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4T20 da Log CP (LOGG3)

A Log CP (LOGG3) divulgou nesta terça-feira (9) o seu resultado do quarto trimestre de 2020. O resultado veio regular e um pouco abaixo do esperado em termos de receita líquida e Ebitda recorrente de locação.

A companhia apresentou uma alta de 0,6 por cento de sua receita líquida no trimestre contra trimestre, e uma alta de 4,8 por cento quando comparada ao mesmo período em 2019, totalizando 36,3 milhões de reais no 4T20. No acumulado do ano, a receita somou 141,5 milhões de reais, um aumento de 10,5 por cento quando comparada a 2019.

Em relação ao seu Ebitda ajustado, que exclui a variação de valor justo das propriedades, a companhia reportou um montante de 28,2 milhões de reais, uma alta de 3,5 por cento em comparação a 4T19, com sua margem Ebitda recuando 1,0 ponto percentual no período para 77,6 por cento no trimestre. No acumulado de 2020, o Ebitda totalizou 110 milhões de reais, um avanço de 7,1 por cento em relação a 2019.

Seu lucro líquido ajustado também apresentou avanço de 38,3 por cento quando comparado ao mesmo período em 2019, apresentando um valor de 28,1 milhões de reais no 4T20. No acumulado de 2020, este total foi de 91,4 milhões de reais, uma alta de 42,1 por cento em comparação a 2019.

Em termos de alavancagem, a companhia apresentou uma considerável redução de sua dívida líquida no ano, totalizando 56,1 milhões de reais em 2020, uma contração de 60,3 por cento em comparação a 2019, com indicador dívida líquida sobre Ebitda reduzindo de 1,3 vezes em set/20 para 0,5 vez em dez/20.

A companhia ainda apresentou menor vacância estabilizada de 3,0 por cento do portfólio ao final do 4T20, uma sinalização da forte demanda pelos seus ativos.

A inadimplência líquida permaneceu bastante baixa em 0,2 por cento no trimestre, comparado a 1,2 por cento em mar/20 no auge da pandemia.

E Eu Com Isso?

Acreditamos que a Log CP divulgou resultados mistos, com receita líquida e Ebitda marginalmente inferiores ao consenso, porém com lucro líquido acima do esperado, devido ao efeito da marcação à mercado sobre o valor justo das propriedades.

Portanto, esperamos uma reação neutra no preço das ações da companhia (LOGG3) no curto prazo. De qualquer modo, em comparação ao restante do setor, a Log apresentou margens operacionais saudáveis e robusta geração de caixa, medida pelo FFO (lucro líquido caixa).

Os números trimestrais reafirmam o sólido modelo de negócios da Log CP e sua posição diferenciada no mercado logístico de galpões brasileiro. A companhia demonstrou habilidade para se aproveitar da expansão do e-commerce, que foi acelerada pela pandemia e o consequente isolamento social, e das deficiências da malha logística brasileira para acomodar essa mudança de paradigma de consumo. Segundo projeções externas publicadas pela empresa, o e-commerce deve avançar de 10 por cento para 17 por cento do faturamento total do varejo em 2024.

Nesse sentido, os resultados mostram que a Log segue identificando oportunidades para expansão de seu portfólio mediante ativos AAA, anunciando investimentos de 2 bilhões de reais para expansão da ABL (Área Bruta Locável) de 1 milhão de metros quadrados para 2,4 milhões de metros quadrados até 2024. Somente em 2021, o investimento totalizará 500 milhões de reais, com potencial de entregar 400 mil metros quadrados de área (ABL) construída em 2021.

Em nossa leitura, essa estratégia é acertada, pois é compatível com a forte demanda corporativa por ativos logísticos de qualidade AAA e a escassez destes ativos no mercado.

De fato, quando se analisa a vacância do mercado de galpões, ainda em 14 por cento, segundo dados da Colliers de dezembro de 2020, parcela relevante se concentra em ativos defasados, de baixa qualidade. Galpões modernos possuem maior resiliência e retornos mais atrativos.

Como fator positivo adicional, constata-se que a Log mantém uma estrutura de capital conservadora, com Dívida Líquida / Ebitda de 0,5x. Esses indicadores estão certamente abaixo da mediana do setor e, na atual conjuntura, abaixo dos níveis que otimizam a estrutura de capital da empresa. Contudo, o quadro é positivo, visto que o arrojado plano de expansão da companhia implicará altos desembolsos de caixa, elevando a alavancagem. Caso a liquidez e a geração interna de caixa não sejam suficientes para honrar os investimentos, a Log possui um FII para reciclagem de seu portfólio. Esse fundo tem viabilizado a alienação de ativos com preços (cap rates) vantajosos, produzindo ganhos importantes para a LOG.

Portanto, a perspectiva para a Log nos próximos trimestres é positiva. A companhia é favorecida também pelo ambiente de juros baixos, que reduz sua despesa financeira e valoriza seus ativos ao embutir múltiplos mais altos.

O principal fator de risco a ser monitorado está relacionado à execução do plano de expansão, cuja rentabilidade exige controle de gastos na aquisição de terrenos, que também enfrentam demanda aquecida e aumento de preços, e na construção, que enfrenta aumento dos preços de insumos. Outro fator a acompanhar é a expectativa de aumento de juros pelo mercado em decorrência da inflação.

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