Domingo de Valor - Eduardo Guimarães

Fed mais que cheira bem

Hoje eu vou falar sobre os Estados Unidos: economia, decisões do banco central (FED) em relação às taxas de juros e o comportamento das bolsas de valores. Eu posso dizer que os ventos que sopram dos EUA estão bem favoráveis para os países emergentes como o Brasil.

Muitos leitores perguntaram sobre o desempenho da economia dos EUA, dos principais índices de ações americanas (S&P500) e do impacto sobre a bolsa de valores brasileira.

Desaceleração da economia é uma coisa, recessão é outra

O produto interno bruto (PIB) dos EUA apresentou crescimento anual de 2,6% no quarto trimestre de 2018, comparado ao crescimento anual de 3% nos nove primeiros meses de 2018.

A expectativa dos economistas, segundo uma pesquisa do “Wall Street Journal”, é de um crescimento anual do PIB americano de 1,8% no primeiro trimestre e de 2,5% no segundo trimestre de 2019. Assim, o crescimento médio do PIB dos EUA deverá ficar em 2,3% em nove meses à frente (de outubro de 2018 a junho de 2019).

Portanto, o crescimento da economia americana desacelerou do ritmo de 3% ao ano para 2,3% ao ano. O ritmo da desaceleração da economia americana é muito importante para o cenário mundial e o fluxo de recursos de investidores para mercados emergentes.

Com o aumento das tensões com a guerra comercial entre EUA e China e menor crescimento da economia mundial, além da paralisação do governo do EUA, acredito que o PIB americano deverá terminar 2019 com crescimento por volta de 2% ao ano.

Uma redução no ritmo de crescimento é muito diferente de uma recessão, ou seja, de uma queda no PIB. Além do mais, a base de comparação de 2018 ficou mais alta, devido aos estímulos fiscais que o presidente Trump deu à economia, com corte de impostos.

Dez anos de crescimento da economia americana

A economia americana tem apresentado crescimento do PIB nos últimos 10 anos, suportado pelo consumo, baixa taxa de desemprego, crescimento constante, apesar de modesto, dos salários e ganhos de produtividade dos trabalhadores americanos.

FED: “as chances de altas nos juros são menores”

Na última quarta-feira (30/jan) aconteceu a primeira reunião do banco central americano em 2019. Conforme o esperado, o FED manteve as taxas de juros inalteradas no intervalo de 2,25% a 2,5% ao ano. A surpresa veio no comunicado do FED que tirou as referências às (duas) altas graduais de juros esperadas em 2019.

O discurso de Jerome Powell, presidente do banco central americano, acalmou os mercados ao afirmar que as chances de altas nas taxas de juros americanas são menores.

A inflação americana está sob controle e abaixo da meta, mesmo com o crescimento dos salários e a falta de mão de obra qualificada.

O mercado futuro de juros nos EUA precifica uma probabilidade de apenas 7% para novas altas nas taxas, enquanto que a probabilidade de queda nas taxas subiu para 12%, fortes indícios de que o aperto monetário chegou ao fim com a flexibilidade da política monetária do FED.

A taxa de juros futura dos EUA (“Treasuries”) de 10 anos está sendo negociada a 2,7% ao ano. O fim do aperto monetário nos EUA (sem aumento das taxas de juros) é música para os ouvidos para os mercados emergentes, que devem se beneficiar do fluxo de investidores estrangeiros.

O ciclo de alta da bolsa americana chegou ao fim?

As bolsas de valores dos Estados Unidos entraram em terreno negativo (“ursos”) em dezembro de 2018, com queda de 9,2% no S&P500 e desvalorização de 9,5% no Nasdaq. No acumulado de 2018 as bolsas americanas tiveram desempenho negativo de 7% e 4,6%, respectivamente para o S&P500 e o Nasdaq.

Os índices de ações americanas estavam em trajetória de alta nos últimos 10 anos, desde 2009 após a crise financeira do sub-prime (quebra do Lehman Brothers). O índice S&P500 acumulou alta de 175,2% no período, um retorno médio anual (CAGR) de 10,7%.

Em janeiro de 2019, as bolsas americanas se recuperaram: alta de 7,9% no S&P500 e valorização de 9,7% no Nasdaq, praticamente revertendo as perdas ocorridas em dezembro de 2018.

Conclusão

Acredito que a economia dos EUA vai desacelerar o ritmo de crescimento, mas vai continuar crescendo por volta de 2% ao ano, o que vai dar impulso para as bolsas americanas. Portanto, continuo otimista com o desempenho das bolsas americanas em 2019.

Eu continuarei acompanhando de perto o ritmo de desaceleração da economia americana e o discurso do FED. “So far, so good” (até agora tudo bem!).

Não acredito que exista uma bolha na bolsa de valores do EUA. Em tempo: o resultado do Facebook foi divulgado esta semana. A empresa está sendo muito criticada pelo mercado, mas surpreendeu os analistas e bateu as expectativas em termos de resultado.

Você tem exposição à bolsa dos EUA? As ações americanas têm participação de 4,8% na Carteira Levante. A Carteira Levante acumula rendimento equivalente a 281,83% do CDI desde a sua criação em 1º de agosto de 2018. Se você quer saber mais sobre como montar uma carteira de investimentos completa, ajustar as devidas proporções dos ativos, conheça a série Carteira Levante.

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre investimentos em ações, através do Value Investing e da análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e bons lucros em 2019!

Um grande abraço,
Eduardo Guimarães

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