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Small Caps: o lado B da Bolsa de Valores

Na Bolsa de Valores, são negociadas ações de empresas com características muito diferentes. Algumas companhias são grandes e consolidadas, como Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3), enquanto outras são organizações menores, com histórico de negociação na Bolsa menor, mas grande potencial de crescimento.

As grandes companhias são chamadas de blue chips, empresas consolidadas em seus setores de atuação, com enorme solidez e bastante liquidez na Bolsa. Porém, elas não são o meu foco aqui; como o próprio título já indica, falarei hoje das small caps, empresas que têm, no comparativo, uma capitalização menor – e estão naquilo que chamamos de “o lado B da Bolsa”.

Neste artigo, irei explicar a você o que são small caps e o potencial de valorização que elas têm. Além disso, para contextualizar o assunto com o momento presente, trarei um exemplo prático de uma empresa desta categoria que confirma o quão boa tais ações podem ser.

Small Caps: o peão do mercado financeiro

As small caps são ações de empresas que têm um valor de mercado relativamente pequeno, em torno de US$ 1 bilhão (ou R$ 5 bilhões, em média); contudo, é importante ressaltar que não há consenso quanto ao valor.

Assim, elas ainda não fazem parte da “elite” do Ibovespa (por isso estão no “lado B”) – e mais: seus negócios são concentrados em setores relativamente pequenos. Apenas para comparar, o valor de mercado das blue chips pode superar US$ 200 bilhões.

Devido à menor liquidez, as small caps são menos acompanhas pelos grandes investidores e Fundos de Investimentos em geral. Além disso, pelas características intrínsecas a elas, é necessário ter mais disciplina e paciência ao alocar em uma companhia deste tipo, pois o horizonte de investimento é mais longo.

Agora, uma pergunta que você pode estar se fazendo é a seguinte: “Se as blue chips são maiores e mais consolidadas, por qual razões eu investiria em uma small cap?”

É simples: o potencial de valorização dessas ações é imenso. Como ocorre no xadrez, onde muitos erroneamente descartam o potencial do peão por não vislumbrarem suas capacidades e jogadas possíveis, o mesmo ocorre na Bolsa, mas com as small caps. Não cometa esse erro. 

Potencial de valorização: oportunidade para todos

Aqui, antes de prosseguirmos com o tema, vale relembrar: small caps são empresas muito pouco acompanhadas pelos investidores, sejam eles pessoa física ou institucionais. Nem sequer Fundos de Investimento em Ações (FIAs) conseguem realmente acompanhar a totalidade e todo o potencial dessas empresas.

Portanto, já de início se torna nítido o seguinte: small caps representam oportunidades muito boas de valorização na Bolsa de Valores, ainda mais em nosso caso, onde o potencial delas é pouquíssimo aproveitado.

Em suma, elas têm menos tempo de mercado; ou seja: ainda estão em fase de forte crescimento. Seu desempenho depende muito da qualidade da Gestão da empresa.

É claro que o momentum macroeconômico importa; isto é inegável. Assim, questões como a renda da população, o PIB, a Selic, a inflação etc., todos esses fatores têm influência indireta nessas empresas. Porém, lembre-se de que a Bolsa está voltando a patamares relevantes novamente; oportunidades de lucro estão surgindo; a economia está começando a tomar as rédeas da normalidade… E as companhias que mais vão se beneficiar disso são justamente as small caps.

Continuando, genericamente falando, as small caps tendem a ser mais voláteis do que as ações de empresas mais consolidadas. Além disso, elas apresentam mais riscos do que as blue chips, mas o retorno mais alto compensa, afinal o crescimento dos lucros das empresas small caps é mais elevado.

E mais: para além do retorno mais alto, a atratividade das small caps pode residir justamente na maior volatilidade. Estranho, não é? Mas eu lhe explico: com um Beta alto, ou seja, uma variação maior do que a Bolsa como um todo, essas ações, quando a Bolsa sobe (em um movimento geral), tendem a subir mais ainda, beneficiando-se desse movimento.

É preciso, porém, sempre entender quais são os riscos do investimento antes de fazê-lo. Assim, você pode tomar decisões mais bem fundamentadas, inclusive a respeito dos riscos que está disposto a correr. Seu perfil de investidor, portanto, é muito importante. E, é claro, suas escolhas também precisam ser muito bem fundamentadas.

Como investir em small caps?

Sendo breve: você pode comprar smalls, no geral, por meio de ETFs (Exchange Traded Funds) ou de uma estratégia ativa de ações.

Sendo mais breve ainda: vejo a segunda opção como a melhor. Explico: como um ETF visa simplesmente replicar um índice de referência, com esse “índice replicado” sendo negociado como se fosse uma ação, fica-se restrito às variações do índice replicado. Assim, perde-se a possibilidade de escolha, foco em setor, seletividade etc. Mas é claro que há vantagens também: como o baixo preço de investimento e uma maior segurança.

Já no caso da segunda opção, temos a gestão ativa, que consiste em ativamente escolher os melhores setores de atuação e as ações de empresas small caps que busquem ter desempenho superior ao índice de referência (SMLL). É isso: compra-se o papel diretamente. É melhor para aqueles que querem ir além.

Conclusão e exemplo prático

Virada do ciclo econômico, crescimento do lucro das empresas e aumento da alocação em renda variável. São esses os meus pilares para gostar tanto da estratégia small caps – além, é claro, do potencial de valorização que essas empresas apresentam.

Como falado no começo deste relatório, trago agora um exemplo prático, atual e comparativo que nos demonstra a capacidade de valorização que as small caps possuem.

Falo de Helbor (HBOR3), uma das principais empresas do setor de construção civil, como foco na região metropolitana de São Paulo, bem administrada e com bons controles de custo de obras e de fluxo de caixa. É considerada uma das mais relevantes small caps do momento atual por diversos analistas.

Hoje em dia, ela vem passando por um momento de “rearrumar” a casa, de melhora na estrutura de capital e de venda de estoques. E, como vemos abaixo, vem conseguindo bons resultados.

No período de 18 de março até 29 de julho de 2020, passando pela crise que nos abateu e pelos momentos mais difíceis economicamente falando, a empresa apresentou uma impressionante valorização de 159,1%.

Levante Ideias - Evolução Helbor HBOR3

                                             Fonte: Quantum | Elaboração: Levante

Apenas para fins comparativos, o Ibovespa, no mesmo período, teve uma valorização de aproximadamente 58%… Ou seja: a diferença é notável.

Por tudo isso, elenco a classe de Small Caps como uma das principais oportunidades de investimento – com alta rentabilidade – da Bolsa de Valores brasileira. A importância delas vem crescendo cada vez mais.

O momento de entrar no barco das valorizações é agora. Não fique de fora; o lado B, não muito falado, muitas vezes é aquele que mais oportunidades apresenta.

Não perca essa viagem.

 

Eduardo Guimarães, 

Especialista em Ações.  

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