Aperto de mãos

A mega semana do pré-sal – 04/11

A mega semana do pré-sal

Esta será uma semana agitada. Mesmo que não houvesse uma agenda política pesada, com o envio de diversas Propostas de Emenda Constitucional (PECs) – leia mais abaixo – ao Congresso, os empresários e investidores irão, de qualquer modo, ficar atentos à ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na terça-feira (5), e aos mega leilões da cessão onerosa do pré-sal, marcados para a quarta-feira (6) e para a quinta-feira (7). Em relação aos indicadores, também na quinta-feira será divulgada a inflação medida pelo IPCA referente ao mês de outubro.

A importância desses mega números está no que eles significam para toda a economia. No comunicado divulgado no dia 30 de outubro, em que anunciou a decisão de reduzir a taxa referencial Selic em meio ponto percentual, para 5 por cento ao ano, o Banco Central (BC) deixou implícito que a queda das taxas poderá ocorrer em um ritmo mais lento do que o mercado estava esperando anteriormente. A edição mais recente da pesquisa Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira, mostra que os prognósticos para a Selic em dezembro deste ano e em dezembro de 2020 permanecem estáveis em 4,5 por cento. No entanto, boa parte do mercado avalia que o comunicado da semana passada apenas sinalizou uma desaceleração da magnitude dos cortes da taxa básica e não o fim das quedas em série na reunião de dezembro. E ainda persistem apostas de que o Copom poderá reduzir as taxas em mais ou dois cortes de 0,25 por cento, baixando a Selic para 4,25 por cento, ou mesmo 4 por cento ao ano.

Enquanto o mercado refaz as contas para os juros, ele aumenta, cautelosamente, o otimismo para com o lado real da economia. Pela terceira semana seguida a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano voltou a subir. Mais uma vez foi uma alta minimalista, de 0,91 por cento na semana anterior para 0,2 por cento nesta semana. Mas esse movimento indica uma melhora de humor. Para 2020, as projeções permanecem nos 2 por cento em que se encontram há sete semanas.

A gestão da política econômica mostra que o governo está se esforçando para manter o passo das reformas. No fim de semana, em uma entrevista, o ministro Paulo Guedes declarou que, além da pauta de reformas, o governo vai incluir uma proposta de privatização das “estatais-mãe”. O projeto não terá a Eletrobras, cuja proposta de venda será enviada em separado, nem a Petrobras. E no fim de semana, Salim Mattar, secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, informou que sua secretaria prepara mudanças na legislação a fim de permitir uma aceleração nas privatizações.

Essas mudanças, e os mega leilões do pré-sal, vão testar o apetite dos investidores. Na quarta-feira (6), serão oferecidas quatro áreas de exploração de petróleo e gás natural da Bacia de Santos. Na quinta-feira (7), será a vez da sexta rodada do pré-sal. Esses leilões, ao lado da abertura de capital da estatal saudita Aramco, colocam o Brasil no topo das prioridades da indústria petrolífera. Confirmadas as expectativas, o governo poderá arrecadar 153 bilhões de reais com a venda dos direitos de exploração das jazidas.

MUNDO – A guerra comercial volta à cena (de onde nunca saiu de fato). A diferença, agora, é que as perspectivas são boas. Na sexta-feira passada (1º), o principal negociador comercial da China, Liu He, o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, participaram de uma teleconferência em que confirmaram partes do texto do acordo comercial, segundo comunicados de autoridades dos dois países. Com isso, o otimismo voltou a tomar conta dos negócios. Os investidores estão confiantes de que um acordo será alcançado em breve e que até as licenças para as empresas americanas venderem itens da Huawei irão ser possíveis.

E Eu Com Isso?

A semana começa com boas expectativas para a política e para a economia, com a área econômica do governo esforçando-se para manter o protagonismo e fazer avançar as reformas.

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