Quer investir em ações? Fuja do COE

Eu comecei a investir em ações no início da minha carreira profissional em 2000. Lembro até hoje qual foi a primeira ação que eu comprei: EMAE4 (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Devo ter investido algo como R$ 1.000 a valores de hoje, mas não obtive rendimento e perdi dinheiro.

É preciso saber perder para poder ganhar

Perder faz parte do jogo ao se investir em ações. O importante é sempre acertar mais do que errar, ter disciplina e ter visão de longo prazo. É essencial administrar o risco da carteira de investimentos e diversificar as aplicações financeiras. Assim, um erro ao se investir em ações, ou seja, uma perda, tem impacto menor no patrimônio total.

Fuja do COE (Certificado de Operação Estruturada)

Pensando nisso, hoje vou falar de um produto muito popular entre os gerentes de banco e os assessores de investimento: o COE de renda variável (Ibovespa).

Eu tenho bastante experiência no mercado de ações e nunca enxerguei muito sentido na relação risco e retorno do COE de ações. Acredito que a operação é muito boa para o banco, e nem tanto para o investidor.

O que é um COE de Ibovespa?

O COE de Ibovespa é uma operação estruturada que utiliza derivativos (opções) para se investir em Ibovespa.

Na prática, o investidor tem principal garantido, ou seja, não perde nada se o Ibovespa cair no período. Por outro lado, essa segurança de não perder os recursos investidos tem um preço: o potencial de ganhos é limitado.

Além do limite de alta do Ibovespa, o banco cobra do cliente uma comissão sobre o ganho da operação. O limite de ganho, o prazo da operação e a comissão variam conforme condições de mercado, mas geralmente o prazo é longo (2 a 3 anos) e a comissão é alta (3% a 5%).

COE na prática

Por exemplo, um investidor aplica R$ 1.000 num COE de Ibovespa com principal garantido, limitador de ganho de 30% ao final do período, prazo de 3 anos e comissão de 5%. Neste caso existem três cenários possíveis, com resultados distintos ao final do prazo:

Cenário 1: Ibovespa em queda de 15%;

Cenário 2: Ibovespa em alta de 27%;

Cenário 3: Ibovespa em alta de 60%;

Resultado 1: principal garantido do capital investido de R$ 1.000, ganho zero em três anos

Resultado 2: ganho bruto de R$ 270 em três anos;

Resultado 3: ganho bruto de R$ 270 em três anos.

Nos resultados 2 e 3, incide imposto de renda de 15% e comissão cobrada pelo banco de 5% no período de três anos, o que acaba resultando em um retorno líquido de R$ 218.

Análise e conclusão sobre o investimento no COE de Ibovespa

Perceba que o resultado do COE somente é favorável ao investidor no cenário 2 quando o Ibovespa tem variação no intervalo de alta entre 0 a 30% no período de 3 anos. Já o banco ganha 5% de comissão sobre o ganho do investidor nos cenários 2 e 3.

No cenário 1, o investidor não perde nada, mas fica sem rendimento em três anos. Por outro lado, no cenário 3, deixa de ganhar 33% em três anos devido ao limitador de alta, ou seja, o resultado seria um ganho de 60% no período, mas o investidor leva apenas 27%.

Falta de liquidez dos COE

Outra grande desvantagem do COE é o seu prazo longo (2 a 3 anos), portanto o investidor não tem liquidez e não consegue desmontar a sua posição antes do vencimento.

Eu entro no jogo sempre para ganhar

Para explicar como funciona um COE, irei recorrer ao mundo do futebol: o seu time favorito nunca irá levar gol nos jogos do campeonato, mas poderá marcar apenas dois gols por jogo.

Assim, o seu time nunca irá perder, mas também nunca vencerá por goleada, com apenas os seguintes placares possíveis: 0x0, 1×0 e 2×0. Qualquer gol marcado além do segundo gol será sempre anulado.

Um jogo chato para caramba e sem emoção, né? Dessa forma, a conclusão é que o COE de Ibovespa não tem a menor graça para o investidor e é muito melhor para o banco.

Se não quer brincar, não desce para o play

Cada investidor tem um perfil de risco e um nível de tolerância às perdas nos seus investimentos. Se o seu perfil de risco é conservador, daqueles que ficam incomodados quando a Bolsa de Valores está em queda, então você deve investir uma parcela pequena do seu patrimônio em renda variável: algo como apenas 5% do total de investimentos. Por outro lado, os investidores mais agressivos devem alocar cerca de 25% a 30% do patrimônio em Bolsa.

No pain, no gain (sem dor, sem ganho)

A parcela do seu patrimônio investida em ações é de alto risco, assim, você deve estar preparado para aceitar perdas com o objetivo de conseguir um maior rendimento no longo prazo.

Conclusão

Quer investir em ações? Fuja do COE de renda variável e adeque a parcela do seu patrimônio investida em ações. Ao invés de investir R$ 100.000 num COE com principal garantido, prazo longo e com limitador de ganho, invista R$ 20.000 numa carteira ativa de ações com possibilidade de obter rendimento superior no longo prazo.

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