Aeroportos - Infraweek

O brilho da infraestrutura

Começa nesta quarta-feira (07) a Infra Week. Não é exatamente um evento agendado e preparado, mas vai atrair a atenção de todos os participantes relevantes da economia brasileira. Nesta manhã serão leiloadas as concessões de 22 aeroportos, divididos em três blocos, nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste/Nordeste. Diferentemente de leilões anteriores, as regras são mais flexíveis. Os investidores ou grupos de investidores não têm de estar formalmente associados a um operador de aeroportos, que pode ser contratado depois da venda.

Na sexta-feira haverá mais leilões. Serão oferecidas as concessões de cinco terminais portuários, quatro em Itaqui, no Maranhão, e um em Pelotas. Também será leiloado um trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que liga o porto de Ilhéus à cidade de Caetité, no interior da Bahia, e deve facilitar o escoamento de grãos da nova fronteira agrícola, conhecida como Matopiba, sigla que inclui os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Não vai parar por aí. Ainda em abril há a expectativa de que o estado de São Paulo leiloe as linhas 8 e 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, e de que o Rio de Janeiro atraia investidores para a empresa de saneamento Cedae. A estimativa é que os leilões desta semana movimentem até 10 bilhões de reais, embora essa cifra vá depender do ágio, que é imprevisível. O total do mês pode atingir 20 bilhões de reais, incluindo cerca de 7,8 bilhões de reais correspondentes a trechos rodoviários a ser oferecidos a investidores pelo governo federal.

É muito dinheiro. Só para comparar, o orçamento federal previsto para a infraestrutura este ano é de 7 bilhões de reais. Porém, essas cifras enormes não são tudo. O potencial de movimentação de recursos é muito maior. Investimentos em infraestrutura são a receita clássica para aquecer qualquer economia. Obras de grande porte são consumidoras vorazes de insumos e de mão-de-obra, qualificada ou não. E seus efeitos multiplicadores são imensos. A duplicação de uma estrada que liga duas cidades de porte médio, por exemplo. Ela movimenta, óbvio, operários para executar as obras. Esses operários têm de usar uniformes e equipamentos de segurança, gerando demanda na indústria de vestuário. Tem de se alimentar nos locais de trabalho, aumentando as vendas dos restaurantes locais. Uma obra desse porte precisa de assistentes sociais para conversar com as comunidades atingidas.

Prossigamos no exemplo da estrada. Com sua duplicação, fica mais fácil e seguro para os veículos pesados trafegarem. Ou seja, remove-se um gargalo logístico, que pode eventualmente permitir a instalação de uma indústria ou de um centro de distribuição, aumentando os empregos na localidade. Em vez de terem de migrar para centros maiores, os trabalhadores locais podem ficar em sua cidade de origem. Se a nova empresa trouxer gestores, vai circular mais dinheiro na região. Nesse aspecto, dinheiro que entra na infraestrutura é um dos vetores mais potentes do crescimento econômico.

Ata do FOMC

Na tarde desta quarta-feira será divulgada a Ata da mais recente reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), o equivalente americano ao Copom. Na reunião, em março, o Fomc manteve as taxas de juros americanas perto de zero e reafirmou sua complacência com a inflação nos Estados Unidos. No entanto, há uma grande expectativa por parte dos investidores de se – e quando – o Federal Reserve (Fed, o BC americano) vai começar a elevar os juros, tendo em vista um crescimento econômico previsto de mais de 6 por cento para a economia americana neste ano. A divulgação da Ata deverá alinhar as expectativas dos investidores.

Indicadores

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 2,17 por cento em março, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando havia registrado taxa de 2,71 por cento. Com este resultado, o índice acumula alta de 7,99 por cento no ano e de 30,63 por cento em 12 meses. Em março de 2020, o índice havia variado 1,64 por cento e acumulava elevação de 7,01 por cento em 12 meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

E Eu Com Isso?

A sessão começa com os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 em leve baixa. No entanto, a sessão deve ser marcada por uma forte volatilidade, dependendo do resultado dos leilões de infraestrutura (no Brasil) e da ata do Fomc (nos Estados Unidos).

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