Macropolítica – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Tue, 06 Apr 2021 13:42:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png Macropolítica – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 O FMI recomenda cautela aos BCs https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-fmi-recomenda-cautela-aos-bcs https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-fmi-recomenda-cautela-aos-bcs#respond Tue, 06 Apr 2021 13:42:34 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=23175 Na manhã desta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma de suas principais publicações, o Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), edição 2021. O Panorama é um resumo das expectativas do Fundo para os principais indicadores mundiais, como o crescimento econômico, a inflação e os níveis de emprego. Recentemente, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo,… Read More »O FMI recomenda cautela aos BCs

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Na manhã desta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma de suas principais publicações, o Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), edição 2021. O Panorama é um resumo das expectativas do Fundo para os principais indicadores mundiais, como o crescimento econômico, a inflação e os níveis de emprego. Recentemente, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo, informou que a projeção do FMI para o crescimento mundial em 2021 havia subido para 5,5 por cento, e para 4,2 por cento em 2022, principalmente devido aos gastos americanos e ao aumento da oferta de vacinas.

Na avaliação do Fundo, o combate econômico à pandemia foi capaz de evitar instabilidades financeiras e preservar, em certa medida, as economias de danos permanentes. Para o FMI, embora as perdas de médio prazo devam ser menores do que as registradas após a crise financeira global de 2008, elas ainda são substanciais. A estimativa do Fundo é que em 2024 o Produto Interno Bruto (PIB) mundial estará cerca de 3 por cento abaixo do que o previsto antes da pandemia. “Espera-se que os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento sofram mais do que as economias avançadas”, segundo o Panorama.

Segundo o Fundo, o movimento esperado de fim dos estímulos monetários pelos países desenvolvidos pode ter consequências graves se não for conduzido com cuidado. Segundo o Panorama, “nossa análise sugere que, embora um aperto nos Estados Unidos devido a economia possa ser benéfico para os países emergentes, um aperto surpresa pode provocar saídas de capital desses mercados”.

Esses comentários são mais importantes do que parecem à primeira vista, pois chancelam uma atuação mais cautelosa e global dos principais bancos centrais, especialmente o Federal Reserve americano e o Banco Central Europeu.

Esses comentários mostram que o Fundo mudou muito. Há alguns anos, o FMI era a perfeita encarnação do Mal. Explica-se. Nas décadas de 1970 e 1980, o mercado internacional de capitais ainda estava começando. Quem intermediava as transações entre os países ricos para os emergentes eram bancos. E não havia lançamento de títulos, mas sim empréstimos. Quando um país tinha problemas de solvência, os bancos cortavam o crédito. E os países com problemas tinham de recorrer ao FMI, que os obrigava a adotar medidas duras de austeridade fiscal, mesmo que isso aprofundasse a recessão econômica no curto prazo.

Foi o que ocorreu no Brasil durante o início dos anos 1980. A situação do País era trágica. A economia estava em um estado lastimável devido à má gestão. O governo gastara demais para manter o crescimento apesar do segundo choque do petróleo, perdeu o crédito e teve de pedir socorro ao FMI. O Fundo socorreu, mas, corretamente, forçou a equipe econômica a arrumar a casa, e as exigências eram cobradas com rigor. As visitas de seus técnicos, com recomendações para cortar gastos, eram um merecido vexame. Agora, o FMI mostra estar mais preocupado com a sustentabilidade das economias do que com o equilíbrio do orçamento.

E Eu Com Isso?

A sessão começa com um breve movimento de realização de lucros, com os contratos futuros de Ibovespa iniciando pregão em baixa. No mercado internacional, os contratos do índice americano S&P 500 estão em baixa de 0,16 por cento. A expectativa é de um dia de leve queda, mas sem tendência definida e em um cenário de volatilidade.

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Comprar ou vender a reforma? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/comprar-ou-vender-a-reforma https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/comprar-ou-vender-a-reforma#respond Tue, 30 Mar 2021 13:57:42 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=22975 A segunda-feira (29) foi um dia de movimentações intensas em Brasília. O que começou como uma troca no Ministério das Relações Exteriores evoluiu para uma reforma ministerial ampla. Além do chanceler Ernesto Araújo, outros cinco integrantes do primeiro escalão do governo foram substituídos, entre eles o Ministro da Justiça e os titulares da Secretaria de… Read More »Comprar ou vender a reforma?

