Levante Ideias - Federal Reserve

Fed e BC vão mudar a política monetária

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, trouxe uma mensagem mais dura do que o esperado pelos investidores.

Como de hábito, ele concedeu uma entrevista coletiva na tarde da quarta-feira (22), após o fim da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), o Copom americano.

Na entrevista, Powell afirmou que uma redução na recompra mensal de títulos públicos e hipotecários pelo Fed poderia vir “antes do esperado”. E ele acrescentou que “provavelmente será apropriado” que esse processo de redução das compras esteja concluído “em meados do próximo ano”.

Ou seja, o estímulo poderia se encerrar ainda no fim do primeiro semestre de 2022. Esse prazo de cerca de nove meses é curto para uma mudança tão drástica na política monetária.

O Fed manteve a taxa de juros americana perto de zero, como era uma unanimidade no mercado americano. Porém, também aí houve novidades.

A cada três meses, o Fed divulga uma pesquisa em que os membros do Fed divulgam suas expectativas para a inflação e para os juros. Como a pesquisa é apresentada graficamente por meio de pontos, ela foi apelidada “dot plot”.

Apesar de não ser o mais científico dos levantamentos, a “dot plot” tem servido como uma indicação de expectativas e percepções dos membros do Comitê. E a edição divulgada ontem mostra que cerca de metade dos participantes espera uma alta de juros já em 2022, um número maior do que o relevado na edição anterior, divulgada em junho.

Os membros do Fed também alteraram as projeções para a economia americana. O crescimento previsto para este ano caiu para 5,9%, ante uma projeção anterior de 7%. Os números, porém, melhoraram para 2022. A projeção subiu de 3,3% para 3,8%.

As projeções de inflação também subiram. A previsão para o “núcleo” da inflação neste ano subiu de 3% para 3,7%. A expectativa para 2022 avançou de 2,1% para 2,3%.

O índice de inflação que o Fed usa para traçar suas metas, o PCE (Personal Consumption Expenditure) que exclui alimentos e energia, subiu para 3,6% nos 12 meses encerrados em julho, nível mais alto em 30 anos.

No entanto, Powell disse repetidamente que espera que as pressões sobre os preços diminuam à medida que as cadeias de suprimentos se normalizem.

Copom

A quarta-feira também teve reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Como esperado, o BC (Banco Central) elevou a taxa referencial Selic em um ponto percentual, para 6,25% ao ano, e praticamente confirmou um aumento semelhante para a próxima reunião, agendada para outubro.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom informou que o BC elevou a projeção de inflação para 2021 de 6,5% para 8,5%, e ampliou o prognóstico para 2022 de 3,5% para 3,7%. E a projeção para os preços administrados disparou devido à crise hídrica, que eleva o custo da energia.

A estimativa para este ano saltou de 10,0% para 13,7%. E o comunicado foi enfático, de modo a não deixar dúvidas. “Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista.” Tradução: vem mais juro por aí.

E Eu Com Isso?

A redução da incerteza com relação à política monetária americana e um arrefecimento da tensão no mercado internacional, provocado por declarações do governo chinês com relação à Evergrande, sustentam uma valorização dos contratos futuros de Ibovespa e do Índice americano S&P 500 na manhã desta quinta-feira.

As notícias são positivas para a Bolsa.

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Leia também: Copom eleva taxa Selic para 6,25% ao ano.

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