Levante Ideias - Marinheiros

Scuttlebutt: os rumores por trás dos investimentos

Na coluna de hoje irei falar sobre o método scuttlebutt, que foi desenvolvido por Phillip Fisher no clássico livro sobre investimento em valor: “Ações Comuns, Lucros Extraordinários”, escrito em 1958.

O livro inspirou o sábio de Omaha, Warren Buffet, e ainda é bastante utilizado pelos gestores de fundos de investimentos em ações. Segundo o próprio Warren Buffet: “Eu sou 85% (Benjamin) Graham e 15% (Philip) Fisher”. Ambos são os pais da filosofia do Value Investing.

A abordagem de Fisher é qualitativa e o seu princípio básico é investir em companhias de destaque, com crescimento de vendas e lucros acima da média da indústria nos próximos anos.

Origem do termo scuttlebutt

O termo scuttlebutt é geralmente relacionado a rumores ou fofocas e a origem do termo tem a ver com navegação.

A água potável para consumo nos navios à vela ficava numa espécie de barril afundado com um buraco para retirar a água. Enquanto a tripulação de marinheiros se reunia para beber água, eram trocados boatos, fofocas, gírias e rumores. 

O livro de Fisher pode ser resumido num roteiro de 15 perguntas para saber se vale a pena investir em determinadas empresas.

As 15 perguntas de Fisher sobre as empresas são:

  1. A empresa possui produtos ou serviços com potencial de mercado suficiente para sustentar um aumento considerável nas vendas nos próximos anos?
  2. A administração tem a determinação de continuar a desenvolver produtos ou processos que aumentarão ainda mais o potencial de vendas totais mesmo quando o potencial de crescimento de linha atual de produtos atraentes tiver sido amplamente explorado?
  3. Quais são os efetivos esforços da empresa em pesquisa e desenvolvimento em relação ao seu porte?
  4. A organização de vendas da companhia é acima da média?
  5. A margem de lucro da empresa é considerável?
  6. O que a empresa faz para manter ou melhorar as suas margens de lucro?
  7. A empresa possui boas relações trabalhistas com o seu quadro de pessoal?
  8. A companhia conta com boas relações com seus executivos?
  9. A empresa conta com certa “profundidade” em relação à sua gestão?
  10. Quão boa é a autoanálise de custos da empresa e o seu controle contábil?
  11. Existem outros aspectos do negócio da empresa peculiares à indústria envolvida que possam dar ao investidor dicas importantes sobre como o grau de competitividade da empresa?
  12. A empresa possui uma estratégia de curto e longo prazo em relação aos seus resultados?
  13. Será que num futuro previsível o crescimento da empresa exigirá um certo nível de investimento que demandará aumento de capital a ponto de diminuir a distribuição de dividendos no futuro?
  14. A empresa fala abertamente com os investidores sobre os seus negócios quando as coisas vão bem, mas se fecha em situações conturbadas e diante de decepções?
  15. A empresa conta com uma diretoria de integridade inquestionável?

Due Dilligence

Esse checklist de perguntas qualitativas busca empresas com as seguintes características: orientação para crescimento e visão de longo prazo, altas margens de lucro e retorno sobre o capital, liderança consolidada de mercado e com investimentos consistentes em pesquisa e desenvolvimento.

Esse checklist é um processo de investigação (due dilligence) muito utilizado pelos gestores de fundos de ações para estudar sobre as empresas investidas, com busca por diversas informações relevantes sobre os negócios das empresas, procurando respostas com públicos variados (executivos, funcionários, fornecedores, clientes e até mesmo concorrentes).

Exemplo prático: as ações Apple

As respostas do checklist para a Apple são bastante positivas. Estamos falando de uma empresa muito orientada para crescimento, com excelente organização de vendas, forte investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e produtos bastante inovadores.

Steve Jobs, fundador da Apple, é o grande mentor da poderosa marca e responsável pelo desenvolvimento de novos produtos.

Criação de novos produtos

A empresa foi muito bem-sucedida na criação de novos produtos, que foram grandes sucessos de vendas: começou com o Ipod (música no bolso) e chegou até o indispensável iPhone. Mais recentemente, vimos o desenvolvimento de aplicativos na loja da Apple, com receita de serviços (ex: Apple Music).

Futuro da Apple: receita com serviços de streaming e aplicativos

A base instalada do sistema operacional iOS chegou a 1,3 bilhão de aparelhos para os quais a empresa pode vender seus serviços através da App Store. A Apple fica com uma parte da receita dos aplicativos de terceiros (Netflix e Spotify), que cresceram de 170 para 270 milhões de usuários.

Apple: valor de mercado de um trilhão de dólares

A Apple foi a primeira empresa a atingir valor de mercado de 1 trilhão de dólares na Bolsa dos Estados Unidos. Um dos principais acionistas da Apple é a Berkshire Hathaway, do sábio de Omaha Warren Buffet, com participação de 3% do capital total da Apple.

Phillip Fisher teria aprovado com honras a Apple no seu questionário de perguntas descrito acima.

 

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre Value Investing e análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e até breve!

Um grande abraço,

Eduardo Guimarães

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