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A segunda-feira (29) foi um dia de movimentações intensas em Brasília. O que começou como uma troca no Ministério das Relações Exteriores evoluiu para uma reforma ministerial ampla. Além do chanceler Ernesto Araújo, outros cinco integrantes do primeiro escalão do governo foram substituídos, entre eles o Ministro da Justiça e os titulares da Secretaria de Governo e da Advocacia Geral da União.

A saída de Araújo e a troca na Justiça têm poucos efeitos práticos. A mudança mais importante em termos políticos ocorreu na Secretaria de Governo, que é responsável pela interlocução entre Executivo e Legislativo. Saiu o general Luiz Eduardo Ramos, que foi para a Casa Civil, e entrou a deputada Flávia Arruda (PL-DF). Deputada mais votada pelo Distrito Federal, ela era presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e é muito ligada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Sua indicação deve aparar arestas e facilitar o trânsito entre o Planalto e o Congresso.

A questão de várias centenas de bilhões de reais, porém, é outra: o trânsito entre os Poderes vai fluir melhor, mas qual será a direção do governo? E essa resposta faz toda a diferença no bolso dos investidores.

Vamos retroceder alguns dias. Na semana passada, o pouco diplomático bate-boca entre o ex-chanceler Araújo e os membros da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado, em especial a senadora Kátia Abreu (PP-GO), ocupou muito espaço nas manchetes. No entanto, isso não tem nenhuma importância.

O principal problema passou desapercebido: o Orçamento aprovado para 2021 pode levar a uma paralisação das atividades do governo. Só para dar um exemplo, os cortes tornaram inviável a realização do Censo este ano e levaram à demissão de Susana Cordeiro Guerra, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Alterar o Orçamento já aprovado vai requerer uma costura política complicada e um domínio do baixo clero no Parlamento, sempre ágil quando o assunto é dinheiro público. Ter uma profissional da política na Secretaria de Governo reduz atritos e tensões e torna as mudanças possíveis e menos traumáticas.

As alterações no Orçamento são a questão mais urgente, mas não a mais importante. As reformas permanecem paradas. Faltam pouco mais de 18 meses para a eleição que vai definir o novo presidente da República, os governadores e boa parte do Legislativo. Com a aproximação do pleito, as atenções do Parlamento se deslocam das propostas para as urnas, o que inviabiliza qualquer proposta de reforma minimamente ambiciosa. Por isso, a direção que o governo tomar nos próximos dias será decisiva para a tomada de decisão do investidor. Só então será possível saber se é para comprar ou vender.

Cenário Internacional

A terça-feira começou agitada no mercado internacional. A remuneração dos títulos de dez anos do Tesouro americano chegou a 1,77 por cento ao ano, maior nível desde o início da pandemia. O que elevou os juros foi a aproximação do anúncio das medidas de estímulo à infraestrutura pelo presidente americano Joe Biden, agendada para a quarta-feira (31). Esse pacote de estímulos pode chegar a 3 trilhões de dólares e vai focar em obras para estimular a economia, reduzir as emissões de carbono e a desigualdade social nos Estados Unidos. Como o Federal Reserve (Fed) não dá sinais de que pode elevar os juros no curto prazo, os investidores interpretam esse pacote como algo que pode pressionar a inflação, daí a alta dos juros dos títulos do Tesouro.

Indicadores

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,94 por cento em março. Com este resultado o índice acumula alta de 8,26 por cento no ano e de 31,10 por cento em 12 meses. Em março de 2020, o índice havia subido 1,24 por cento e acumulava alta de 6,81 por cento em 12 meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os três componentes do índice mostraram aceleração. A inflação no atacado, que responde por 60 por cento do IGP-M, subiu 3,56 por cento em março, ante 3,28 por cento em fevereiro. No varejo, os preços subiram 0,98 por cento em março, ante 0,35 por cento em fevereiro. E o índice de inflação na construção civil, que responde por 10 por cento do índice, subiu 2,00 por cento em março, ante 1,07 por cento no mês anterior.

