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O tombo antes da queda: O que o WeWork nos ensina sobre Venture Capital & Startups

Texto escrito por João Gabriel Chebante, consultor de marketing

Como diz o ditado popular: há males que vem para o bem. Era para este artigo ter sido publicado na semana passada, mas… O tema vai ficar bem mais divertido agora.

A ideia inicial era falar sobre a viabilidade do IPO do WeWork. A empresa estrearia na Bolsa de Nova York com o valor de mercado de US$ 47 bilhões – o maior desde o Uber em março.

O “problema” é que após o roadshow com potenciais investidores, o processo foi suspenso e o valuation (avaliação de valor de mercado da empresa) reduzido para cerca de US$ 20 bilhões, menos da metade do montante estimado inicialmente. Foi mais do que suficiente para fazer o CEO ir até o Japão negociar com um dos principais fundos investidores, o SoftBank, mais fundos para manter o ritmo de expansão global da empresa.

O que forneceu mais munição ao artigo de hoje. Vamos aos pontos.

O valuation da WeWork

É um fato que o valuation de uma startup é totalmente diferente do cálculo em relação a uma empresa tradicional. As premissas são diferentes do fluxo de caixa descontado associado ao multiplicativo do setor de atuação.

Para quem não sabe, o valuation de uma startup geralmente parte do quanto de caixa irá precisar para uma rápida expansão de suas atividades (cashburn rate), dentro de um espaço determinado de tempo. Ou seja, os investidores institucionais não compraram o próximo ciclo de crescimento da WeWork.

Até porque, pensando bem: qual é a inovação de uma empresa de coworking?

Ainda que abrigue uma série de ferramentas inovadoras em seus processos, tenha uma amplitude global e seja líder de seu segmento, ainda fica a dúvida: é mesmo uma startup ou uma empresa do segmento imobiliário?

Caso seja a primeira opção, o seu preço estaria sobre avaliado. O que leva a outras duas reflexões:

O processo de aporte em startups nunca foi tão pesado – valores acima de US$ 100 milhões batem recordes em 2018 e 2019. O ditado “the winner takes it all”, adaptado da música do ABBA, para projetos que ganham todo o capital referente a um segmento de mercado, nunca fez tanto sentido.

Ao mesmo tempo, o volume de recursos para rodadas iniciais é menor atualmente do que em anos anteriores – startups em rodadas iniciais estão potencialmente ficando nas mãos de Corporate Ventures (fundos de propriedades de empresas). Com isso, consequências interessantes podem acontecer nos próximos anos.

O outro ponto é o modelo de negócios para startups. Dentro do conceito clássico, uma startup é Cash Burner, ou seja, vai consumir mais caixa do que gera em prol do seu crescimento exponencial e apoiada nos aportes que recebe de recursos externos (seed e venture capital, até seu IPO). Chega uma hora que você reduz a velocidade de consumo de caixa e o lucro começa a aparecer, remunerando todos os sócios que ficaram no projeto. Vide Jeffe Bezos e a Amazon, que passaram 15 anos dando prejuízo.

O problema é que temos uma profusão de grandes unicórnios com modelos de negócios que requerem muito capital e não apresentam perspectivas reais de lucratividade futura equivalente aos investimentos realizados – vide Uber, que no seu prospecto afirmou que pode nunca dar lucro. O WeWork, reza a lenda, tinha afirmação parecida em suas informações iniciais.

Alguns modelos vigentes no mercado claramente não vão se sustentar. E o termo bolha, provavelmente, irá aparecer em algum momento nos próximos meses a medida que o cenário possa mudar. Investidor, esteja firme e escolha bem.

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