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As vantagens competitivas (ou porque tamanho é documento)

Nesta coluna, continuarei a falar sobre vantagens competitivas das empresas utilizando o conceito de Moat (fosso de castelo), que na verdade é uma metáfora para as barreiras de entrada que as empresas possuem em relação à concorrência. (Para se cadastrar e receber os textos da minha coluna no seu e-mail todo domingo, é só acessar a página Domingo de Valor).

Se ainda não leu a minha coluna anterior, acesse agora as Vantagens Competitivas MOAT’s.

Existem basicamente cinco tipos de vantagens competitivas: ativos intangíveis (marca), efeito rede, custo de troca, vantagem de custo e escala eficiente.

Eu já falei do efeito rede semana passada e na coluna de hoje tratarei da vantagem de custo e escala eficiente, que geralmente andam juntas e estão relacionadas aos custos de produção e rede de distribuição dos produtos.

Mais uma vez, vou utilizar exemplos práticos de empresas que possuem as vantagens competitivas.

Vantagem de custo e eficiência de escala

Devido ao tamanho e escala de uma empresa, o custo do seu produto vendido é mais baixo do que a concorrência, o que desencoraja a entrada de concorrentes pois o retorno no mercado é menor do que o custo de capital.

Michael Porter afirmou o seguinte no seu clássico sobre as 5 forças competitivas:

“Liderança de custo é um negócio que é capaz de produzir um produto ou serviço que terá custos menores do que os concorrentes. Se a empresa é capaz de produzir o mesmo produto de qualidade, mas o vende por menos, isso lhe dá uma vantagem competitiva sobre outras empresas”.

Aproveito para indicar o vídeo da Harvard Business Review sobre o modelo de 5 forças de Porter, que pode ser assistido nesta página.

Papel e Celulose: Suzano e Fibria

Um exemplo clássico de vantagem de custo são as empresas produtoras de celulose Suzano e Fibria, que recentemente anunciaram uma fusão que criou a maior empresa do setor no mundo.

Uma parte desta vantagem é natural, pois o eucalipto leva apenas 7 anos para crescer e virar celulose (no norte da Europa leva mais de 20 anos). A outra parte decorre do tamanho, escala e eficiência da produção de celulose da Suzano e Fibria juntas. O grande porte das fábricas em termos de capacidade instalada e da baixa distância (raio) média até as florestas garante um dos custos (caixas) de produção mais baixos do mundo no mercado de celulose.

No momento, o preço da celulose de mercado está alto (cerca de US$ 1.000 por tonelada), mas durante os períodos de baixa (preço menor que US$ 450 por tonelada) alguns produtores mundiais são forçados a sair do mercado, pois o seu custo de produção com despesas e frete acaba sendo maior do que o preço da celulose.

No caso da Suzano e da Fibria, como o custo de produção de celulose é um dos mais baixos do mundo, a empresa tem uma vantagem competitiva enorme, com margem operacional favorável mesmo quando o preço de celulose está em baixa.

Ambev

Outro bom exemplo de vantagem competitiva devido ao custos mais baixos e ganhos de escala é a empresa de bebidas Ambev. A gigante do mercado da cerveja possui quase 70% de participação de mercado do Brasil (segundo dados da Nielsen).

Além do custo mais baixo de produção de cerveja devido ao tamanho da produção e da escala, a empresa se beneficia da sua enorme rede de distribuição dos seus produtos espalhados mais de um milhão de pontos de venda pelo país inteiro.

As cervejas populares da Ambev (Skol e Brahma) chegam nos pontos de venda mais distantes e espalhados do Brasil. Não à toa, o mercado de cerveja brasileiro é bastante concentrado, com praticamente apenas três participantes: Ambev, Heineken e Cervejaria Petrópolis.

No mercado de cerveja, a distribuição é essencial ao modelo de negócios da companhia e fator preponderante para as margens operacionais e o retorno sobre o capital investido (ROIC).

A barreira de entrada é bastante grande nesse mercado. Como diria Warren Buffet: “O fosso nesse caso tem jacarés muito grandes que protegem muito bem o castelo”.

No caso da Ambev ainda existe o forte poder da marca (ex: Original) que abordarei na próxima coluna, quando falarei de outras fontes de Moat: ativos intangíveis (marcas e patentes).

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre Value Investing e análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e até breve!

Um grande abraço,

Eduardo Guimarães

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