E Eu Com Isso?

A terça-feira começa com uma leve queda tanto nos contratos futuros de Ibovespa quanto nos do índice americano S&P 500. A baixa ocorre devido às incertezas dos investidores com relação à reforma ministerial (no Brasil) e do impacto do pacote de estímulo à economia (nos Estados Unidos). No entanto, mudanças adicionais no cenário político podem provocar alterações no cenário.

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Leia também: E se o governo parar?

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A semana mais curta nos mercados pelo feriado de Páscoa terá dois pontos potencialmente tensos em Brasília. Um deles será a discussão do Orçamento para 2021. Aprovada na quinta-feira da semana passada, a Lei Orçamentária Anual (Loa) desagradou vários agentes do setor público. Em seu parecer, o relator da proposta orçamentária, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), reduziu demais as dotações de verba para as despesas obrigatórias.

Diversos técnicos do setor público afirmaram que a proposta tornou o Orçamento inexequível. O exemplo mais visível foi o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Realizado no último ano de cada década, o Censo deveria ter sido realizado em 2020, mas foi adiado para este ano devido à pandemia. No entanto, o Orçamento cortou os recursos e pode inviabilizar a pesquisa. O IBGE havia orçado o Censo em 3,4 bilhões de reais, reduziu o orçamento para 2 bilhões de reais, mas recebeu apenas 71 milhões de reais, ou 3,6 por cento do total solicitado. Com isso, a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, que havia sido indicada em 2019 pelo ministro Paulo Guedes, pediu exoneração do cargo.

No início da semana passada, antes da aprovação, o Ministério da Economia informou que na proposta em discussão estavam faltando 17,6 bilhões de reais para as despesas obrigatórias. Bittar cortou mais 26,5 bilhões de reais para atender as emendas de parlamentares da base aliada. Isso cortaria quase 45 por cento das despesas obrigatórias, dedicadas ao custeio da máquina governamental. Segundo os técnicos do governo, com isso a máquina pública ficaria inoperante, com a paralisação de vários serviços públicos.

Devido a isso, o presidente da República deve encaminhar ao Congresso um projeto de lei de crédito suplementar para recompor as dotações de despesas obrigatórias, e o cancelamento de despesas propostas por Bittar, muitas delas dedicadas a atender emendas de parlamentares que apoiam o governo. No entanto, como a tramitação do Orçamento tem regras bem definidas, isso poderá atrasar bastante o processo e aumentar o desgaste entre Executivo e Legislativo.

Cenário Internacional

A discussão do orçamento não é o único senão. Na madrugada da segunda-feira, os pregões internacionais foram agitados pela perspectiva de prejuízos maciços para dois dos maiores bancos de investimento do mundo, o suíço Crédit Suisse e o japonês Nomura. Um cliente desses bancos, o fundo de hedge Archegos Capital Management, teve de vender apressadamente cerca de 20 bilhões de dólares em ações de empresas americanas e chinesas. A venda provocou prejuízos pesados nos dois bancos.

O Credit Suisse informou que pode ter um “impacto significativo” nos resultados do primeiro trimestre, ao passo que as perdas do Nomura podem ser mais sérias, zerando o lucro do segundo semestre do ano fiscal, que no Japão se encerra em março. As ações do Nomura caíram 16 por cento na bolsa de Tóquio, reduzindo seu valor de mercado em 3,2 bilhões de dólares.

Os dois bancos atuam como corretores (“brokers”) do Archegos, fundado pelo gestor de fundos de hedge chinês Bill Hwang. O fundo não conseguiu pagar chamadas de margem desses bancos. Uma chamada de margem ocorre quando a contraparte de uma instituição financeira em uma determinada operação exige mais garantias. Se elas não são honradas, a operação pode vir a ser liquidada. Como o mercado financeiro é bastante interligado, é provável que haja mais desdobramentos nos próximos dias, aumentando a tensão nas bolsas.

