Domingo de Valor - Eduardo Guimarães

Small Caps: as esquecidas da Bolsa

Na coluna de hoje, vou falar sobre as ações “small caps”, empresas praticamente esquecidas na Bolsa, que não estão no radar dos grandes investidores institucionais, mas que são líderes nos respectivos segmentos de atuação.

Você conhece Panvel, Eneva e Aliansce Sonae?

Eu diria que a maioria dos investidores pessoas físicas não conhece as três empresas acima. Porém, elas são grandes e líderes em seus mercados de atuação.

Aliansce Sonae: maior empresa de shopping centers

A Aliansce Sonae (ALSO3) é a maior empresa administradora de shopping centers do Brasil em termos de área bruta locável (ABL) com 39 empreendimentos, 7 mil lojas e 1,4 milhão de metros quadrados. O valor de mercado da Aliansce Sonae é de 6,8 bilhões de reais.

Panvel: maior rede de drogarias do Sul do Brasil

A Panvel é a maior rede de farmácias do Sul do Brasil, com 450 lojas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A sede da companhia e o principal centro de distribuição ficam na cidade de Eldorado do Sul (RS) na região metropolitana de Porto Alegre. A empresa fez uma oferta de ações (follow-on) recentemente, praticamente um “re-IPO” e tem valor de mercado de 3,0 bilhões de reais.

Eneva: disputa pela Aes Tietê

A Eneva é uma empresa integrada de energia, com negócios complementares em geração de energia elétrica e exploração & produção de hidrocarbonetos no Brasil. O seu valor de mercado é de 14,7 bilhões de reais e participação no SMLL é de por cento.

A Eneva ficou um pouco mais conhecida por ter feito uma proposta de fusão pela empresa geradora de energia elétrica Aes Tietê. A americana AES Corporation acabou comprando a participação do BNDES na Aes Tietê (TIET11).

O dinheirão está fora do consenso

Nelson Rodrigues escreveu que a unanimidade é burra e que só os profetas enxergam o óbvio. As maiores oportunidades de ganho estão justamente nos papéis que os investidores não estão olhando como deveria.

Eu acredito que as Small Caps apresentam umas das melhores relações risco x retorno da Bolsa, pois são empresa menos acompanhadas pelo mercado e com grande potencial de crescimento de lucro.

O que são small caps?

A definição de empresas small caps que eu mais gosto é a seguinte: 1) valor de mercado inferior a 1 bilhão de dólares (5 a 6 bilhões de reais); 2) volume médio negociado de 1 milhão de dólares (5 a 6 milhões de reais) e; 3) ações que ainda não fazem parte do Ibovespa.

Desempenho do índice SMLL

O índice de ações Small Caps (SMLL) acumula queda de 15,92 por cento em 2020 (até 9 de outubro), comparado à desvalorização de 15,7 por cento para o Ibovespa no mesmo período. Nos últimos 12 meses o “placar” é o seguinte: valorização de 3,96 por cento para o SMLL e queda de 4,3 por cento para o Ibov.

Volatilidade (risco)

As ações small caps tendem a ter um beta alto, ou seja, uma variação (para cima e para baixo) maior do que a bolsa como um todo. Assim, se a bolsa sobe, a tendência é que essas ações subam mais ainda, e o mesmo vale para momentos de queda nos preços.

Risco e retorno são duas variáveis que muitas vezes estão relacionadas. Se a volatilidade representa mais chances de perder, ela também permite ganhar mais, diversificando sua carteira de ações.

A volatilidade do índice SMLL, medida pelo desvio padrão, ficou em 52 por cento em 2020, comparado a 49 por cento do Ibovespa em 2020.

Índice Small Caps (SMLL)

Se quiser conhecer as principais small caps da bolsa, basta olhar o Índice Small Cap, que é uma carteira teórica de ações elaborada pela B3 (SA:B3SA3). A composição do índice é revista a cada quatro meses. Em 1º setembro de 2020, o índice contava com papéis de 95 empresas. O site da B3 disponibiliza sempre a versão atualizada do índice, bem como a sua variação.

Curiosamente existem algumas empresas do índice Small Caps (SMLL) que também fazem parte do Ibovespa e, por outro lado, algumas empresas consideradas Small Caps (ex: Panvel PNVL3 (SA:PNVL3), São Carlos SCAR3 (SA:SCAR3) e Banco do Amazonas BASA3) ainda não fazem parte do SMLL.

Small Caps: escolha muito bem e pense no longo prazo

O investimento em ações em Small Caps requer mais disciplina, conhecimento e paciência, pois o horizonte de investimento precisa ser mais longo. Se o objetivo é obter retornos mais altos é preciso fazer algo diferente do consenso do mercado e assumir mais risco.

O grande gestor de recursos da Oaktree Capital, Howard Marks, no seu texto ““it’s not easy” (não é fácil) afirma: “para que o desempenho da sua carteira de ações seja diferente da média, as suas expectativas de retorno também precisam ser diferentes”.

O segredo das ações Small Caps

As empresas Small Caps têm maior risco do que as grandes empresas (blue chips), mas o seu retorno mais alto compensa, afinal o crescimento dos lucros das empresas Small Caps é mais elevado. Paciência é fundamental para atingir o objetivo de alta rentabilidade, pois as ações são menos líquidas e demoram mais para atingir todo o seu potencial.

A segunda onda na bolsa de valores

Geralmente quem começa a investir na Bolsa acaba comprando as ações mais conhecidas e de empresas bem consolidadas, como Itaú, Petrobras e Vale.

Acredito que, com o aumento da quantidade de investidores pessoas físicas na B3, atualmente em 3 milhões, e o aumento do fluxo de recursos para a renda variável, a liquidez das ações Small Caps vai aumentar e as empresas Small Caps vão ficar mais conhecidas.

Inclusive, o movimento recente de processos de abertura de capital (IPO) trouxe mais empresas não tão conhecidas dos investidores: Aura Minerals (SA:AURA32), Boa Vista SCPC, Ambipar, Priner, Sequoia Logística e Melnick (SA:MELK3).

Grande abraço,

Eduardo Guimarães

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