Levante Ideias - GPA

Resultado do Grupo Pão de Açúcar do 1T21

Na noite desta quarta-feira (05), após o fechamento de mercado, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) divulgou seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2021. Os resultados fracos na operação do Brasil, devido a diversos fatores como fim do auxílio emergencial e restrições pela pandemia, foram compensados pelo forte resultado de sua operação na América Latina, o grupo Éxito.

Em termos de receita, a companhia cresceu de maneira tímida, com expansão de 4,8 por cento na receita líquida total, alcançando 13,7 bilhões de reais no consolidado. O GPA Brasil teve retração na receita líquida em 2,9 por cento, porém o Éxito cresceu 15,1 por cento, compensando a queda no Brasil.

Já em termos de margem bruta, um dos principais indicadores do varejo alimentar, houve expansão tanto no GPA Brasil quanto no Éxito, com a margem bruta consolidada saindo de 24,8 por cento no 1T20 para 26,1 por cento, um ganho importante, de modo a obter um crescimento de lucro bruto de 10,3 por cento, chegando a 3,25 bilhões de reais.

O Ebitda (métrica de geração de caixa operacional) também houve expansão e melhoria de margem, com o número consolidado alcançando 935 milhões de reais (36 por cento acima do 1T20), com margem de 7,5 por cento, 1,8 pontos percentuais acima do ano anterior, um ganho expressivo.

Um dos pontos mais sensíveis do setor, o lucro líquido consolidado foi de 127 milhões de reais, com margem tímida de 0,9 por cento, mesmo contando com efeitos positivos de reversão de imposto de renda de 92 milhões de reais, relativos ao prejuízo líquido contábil do ano anterior.

E Eu Com Isso?

Esperamos uma reação negativa no preço das ações da companhia (PCAR3) no curto prazo, devido ao resultado abaixo do esperado e à uma possível realização de lucros, pois as ações (PCAR3) já acumulam alta de quase 100 por cento desde a cisão parcial (spin-off) com o Assaí.

Adicionalmente, destacamos o possível otimismo em relação aos indicadores apresentados por Carrefour (prévia operacional) e resultados sólidos de Assaí (ASAI3), ancorando as expectativas para o GPA para cima, porém com a empresa ainda em processo gradual de melhoria de margens.

O dia 05 de maio também foi a última data COM para os dividendos anunciados, ou seja, a partir desta quinta-feira (06) as ações serão negociadas sem o direito de recebimento dos últimos proventos anunciados, com retorno de proventos calculados em pouco mais de 5 por cento, podendo desencadear uma onda de vendas no curto prazo.

Podemos enxergar de duas maneiras distintas o resultado de GPA. Por um lado, a companhia ainda sofre para melhorar as margens líquidas, ainda puxadas para baixo pelos resultados de seus negócios paralelos em desenvolvimento (James Delivery, Stix e Cheftime, entre outros), além de uma despesa financeira consideravelmente alta relativa aos passivos de arrendamento e custo da dívida.

Pelo outro lado, o resultado foi impactado pelo fim do auxílio emergencial, restrições de circulação, limitação no horário de operação de suas unidades e ainda o processo de reforma de lojas ainda em curso, o que ainda tem o potencial de ganhar tração e acelerar os resultados à frente.

Em adição a companhia já apresenta margens nas linhas de cima do resultado crescentes, o que evidencia o acerto na estratégia de renovação de lojas e mudanças de estratégia comercial, além de uma opcionalidade positiva relativa à possível venda de participação na CNova, que já tratamos por aqui, podendo desencadear mais um evento de destravamento de valor importante para a companhia.

Um ponto de observação para os resultados do 2T21 é um possível arrefecimento dos bons números do Éxito, com a Colômbia (principal operação do grupo Éxito) sofrendo greve geral e manifestações da população nas ruas, além de recuperação mais fraca dos ativos do GPA Brasil, na esteira ainda das reformas de lojas e plano de turnaround ainda demorando a gerar frutos relevantes.

Análise Complementar: CNova e mais um destravamento de valor

O grupo Casino (controlador do GPA) estaria avaliando a abertura de capital de um de seus ativos de energia, Greenyellow, além de uma possível venda da Cnova, companhia de varejo eletrônico controlado pelo grupo.

O GPA detém cerca de 34 por cento de participação no capital da Cnova, que vale cerca de 7,4 bilhões de reais, considerando o fechamento mais recente das ações da Cnova a 10 euros por ação e uma taxa de câmbio de 6,44 reais por euro. O valor é cerca de 71 por cento do valor de mercado atual do GPA de 10,5 bilhões de reais.

Com isso, caso a venda da Cnova seja efetivada e a totalidade dos recursos entre no caixa da companhia, como um mero exercício matemático, significa que o GPA estaria valendo apenas 3,1 bilhões de reais. Além disso, se considerarmos uma baixa necessidade de caixa para investimentos do GPA (baixo endividamento, e capex também relativamente baixo à geração de caixa) e a empresa fosse distribuir 1/4 do valor total da venda da Cnova, representaria um montante de 1,86 bilhão de reais ou 17,8 por cento de retorno em dividendos extraordinários, em um ambiente de Selic recém-elevada para 3,50 por cento ao ano.

Essa conta é um mero exercício. Porém, ela serve para mostrar o quanto ainda é possível destravar valor dentro do GPA, mesmo com o resultado ainda demorando a recuperar completamente para os níveis ideais de rentabilidade.

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Leia mais sobre a empresa: Spin-off: O Que É [Análise do Spin-off do Pão de Açúcar].

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