina para sustentar os novos objetivos do governo: dar continuidade à Lava Jato, estancar a queda livre da economia e fazer “um governo de salvação nacional”.

O Brasil enfrentava a pior crise econômica de sua história desde 1930 e precisava de um choque de gestão fiscal. Temer rapidamente agiu para recuperar a confiança dos investidores e fechar gargalos ligados a gastos públicos. Em 2016, promoveu e aprovou a PEC do Teto, além de nomear Henrique Meirelles como o novo ministro da Fazenda e Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central. 

Os dois economistas foram responsáveis por uma rápida mudança na trajetória da inflação, que em novembro de 2015 havia atingido os dois dígitos após 12 anos, e na taxa básica de juros – que em pouco mais de um ano saiu de 14,25% a.a. para 7,5%.

 

Joesley Day

Após quase 1 ano, o governo Temer colecionava alguns avanços e parecia caminhar para a aprovação da reforma da Previdência, tema tão importante para a sustentabilidade das finanças públicas. Do lado político, alguns contratempos com ministros (foram seis ministros exonerados nos primeiros seis meses de governo) desgastavam Temer, mas nada tão grave a ponto de colocar sua liderança em cheque.

O divisor de águas de seu governo foi a gravação que Joesley Batista, dono da JBS, fez do presidente junto com sua delação premiada. No áudio divulgado no dia 18 de maio de 2017, Temer dava aval para a compra de silêncio de Eduardo Cunha. A conversa causou um enorme estrago na – já limitada- reputação do presidente, a ponto de ter que entrar ao vivo para um pronunciamento oficial, reiterando que não renunciaria seu cargo – ao contrário do que já se especulava.

A partir daí o emedebista teve que gastar todas suas fichas para que o Congresso arquivasse as duas denúncias contra ele, perdendo força política para aprovar projetos como a reforma da Previdência. Como consolação, a lei da terceirização já havia sido aprovada e a reforma trabalhista foi aprovada pouco depois do escândalo – mas após esses projetos, a bancada governista rapidamente se esvaziou. Em resumo, o ano de 2017 não foi um ano perdido para Temer, mas certamente o enfraqueceu para qualquer pretensão em 2018.

 

Autoestima Temer

Nesse contexto de pouca força política, Temer ainda tentou convencer que havia condições para passar no Congresso uma reforma previdenciária. No início deste ano, ainda buscou articular a aprovação mas, impotente, desistiu do projeto ao decretar a intervenção federal no Rio de Janeiro e um discreto pacote de medidas econômicas – a última cartada de seu governo.

O que podemos concluir do governo encabeçado por Michel Temer é a frustração de um projeto maior que o MDB tentou desenvolver. A ideia era fazer um governo sólido, com medidas econômicas duras, mas necessárias, e lançar Temer para a eleição em 2018. A bombástica delação da JBS praticamente acabou com o projeto.

A equipe do emedebista ainda tentou promover sua popularidade por meio da intervenção federal – já que segurança pública é um tema prioritário para o brasileiro –, contudo não obteve sucesso. Para piorar, 2018 foi ano de Copa do Mundo e eleições. Esse, sim, pode ser considerado um ano perdido para o presidente. Temer já estava politicamente nocauteado.

Em discurso na ONU, Temer confia que deixa o cargo com a tranquilidade do dever cumprido. Disse: “O País que entregarei a quem o povo brasileiro venha a eleger é melhor do que aquele que recebi. Muito ainda resta por fazer, mas voltamos a ter rumo”. De fato, o presidente foi bastante feliz com a recuperação econômica, mas escorregou na política. Podemos ter convicção que da mesma forma que o Congresso lhe colocou na cadeira mais alta do poder executivo brasileiro, lhe desautorizou assim que viu que ficar do seu lado era mau negócio.

Um abraço,
Felipe Berenguer

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