Raia Drogasil

Raia divulga resultado

Na noite desta terça-feira (28) a Raia Drogasil apresentou o resultado do terceiro trimestre de 2020. O resultado foi misto: um pouco acima do esperado em termos de receita líquida e abaixo em relação ao Ebitda e lucro líquido. Boa perspectiva de recuperação das vendas mesmas lojas, mas ainda com uma dependência maior das lojas físicas no desempenho das vendas.

Os principais destaques positivos foram:

i) 64 novas lojas abertas e apenas 3 fechamentos, mantendo a previsão (guidance) anual de abertura bruta de 240 lojas.

ii) Indicador vendas mesmas Lojas de 6,8 por cento. O indicador mostra o crescimento de vendas nas lojas exceto as novas aberturas.

iii) Forte geração líquida de caixa, com a reversão do aumento de capital de giro ocorrido no 2T20.

iv) Crescimento de 12,8 por cento na receita bruta em comparação anual, atingindo 5,38 bilhões de reais, já mostrando que o pior da pandemia já ficou para trás.

Já os principais destaques negativos são:

i) Perda de participação no mercado de 0,1 ponto percentual no país (de 13,3 por cento para 13,2 por cento) e recuo de 0,6 pontos percentuais no estado de São Paulo, sua principal praça, de 25,7 por cento para 25,1 por cento.

ii) Queda na penetração de canais digitais em relação ao trimestre anterior de 7,6 por cento para 7,1 por cento, mesmo com crescimento forte dos downloads acumulado dos aplicativos, saltando de 3,4 milhões no 2T20 para 5,6 milhões neste trimestre.

A companhia ainda destaca o baixo endividamento e a sua redução em relação ao trimestre passado de 1,2x para 0,9x Dívida Líquida dividido pelo Ebitda (métrica de geração de caixa potencial), com a previsão de estabilização da métrica para os próximos trimestres.

Mais uma vez a empresa reporta números sólidos, porém em linha com o esperado pelo mercado, sem grandes surpresas positivas. Esperamos um impacto levemente negativo com o resultado no preço das ações (RADL3) no curto prazo, dado o movimento de alta recente na expectativa de a empresa apresentar uma forte recuperação, porém nada empolgante se comparado ao histórico de execução exemplar da companhia.

O market share da companhia em São Paulo segue apresentando desafios, devido às restrições mais fortes no estado por conta da pandemia, principal praça de atuação da empresa e onde se concentram a maior parte das lojas em shopping centers, com circulação reduzida no trimestre. Sem contar as lojas em shoppings a métrica mesmas lojas (Same Store Sales – SSS) da empresa apresentou crescimento de 10,6 por cento, um bom número, mas ainda abaixo do desempenho entregue nos trimestres anteriores.

As margens se mantiveram estáveis, com o Ebitda atingindo 397 milhões de reais e margem de 7,4 por cento e Lucro Líquido de 174,7 milhões de reais com margem de 3,2 por cento, ambas em linha com o seu histórico. Essa manutenção foi possível devido a disciplina de execução e manutenção da parcela de despesas com vendas e administrativas estáveis em relação à receita bruta total.

Os números mostram um copo meio cheio e um copo meio vazio a nosso ver:

A parte otimista é a resiliência e o nível alto de disciplina na execução de seu plano de expansão e manutenção da rentabilidade que, apesar de sofrer levemente no 2T20, se mantém sólido. A empresa também ganhou market share em outras regiões como Sul, Nordeste e Norte, com um leve ganho também no Sudeste, apesar do desempenho em SP. Vale observar a evolução destes números nos próximos resultados para observar se há uma canibalização em SP ou se o efeito é atribuído largamente às restrições da pandemia.

A parte pessimista é que os resultados mostram uma grande dependência ainda da atuação de lojas físicas nas vendas, com a empresa sofrendo levemente com as restrições impostas e a estratégia digital ainda muito incipiente em relação a outros segmentos do varejo, em parte pelo hábito da população de comprar medicamentos fisicamente.

Recentemente a empresa anunciou uma Joint Venture (empresa de controle misto para um fim específico) com o Grupo Pão de Açúcar lançando uma plataforma de programa de fidelidade chamado Stix, no qual o consumidor ganha pontos nas compras nas redes de ambas as empresas e pode trocar por prêmios e créditos em compras, o que enxergamos como uma parceria interessante e um formato distinto de atuação, mas ainda em fase inicial.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

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