Denise Campos de Toledo EECI

Incertezas renovadas

O mercado começa a dar mais atenção ao cenário político no contexto das investigações da CPI da Covid. Enquanto as discussões estavam mais focadas em tratamento precoce e eventual atraso na aquisição das vacinas não traziam nada de novo.

Agora há uma preocupação maior quanto a possíveis desdobramentos políticos de denúncias que envolvem propina, tentativa de superfaturamento, irregularidades que podem estar mais próximas do governo. Isso tem colaborado para uma maior volatilidade dos ativos e ajudou a jogar o dólar, novamente, acima dos R$ 5,00.

Mas não foi só isso. Ainda no âmbito doméstico, há uma incerteza grande em relação à crise hídrica, com às possíveis implicações sobre a atividade econômica, caso se chegue a algum tipo de racionamento.

Além disso, tem o impacto do reajuste sobre o orçamento das famílias e empresas, a inflação e, consequentemente, sobre política monetária, no momento em que o Banco Central já vem elevando os juros básicos, para conter as pressões de preços.

E, fora os reajustes já anunciados, ainda poderá vir nova correção da bandeira tarifária, pelo uso das termelétricas. Aliás, quando fala em consumo consciente, o governo está contando com o efeito do aumento da tarifa.

Vale lembrar que a freada no movimento de queda do dólar e de avanço da Bolsa começou com o anúncio da proposta do governo para a Reforma Tributária. Tem um caráter populista que preocupa, pela possibilidade de mais medidas nesse sentido, que afetem as contas públicas, já preparando o terreno para as eleições de 2022.

A nova fatia da Reforma ainda aumenta a complexidade do sistema e a carga tributária para as empresas, inclusive pequenas. Por mais que se fale em estudos sobre o corte da alíquota de taxação de lucros e dividendos ou antecipação da redução do IRPJ, o mal-estar persiste. Mexeu com as expectativas em relação ao avanço das Reformas, de “boas” Reformas.

Por mais que se confie em expansão maior da economia e controle da inflação, com uma política monetária mais apertada, o mercado tende a ficar mais atento à qualidade do, esperado, avanço da agenda econômica e também ao encaminhamento dos trabalhos da CPI.

Fatores que ainda podem provocar muita volatilidade, sem desconsiderar as preocupações com o andamento da economia, a gestão da pandemia e o cenário externo, especialmente no que se refere às expectativas quanto à política do Federal Reserve nos Estados Unidos.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

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