Relatório Focus

A edição mais recente do Relatório Focus, publicada nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), mostra uma elevação das projeções da inflação de 2021 para 4,81 por cento ante 4,71 por cento da semana passada e 3,87 por cento há quatro semanas. O relatório traz uma nova redução para a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, recuando para 3,18 por cento ante os 3,22 por cento da semana passada. A projeção para o PIB de 2022 também caiu, recuando para 2,34 por cento ante 2,39 por cento da projeção anterior. O prognóstico para o dólar subiu para 5,33 reais ante os 5,30 reais da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa para o dólar em dezembro era de 5,10 reais. A projeção para a taxa de juros Selic permaneceu inalterada em 5 por cento ao ano.

E Eu Com Isso?

A semana começa com os pregões em leve queda no Brasil e nos Estados Unidos. Os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 estão em baixa. A tensão com o orçamento e com a pressão para as mudanças no ministério das Relações Exteriores pressionam as ações. No lado positivo, porém, o navio cargueiro que há seis dias atravanca o Canal de Suez, uma das principais rotas de comércio mundiais, começou a ser desencalhado, o que pode permitir uma normalização das correntes de comércio e reduzir a pressão de alta sobre os contratos futuros de petróleo.

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Leia também: Coronavírus e popularidade: o mandato Bolsonaro sob perspectiva (pt. 1) | Política sem Aspas.

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Balanço macropolítico | Política sem Aspa https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/balanco-macropolitico-politica-sem-aspa https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/balanco-macropolitico-politica-sem-aspa#respond Fri, 05 Mar 2021 23:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=21770 O mês de fevereiro de 2021 parecia morno, com o Ibovespa ensaiando alguma recuperação após recuar pouco mais de 3% em janeiro, até a última semana de pregão. Se, na primeira semana do mês, o índice reagiu e voltou a beirar os 120 mil pontos, nas duas semanas seguintes ele não teve força para estender… Read More »Balanço macropolítico | Política sem Aspa

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O mês de fevereiro de 2021 parecia morno, com o Ibovespa ensaiando alguma recuperação após recuar pouco mais de 3% em janeiro, até a última semana de pregão. Se, na primeira semana do mês, o índice reagiu e voltou a beirar os 120 mil pontos, nas duas semanas seguintes ele não teve força para estender a alta e, por fim, acabou tombando 6,93% na última semana de fevereiro (pior resultado semanal em 11 meses), fechando o mês caindo 4,21%.

Iniciamos o mês de março com o Ibovespa cotado a 110.035 pontos, menor patamar do índice para o ano, também devido ao refluxo estrangeiro, sentido após altas mais acentuadas nas treasuries (títulos públicos) americanas, mas principalmente pelos episódios recentes envolvendo o Executivo e empresas estatais.

Nesta primeira semana, o índice teve alta acumulada de 4,7%, refletindo o otimismo dos investidores com a aprovação da PEC Emergencial no Senado Federal e seu rápido encaminhamento para a Câmara. Mais adiante, vou discutir como o projeto foi fortemente desidratado.

Na coluna de hoje, vou trazer algumas considerações sobre os acontecimentos recentes e também sobre a economia brasileira, diante de uma nova perspectiva de desaceleração devido às restrições de circulação em março.

Da perspectiva macro, destaque para o resultado do Produto Interno Bruto de 2020, que foi divulgado nesta semana e ficou levemente acima da medida de mercado: o PIB de 2020 recuou 4,1%, contra projeções de uma queda de 4,3%. O resultado do Valor Adicionado demonstra alta na Agropecuária (2,0%), que apresentou ganhos de produtividade e aumentou sua produção, e baixa nos setores da Indústria (-3,5%) e Serviços (-4,5%) – esse último, responsável por 75% do resultado.

Na análise da outra ponta, das despesas, destacam-se as quedas no Consumo das Famílias (-5,5%) em relação ao ano anterior, e na Despesa do Consumo do Governo (-4,7%). Os investimentos correntes em capital fixo, A Formação Bruta de Capital Fixo, também recuou, ficando na casa dos -0,8%. Na comparação trimestral (4T20/3T20), o PIB cresceu 3,2%, refletindo o ritmo de recuperação econômica.

