centrão política – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Mon, 26 Jul 2021 15:01:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png centrão política – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Bola da vez https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/bola-da-vez https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/bola-da-vez#respond Mon, 26 Jul 2021 15:01:13 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=28563 Com a reunião entre Bolsonaro e Ciro Nogueira (PI), o Partido Progressistas é a bola da vez em Brasília. O presidente da sigla deve mesmo ser nomeado ministro-chefe da Casa Civil, tornando-se protagonista na articulação política e encabeçando o atual Centrão, aliado essencial para a governabilidade de Bolsonaro. Discute-se, ainda, a filiação do próprio presidente… Read More »Bola da vez

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Com a reunião entre Bolsonaro e Ciro Nogueira (PI), o Partido Progressistas é a bola da vez em Brasília. O presidente da sigla deve mesmo ser nomeado ministro-chefe da Casa Civil, tornando-se protagonista na articulação política e encabeçando o atual Centrão, aliado essencial para a governabilidade de Bolsonaro.

Discute-se, ainda, a filiação do próprio presidente para a legenda, com intenção de formar a maior bancada partidária do Congresso em 2022.

Para tal, a estratégia que tem sido traçada por Ciro Nogueira e seus aliados é a de filiar outros ministros do Executivo. A ideia é trazer, pelo menos, quatro nomes: Tereza Cristina (DEM-MS), da Agricultura; Fábio Faria (PSD-RN), das Comunicações; Tarcísio Freitas (sem partido), da Infraestrutura; e Rogério Marinho (PSDB-RN), do Desenvolvimento Regional.

Ao filiar os nomes, o partido pretende ganhar visibilidade ao redor do País, mas também visa a influência sobre parte do orçamento público – juntos, os quatro ministérios citados acima têm em mãos cerca de R$ 85 bilhões no orçamento de 2021.

Há um impasse, dentro da sigla, sobre os custos de uma eventual campanha presidencial e a dificuldade de atender a todas as demandas financeiras de caciques regionais.

O presidente já foi filiado ao PP, tendo passado 11 dos 27 anos em que está presente na política brasileira como deputado da sigla.

Em 2016, Bolsonaro apenas saiu da legenda porque não quiseram promovê-lo à candidatura presidencial – à época, o deputado era considerado uma força inexpressiva dentre os quadros nacionais.

E Eu Com Isso?

O casamento entre Bolsonaro e PP tem tudo para ocorrer, ainda mais com a entrada do partido na Esplanada dos Ministérios.

Nesse momento, é conveniente para ambos os lados: o presidente precisa de uma sigla com boa estrutura, mas que também abra espaço para ele se tornar o protagonista, enquanto Ciro Nogueira, presidente do partido, tenta colocar o PP na primeira prateleira dos partidos influentes no Congresso, tomando o posto de partido-pivô, que foi, por muitos anos, ocupado pelo MDB.

O mercado, porém, tende a reagir de modo levemente negativo caso a aliança ocorra, uma vez que o PP é um dos partidos considerados fisiológicos e que sempre esteve envolvido em escândalos de corrupção.

Nesse contexto, dar grandes poderes para a sigla vai de encontro com o que se espera em termos de agenda legislativa, podendo respingar também na pauta de reformas.

Fique atento aos novos desdobramentos.

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Leia também: Recesso, pero no mucho…

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Recesso, pero no mucho… https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/recesso-pero-no-mucho https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/recesso-pero-no-mucho#respond Fri, 23 Jul 2021 23:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=28518 Existe, no imaginário popular, uma ideia fixa que procura associar o recesso parlamentar à inatividade de políticos de Brasília. De fato, os corredores do Congresso ficam esvaziados e deputados e senadores voltam para seus estados e municípios, onde grande parte das suas respectivas bases eleitorais estão situadas. É bastante plausível que alguns parlamentares optem por… Read More »Recesso, pero no mucho…

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Existe, no imaginário popular, uma ideia fixa que procura associar o recesso parlamentar à inatividade de políticos de Brasília. De fato, os corredores do Congresso ficam esvaziados e deputados e senadores voltam para seus estados e municípios, onde grande parte das suas respectivas bases eleitorais estão situadas.

É bastante plausível que alguns parlamentares optem por usar as duas semanas de recesso, neste meio de ano, para descansar com suas famílias ou até mesmo promover viagens cujo objetivo é puramente o lazer. No entanto, é sempre bom tomar cuidado com as generalizações: como bem diferenciou Max Weber, muitos políticos vivem “da política” e outros vivem “para a política” – ou seja, parte dos deputados e senadores usam esse período para reforçar o contato com suas bases ou construir articulações políticas nos bastidores.

É o caso do hiato atual, que não tem sido nada calmo para o governo federal e sua base aliada. Observamos, nos últimos dias, uma escalada vertiginosa da pressão do Centrão por mudanças na Esplanada dos Ministérios, denunciando que a base aliada do Executivo no Congresso não vai deixar seu apoio barato, de olho em 2022.

