Suamy Beydoun/Estadão Conteúdo

Maia e o impeachment

Uma das máximas na política é a de não estar do lado perdedor. Durante o fim de semana, a Executiva do DEM, liderada pelo presidente da sigla, ACM Neto (BA), decidiu por desembarcar do bloco de apoio ao candidato à presidência da Câmara pelo MDB, Baleia Rossi (SP). Apadrinhado de Rodrigo Maia (DEM-RJ), a candidatura de Rossi tem sido fortemente desidratada nas últimas semanas e, nesse momento, a vitória de seu adversário, Arthur Lira (PP-AL), é praticamente certa.

A eleição que vai escolher a nova cúpula na Câmara e no Senado ocorre nesta segunda-feira (1º) e a decisão de última hora do DEM provocou a fúria de Rodrigo Maia, que estava reunido com dirigentes e líderes de partidos de oposição. Seguindo o movimento da sigla, o Solidariedade e o PSDB também devem desembarcar do bloco de Rossi no último instante.

Maia deixa a presidência da Câmara nesta segunda e tem, sob sua responsabilidade, 64 pedidos de afastamento do presidente da República. Irritado, o democrata disse que poderia sair da sigla e pautar a abertura do impeachment, inclusive com a oposição o apoiando e incentivando a abertura de mais de um processo. Pela legislação, cabe ao presidente da Câmara decidir se há elementos jurídicos para dar sequência à tramitação de um impeachment. Em seguida, ele precisa ser autorizado por, pelo menos, dois terços (342) dos deputados.

Ao mesmo tempo, porém, interlocutores do DEM afirmam que o gesto de Rodrigo Maia foi um “desabafo” e que o deputado perderia toda a credibilidade caso optasse pelo caminho de enfrentamento ao governo. Ainda há dúvidas sobre a validade desse processo no último dia de mandato, uma vez que se argumenta que, no dia das eleições, a sessão da Câmara e do Senado é apenas preparatória, e não ordinária, não cabendo qualquer tema alheio ao pleito.

E Eu Com Isso?

Maia sai derrotado ao não conseguir emplacar uma candidatura competitiva com o seu sucessor, Baleia Rossi (MDB-SP). Nesse contexto, é esperado que o atual presidente da Câmara adote uma postura mais combativa, ainda mais após a aproximação de Rossi com os partidos de oposição – movimento intermediado por Maia.

No entanto, não deve haver condições políticas suficientes para que Maia vá adiante com um processo de impeachment e, dificilmente, nesse momento ele seria autorizado por maioria qualificada na Câmara. Politicamente, seria um gesto desfavorável até para o próprio Maia.

Sendo assim, o caminho está livre para que Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) sejam eleitos, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado Federal na votação que ocorre nesta segunda. O mercado deve reagir positivamente caso se confirme que Maia não irá prosseguir com o impeachment, já que essa possibilidade deixa os investidores mais tensos neste pregão.

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