De fato, a queda da produção poderia ter sido bem maior se não houvesse dispêndios na casa dos R$ 250 bilhões com o auxílio emergencial, assim como restrições menos agressivas durante grande parte do segundo semestre. Dadas as circunstâncias, o pior resultado do PIB na série histórica foi um bom resultado.

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O problema parece estar em 2021. Caminhamos, mais uma vez, para recorde de morte diárias e um novo pico de infecção – reflexo do afrouxamento das medidas de contenção nos últimos feriados – e, ainda assim, esbarramos na demora na aquisição de vacinas, a melhor (e única) saída para preservar vidas e a economia.

É chocante a falta de planejamento e gestão observada na vacinação em massa, em um dos países supostamente mais eficientes nessa seara. Há dez anos, o Brasil reportava vacinação recorde contra o vírus da H1N1, demonstrando a capilaridade do sistema público. Seja qual for a justificativa, fato é que perderemos vidas e postos de trabalho por conta deste atraso.

Voltaremos, também, a pagar um novo auxílio emergencial diante dos efeitos da pandemia se estendendo também para esse ano. Serão R$ 44 bilhões destinados à população e que ficarão fora do teto de gastos e da meta do resultado primário, mas significam, sim, mais endividamento para a União.

Utilizada para aprovar o novo auxílio, a PEC Emergencial já foi aprovada no Senado Federal em dois turnos e agora depende do aval – que deve ocorrer nesta próxima semana – da Câmara dos Deputados. Investidores se animaram com a aprovação simplesmente porque foi vetada a entrada de uma emenda que deixava o Bolsa Família também fora do teto, refletindo o baixo sarrafo que vem sendo utilizado para cobrar um ajuste fiscal mais efetivo.

O custo da aprovação da PEC foi elevado. Para além da tentativa de desvincular os gastos com educação e saúde, medida que praticamente nasceu sem chances de prosperar, o texto final aumentou o rol de benefícios tributários que ficarão fora da redução, diminuiu o tempo de congelamento dos gastos (de 2 anos para somente enquanto o estado de calamidade estiver em voga) em caso de decreto de calamidade e desobrigou estados e municípios a acionarem os gatilhos de contenção quando despesas superarem 95 por cento da arrecadação.

Do ponto de vista fiscal, o texto é um avanço, mas muito tímido. Se considerarmos o mecanismo de 95% das despesas obrigatórias para condicionar o acionamento dos gatilhos no âmbito do governo federal, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente do Senado, eles só poderão entrar em ação em 2025. Hoje, a despesa obrigatória representa cerca de 92 por cento da despesa total da União. Desse modo, o ajuste fiscal vai existir, mas foi desidratado e adiado – até lá, seguiremos na iminência do descontrole das contas públicas.

Inclusive, fica aberto o caminho para conceder reajustes salariais já em 2022, quando o congelamento de 2 anos, implementado no ano passado, se expira. Bolsonaro sabe disso e, convenhamos, não tem a mesma sensibilidade que Guedes quando o assunto é austeridade.

Vide, também, a decisão, tomada unilateralmente pelo presidente, de não renovar o mandato presidencial do economista Roberto Castello Branco para a Petrobras. Devido ao peso da gigante petroleira no índice, assim como a relevante participação do Banco do Brasil e outras estatais que caíram na mesma esteira da Petro, a bolsa amargou quedas em sucessão por receio de piora na gestão desse grupo de Companhias.

Ah, e não nos esqueçamos do Orçamento de 2021, que entra o terceiro mês do ano com uma série de pendências no ar. Enquanto isso, caminhoneiros se sentem no direito, após uma série de concessões feitas nos últimos anos, de fechar marginais e rodovias Brasil afora para protestar contra restrições de circulação. E o ministério da Saúde admite que a média diária de mortes, ainda em março, deve chegar a 3 mil, com estados e municípios colapsando na falta de leitos de UTI.

Mas, a depender de alguns quadros, teremos reformas, crescimento robusto, inflação controlada e superação da Covid-19 – tudo isso com extrema naturalidade. A ver, no fim do ano, qual será o balanço de 2021. Até agora, ele não é positivo.

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