Já havíamos comentado por aqui, em outras edições, a crescente insatisfação do Senado Federal com o Executivo em função da falta de concessões de poder dentro da Esplanada dos Ministérios. Enquanto os deputados têm cinco ministérios em suas mãos, os senadores não estão no primeiro escalão de nenhuma pasta do governo.

A gota d’água ocorreu, segundo interlocutores de ambos os lados, quando o ministério da Economia intermediou a liberação de um empréstimo de R$ 800 milhões do Banco do Brasil ao governo do estado do Piauí, comandado pelo petista Wellington Dias. Ciro Nogueira, presidente do PP – da base aliada – e pré-candidato ao governo do Piauí em 2022 ficou aborrecido com o movimento e decidiu pelo rompimento do partido com o Planalto.

A partir daí, bombeiros do Executivo e de siglas do Centrão entraram em campo para restabelecer o diálogo entre as partes, até porque o governo já enfrenta dificuldades no Senado e a saída de um nome de peso da base de apoio poderia corroer toda a coalizão formada no último ano.

Nesse contexto, foram renovados os pedidos de mudança na titularidade de algumas como cadeiras ministeriais como forma de contornar a crise com Ciro Nogueira e para contemplar aliados, em meio, também a eventos importantes na Casa Alta do Legislativo: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que tem deixado o presidente mais acuado, e a sabatina do advogado-geral da União, André Mendonça, para a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já no dia seguinte aos rumores de mais uma pequena dança de cadeiras na Esplanada, foram confirmadas mudanças – tanto pelo presidente Bolsonaro, quanto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O ministro falou sobre uma “reorganização interna” na pasta, sem entrar em detalhes. Bolsonaro, por sua vez, declarou que deve realizar algumas alterações na Esplanada para contemplar aliados políticos. Espera-se a edição de Medida Provisória nesta próxima segunda-feira (26), confirmando as modificações, que serão as seguintes: a equipe econômica sofrerá um desmembramento com a recriação do ministério do Trabalho – a ser comandado por Onyx Lorenzoni (DEM-RS), atual titular da Secretaria Geral da Presidência. Já a Casa Civil deve abrigar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pivô da pequena crise política, enquanto o destino do atual ministro, Luiz Eduardo Ramos, ainda é incerto – não foi definido se ele assumirá a Secretaria Geral da Presidência.

Obviamente, com as mudanças durante esse recesso, sai perdendo o ministério da Economia, que trabalhava na elaboração de programas para a inserção de grupos vulneráveis no mercado de trabalho. O tema é diretamente relacionado à nova pasta. A avaliação de Paulo Guedes e sua equipe, contudo, é de que seria mais vantajoso garantir uma melhor relação com o Senado Federal e, assim, avançar na agenda de reformas. Há quem diga, também, que a retirada de uma secretaria do “Superministério” seria uma retaliação do senador piauiense, em resposta ao empréstimo efetuado para seu opositor político.

Além disso, a entrada de Ciro Nogueira – o primeiro senador a ocupar um cargo de ministro neste governo – tem como objetivo fortalecer a relação do governo com o Senado e com seu presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que acabou se distanciando em decorrência da CPI da Covid.

Pode parecer absurdo, irônico, ou qualquer outro adjetivo ultrajante, que o presidente do PP  – há pouco tempo, aliado de governos petistas e declaradamente eleitor de Lula e Dilma – vá sentar em uma das cadeiras mais importantes do governo. Não custa nunca lembrar que, em Brasília, a política se faz com o cérebro; de modo pragmático. As manifestações políticas feitas com o fígado restritas à Avenida Paulista ou qualquer outra grande avenida capitais Brasil afora.

O que não pode-se deixar de notar, contudo, é que o episódio é mais um exemplo de aumento dos chamados custos de coalizão do Executivo, em que se lança mão de poder político em troca de reforço na base aliada no Congresso – evitando, assim, eventuais esvaziamentos logo nas vésperas de um ano eleitoral.

Com a popularidade do governo no seu pior nível desde o início do mandato, Bolsonaro encontra-se em uma linha fina entre agradar a base parlamentar e não abrir a porteira dos ministérios para o Centrão – na contramão do discurso que o elegeu em 2018, arriscando trazer espólios da sua base eleitoral mais fiel.

Outro problema já contratado, de antemão, pelo presidente é que exonerar ministros da base aliada, como Ciro Nogueira, pode ser praticamente impossível, sob pena de perda de sua coalizão política. Não à toa, o próprio Bolsonaro, que cerca de 2 anos e meio atrás condenava o mesmo grupo, se declarou como parte do Centrão logo quando as modificações nas pastas foram anunciadas.

Quem diria que, em pleno recesso, figuras importantes do Centrão, especialmente do Senado, aproveitaram para se sentar com Bolsonaro e seus interlocutores, consolidando uma nova reforma e mais uma ampliação do poder político. Um governo agora dependente do Centrão prova que, realmente, se o Brasil não é para amadores, Brasília é apenas para profissionais.

