EUA - Estados Unidos

A inflação americana e seus efeitos

Divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Bureau de Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Produtor (Producer Price Index, PPI) nos Estados Unidos registrou uma alta dos preços do atacado de 0,60 em abril, acima das projeções, que eram de 0,30 por cento. Isso indica uma variação acumulada de 6,2 por cento nos 12 meses até abril. A expectativa era de um avanço acumulado de 5,9 por cento, mas o resultado veio mais elevado devido à alta consistente dos preços das commodities e à pressão provocada pelos gargalos das cadeias de produção. O avanço do PPI indica pressões adicionais sobre os preços no varejo nos próximos meses.

Na véspera o BLS já havia surpreendido negativamente ao divulgar um Consumer Price Index (CPI) de 0,8 por cento em abril. A variação desse índice, que mede a inflação no varejo, ficou muito acima das expectativas mais pessimistas. A mediana das estimativas para a variação do índice era de 0,2 por cento. Com isso, a inflação em 12 meses saltou para 4,2 por cento, bastante acima das projeções, que estavam ao redor de 3,6 por cento.

Mais preocupante, o núcleo da inflação de varejo americana, conhecida como “CPI core index”, também subiu para 0,9 por cento em abril, a maior variação mensal em 40 anos. Esse índice expurga as variações dos preços dos alimentos e dos combustíveis, cuja variância é maior, acrescentando volatilidade e ruído ao indicador.

Mesmo sendo uma diferença pequena, a variação do CPI provocou uma turbulência enorme nos mercados. O índice S&P 500 recuou 2,14 por cento e o índice Nasdaq, com maior predominância de empresas de tecnologia, fechou em baixa de 2,67 por cento. Houve solavancos nos juros futuros e nos preços do petróleo.

Por que tanta comoção com um pouco de inflação? Em si, a variação dos índices não é tão relevante. Há mais: boa parte das oscilações decorreram de distorções estatísticas. Por exemplo, uma alta nos preços de itens ligados ao transporte e à mobilidade, como hotéis, passagens aéreas e carros usados, devido ao aumento da imunização e ao relaxamento das medidas de isolamento social. A alta da inflação também lançou luz sobre problemas na oferta de alguns itens essenciais como os microchips, e o aumento dos custos devido à opção de parte da mão de obra por permanecer desocupada enquanto o governo continuar mandando cheques com benefícios. Tudo isso pode provocar distorções na economia, que levam a altas consistentes de preços. A resultante de todo esse processo é um aumento na probabilidade de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tenha de endurecer a política monetária antes do esperado.

Esse fenômeno pode ser potencializado devido à queda no desemprego. Nesta quinta-feira, o Departamento do Trabalho americano anunciou que, na semana até 8 de maio, o número de pedidos iniciais de seguro desemprego caiu 34 mil, para 473 mil. Foi o menor nível desde 14 de março do ano passado.

Esse é o principal problema da inflação. Se ela permanecer elevada por muito tempo, acaba contaminando todos os setores da economia, o que obriga a autoridade monetária a endurecer o jogo de maneira mais firme. E juros mais altos e liquidez mais apertada podem, de fato, comprometer o ainda frágil processo de recuperação econômica mundial.

Indicadores Econômicos 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 1,59 por cento em março na comparação com o mês anterior, de acordo com dado dessazonalizado divulgado pelo BC nesta quinta-feira. O resultado foi melhor que o consenso de mercado, que previa uma queda de 3,4 por cento. Na comparação com março de 2020, o IBC-Br registrou avanço de 6,26 por cento, acima dos 6 por cento de consenso. No acumulado em 12 meses houve uma perda de 3,37 por cento. O índice encerrou o primeiro trimestre deste ano com alta de 2,30 por cento sobre os últimos três meses de 2020.

E Eu Com Isso?

Apesar da alta acima do esperado na inflação no atacado americana, os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam o dia em alta, em uma reação às fortes quedas da véspera. No entanto, não se descarta um cenário de volatilidade à medida que os investidores fazem as contas e traçam novos cenários.

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Leia também: O susto da inflação americana.

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