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E se o governo parar?

A semana mais curta nos mercados pelo feriado de Páscoa terá dois pontos potencialmente tensos em Brasília. Um deles será a discussão do Orçamento para 2021. Aprovada na quinta-feira da semana passada, a Lei Orçamentária Anual (Loa) desagradou vários agentes do setor público. Em seu parecer, o relator da proposta orçamentária, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), reduziu demais as dotações de verba para as despesas obrigatórias.

Diversos técnicos do setor público afirmaram que a proposta tornou o Orçamento inexequível. O exemplo mais visível foi o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Realizado no último ano de cada década, o Censo deveria ter sido realizado em 2020, mas foi adiado para este ano devido à pandemia. No entanto, o Orçamento cortou os recursos e pode inviabilizar a pesquisa. O IBGE havia orçado o Censo em 3,4 bilhões de reais, reduziu o orçamento para 2 bilhões de reais, mas recebeu apenas 71 milhões de reais, ou 3,6 por cento do total solicitado. Com isso, a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, que havia sido indicada em 2019 pelo ministro Paulo Guedes, pediu exoneração do cargo.

No início da semana passada, antes da aprovação, o Ministério da Economia informou que na proposta em discussão estavam faltando 17,6 bilhões de reais para as despesas obrigatórias. Bittar cortou mais 26,5 bilhões de reais para atender as emendas de parlamentares da base aliada. Isso cortaria quase 45 por cento das despesas obrigatórias, dedicadas ao custeio da máquina governamental. Segundo os técnicos do governo, com isso a máquina pública ficaria inoperante, com a paralisação de vários serviços públicos.

Devido a isso, o presidente da República deve encaminhar ao Congresso um projeto de lei de crédito suplementar para recompor as dotações de despesas obrigatórias, e o cancelamento de despesas propostas por Bittar, muitas delas dedicadas a atender emendas de parlamentares que apoiam o governo. No entanto, como a tramitação do Orçamento tem regras bem definidas, isso poderá atrasar bastante o processo e aumentar o desgaste entre Executivo e Legislativo.

Cenário Internacional

A discussão do orçamento não é o único senão. Na madrugada da segunda-feira, os pregões internacionais foram agitados pela perspectiva de prejuízos maciços para dois dos maiores bancos de investimento do mundo, o suíço Crédit Suisse e o japonês Nomura. Um cliente desses bancos, o fundo de hedge Archegos Capital Management, teve de vender apressadamente cerca de 20 bilhões de dólares em ações de empresas americanas e chinesas. A venda provocou prejuízos pesados nos dois bancos.

O Credit Suisse informou que pode ter um “impacto significativo” nos resultados do primeiro trimestre, ao passo que as perdas do Nomura podem ser mais sérias, zerando o lucro do segundo semestre do ano fiscal, que no Japão se encerra em março. As ações do Nomura caíram 16 por cento na bolsa de Tóquio, reduzindo seu valor de mercado em 3,2 bilhões de dólares.

Os dois bancos atuam como corretores (“brokers”) do Archegos, fundado pelo gestor de fundos de hedge chinês Bill Hwang. O fundo não conseguiu pagar chamadas de margem desses bancos. Uma chamada de margem ocorre quando a contraparte de uma instituição financeira em uma determinada operação exige mais garantias. Se elas não são honradas, a operação pode vir a ser liquidada. Como o mercado financeiro é bastante interligado, é provável que haja mais desdobramentos nos próximos dias, aumentando a tensão nas bolsas.

Relatório Focus

A edição mais recente do Relatório Focus, publicada nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), mostra uma elevação das projeções da inflação de 2021 para 4,81 por cento ante 4,71 por cento da semana passada e 3,87 por cento há quatro semanas. O relatório traz uma nova redução para a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, recuando para 3,18 por cento ante os 3,22 por cento da semana passada. A projeção para o PIB de 2022 também caiu, recuando para 2,34 por cento ante 2,39 por cento da projeção anterior. O prognóstico para o dólar subiu para 5,33 reais ante os 5,30 reais da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa para o dólar em dezembro era de 5,10 reais. A projeção para a taxa de juros Selic permaneceu inalterada em 5 por cento ao ano.

E Eu Com Isso?

A semana começa com os pregões em leve queda no Brasil e nos Estados Unidos. Os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 estão em baixa. A tensão com o orçamento e com a pressão para as mudanças no ministério das Relações Exteriores pressionam as ações. No lado positivo, porém, o navio cargueiro que há seis dias atravanca o Canal de Suez, uma das principais rotas de comércio mundiais, começou a ser desencalhado, o que pode permitir uma normalização das correntes de comércio e reduzir a pressão de alta sobre os contratos futuros de petróleo.

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