Fábrica da Taurus

Quase uma década depois, Taurus volta a pagar dividendos

Dentre as maiores fabricantes de armas de fogo do mundo, small cap brasileira deve desembolsar R$ 194 milhões em proventos em 29 de abril.

Taurus, do latim, significa touro. Símbolo de força, segurança e robustez econômica, esse foi o nome escolhido pelos fundadores da octogenária fabricante de armas de fogo sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Com o apoio inicial de Getúlio Vargas, a pequena fabricante de revólveres viria a se tornar uma das maiores do mundo, com mais de 24 milhões de unidades produzidas e exportações para mais de 100 países.

O touro, da nova-iorquina Wall Street à B3 brasileira, tem um único significado no mercado financeiro. Com seu chifre, em um movimento de baixo para cima, ele sinaliza tendência de alta na bolsa (bullish), alusão perfeita para o atual momento da Taurus. A fabricante caminha para assumir o status de touro no que se refere ao pagamento de dividendos. Depois de quase uma década sem pagar proventos – a última vez foi em 2013, após desembolsos regulares desde 2002 -, a famosa fabricante de armas chega a 2022 em uma de suas melhores fases.

Após um profundo processo de reestruturação, a Taurus Armas (TASA4) levará o tema para a próxima Assembléia Geral Extraordinária, em 19 de abril. Nessa data, conforme antecipado em entrevista à Levante, o CEO Salesio Nuhs, conta que a administração da companhia sugerirá o pagamento de dividendos aos acionistas. Se aprovado, a companhia pagará o correspondente a R$ 194 milhões em dividendos em 29 de abril. Em 2013, foram distribuídos R$ 3,4 milhões ou R$ 0,02 por ação.

Na visão do CEO, o movimento resultará em uma mudança de perfil do investidor da Taurus, cujo IPO aconteceu há exatos 40 anos. A tendência, de agora em diante, é que a small cap passe a atrair acionistas com apetite voraz por esse tipo de remuneração.

“Estamos pagando os 25% obrigatórios, mas sugerimos pagar mais uma parcela de dividendos que praticamente está distribuindo 100% do lucro”, contou Nuhs.

Além disso, o CEO destacou que, por se tratar de um ano eleitoral no Brasil, 2022 deve ser positivo para a Taurus. “Nos Estados Unidos, sempre que surge uma ameaça de mudança da administração, há uma correria para a compra de armas.”

Um ano após consolidar sua reestruturação, a Taurus, maior vendedora de armas leves do mundo, inicia neste ano a produção em sua fábrica na Índia, que já está abrindo portas para possíveis licitações nas forças armadas daquele país, segundo Nuhs. Esse movimento ocorre depois de licitações importantes, como a da Força de Segurança da República do Líbano e o Exército das Filipinas, além de um país da África Subsaariana, cujo nome não foi revelado. Essa estratégia demonstra o foco da companhia na internacionalização de sua marca.

“Atuamos em mais de 100 países e estamos muito atentos a essas licitações internacionais.”, conta o CEO.

A empresa já atua nos Estados Unidos há 40 anos. Em 2019, mudou sua fábrica americana da Flórida para a Geórgia, onde planejava produzir 800 mil armas por ano. No ano passado, esse número superou as 868 mil unidades. Em 2021, 2,25 milhões de armas foram produzidas pela Taurus, um salto de 44,5% ante 2020 e um recorde na história da fabricante.

Neste ano, os EUA devem crescer um pouco mais que o Brasil por haver maior capacidade produtiva lá. No Brasil, o CEO conta que a Taurus deve ganhar mais capacidade a partir de 2023, pois no final do ano passado foi inaugurado um condomínio para fornecedores em São Leopoldo, em fase de recebimento de peças e equipamentos. A Taurus comprou uma área de 90 mil metros quadrados que irá ajudar na expansão da fábrica também em São Leopoldo. Para 2022, a empresa prevê investir R$ 250 milhões ante os R$ 175 milhões aportados em 2021.

No quarto trimestre de 2021, a Taurus registrou lucro líquido de R$ 206,9 milhões, queda de 26% na comparação anual. Por outro lado, a receita operacional líquida totalizou R$ 820,3 milhões, alta de 89,9% com relação ao quarto trimestre de 2020.

O recuo do lucro líquido não se deve à queda das vendas ou diminuição das margens da companhia, como podemos observar no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2021, de R$ 1 bilhão em 2021, 111,4% acima do registrado em 2020. A razão para o lucro ter diminuído no período foi o saldo negativo em R$ 88,6 milhões da conta de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro. Para efeito de comparação, no quarto trimestre de 2020 o saldo desta conta foi positivo em R$ 90,1 milhões.

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