Leia a minha última coluna para ficar por dentro do que movimenta Brasília: Paulo Guedes no divã | Política sem Aspas.

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Centrão negocia criação de mega bancada https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/centrao-negocia-criacao-de-mega-bancada https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/centrao-negocia-criacao-de-mega-bancada#respond Fri, 23 Jul 2021 13:24:55 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=28501 Algumas siglas do Centrão negociam a criação de um novo partido com o intuito de formar a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O PSL, o DEM e o PP estão em negociações avançadas para confirmar a fusão, que implicaria em uma bancada partidária de 121 deputados e 15 senadores. O… Read More »Centrão negocia criação de mega bancada

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Algumas siglas do Centrão negociam a criação de um novo partido com o intuito de formar a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

O PSL, o DEM e o PP estão em negociações avançadas para confirmar a fusão, que implicaria em uma bancada partidária de 121 deputados e 15 senadores.

O alto comando da nova legenda seria dividido entre os presidentes de cada partido: a presidência ficaria com Luciano Bivar (PSL), a vice-presidência com o ACM Neto (DEM) e a secretaria-geral com o Ciro Nogueira (PP) – senador que deve também, em breve, assumir o comando da Casa Civil do governo Bolsonaro.

Interlocutores das siglas afirmam, porém, que ainda existem nós a serem desatados antes que se confirme a fusão. Há resistências de algumas alas em todos os partidos e o movimento teria sido encabeçado, em primeiro lugar, apenas por Luciano Bivar.

A criação da nova legenda, por outro lado, viria em ótima hora para o presidente Jair Bolsonaro, que ainda não tem filiação desde que rompeu com o PSL, mas tem se aproximado de siglas do Centrão e até mesmo de sua ex-legenda – até pelo fracasso da criação do Aliança pelo Brasil.

Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), afirmou que seu pai mantinha conversas com o PP, o PL e com o Republicanos sobre a possibilidade de filiação.

O movimento veio após a executiva nacional do Patriota rechaçar a filiação do presidente.

E Eu Com Isso?

Atualmente, o PSL tem a maior bancada partidária da Câmara, com aproximadamente 50 deputados, seguido do PP (com cerca de 40 parlamentares) e do DEM (30).

Nesse contexto, a fusão não é cogitada por receio de não atingir a cláusula de barreira em 2022, já que esses partidos já têm boa expressão legislativa.

O PSL, porém, encabeça o movimento porque compreende que a eleição de uma larga bancada de deputados foi impulsionada, principalmente, pela popularidade de Bolsonaro em 2018, quando ele estava filiado à legenda.

Caso ocorra a junção destas três siglas, a tendência é de maior fortalecimento do Centrão, que passa a ter uma sigla-pivô nas negociações políticas e no Legislativo, enquanto outros partidos do grupo ficariam como satélites.

Sendo assim, será ainda mais custoso ter essas siglas na base aliada – como já estamos vendo, inclusive, com a provável indicação de Ciro Nogueira à titularidade de uma pasta ligada à articulação política do Executivo no Congresso.

Por fim, vale lembrar que quanto maiores os custos da coalizão, maiores as dificuldades de um governo para avançar com sua agenda legislativa e, portanto, maiores desafios para a realização de reformas e outras medidas econômicas esperadas pelo mercado.

A notícia é levemente negativa para os mercados.

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Leia também: Reforma confirmada.

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Centro órfão | Política sem Aspas https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/centro-orfao-politica-sem-aspas https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/centro-orfao-politica-sem-aspas#respond Fri, 18 Jun 2021 23:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=26355 A depender da abordagem utilizada, o universo da ciência política costuma dialogar fortemente com a ciência econômica, e vice-versa. Temas como análise de instituições e processos, teoria dos jogos, elaboração e implementação de políticas públicas, entre outros, são exemplos dessa intersecção acadêmica. Em 1972, o economista Kenneth Arrow venceu o prêmio Nobel de economia por… Read More »Centro órfão | Política sem Aspas

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A depender da abordagem utilizada, o universo da ciência política costuma dialogar fortemente com a ciência econômica, e vice-versa. Temas como análise de instituições e processos, teoria dos jogos, elaboração e implementação de políticas públicas, entre outros, são exemplos dessa intersecção acadêmica.

Em 1972, o economista Kenneth Arrow venceu o prêmio Nobel de economia por formular o teorema da impossibilidade, em que se conclui ser impossível que a ordem de preferência coletiva – em um sistema de votação que atenda a critérios desejáveis – seja o agregado de ordens de preferências individuais.

O economista estadunidense elencou os seguintes critérios pelos quais sua teoria se confirmava – e, na ausência de um deles, seria perfeitamente possível que as escolhas individuais somadas acarretassem a mesma escolha coletiva.

Todos eles dizem respeito ao sistema de votação, sendo: a) não ditatorial, considerando as preferências de múltiplos participantes; b) de domínio irrestrito, em que todas as preferências devem ser permitidas; e c) unânime, admitindo que o resultado da preferência dos participantes envolve a sobreposição de uma alternativa à outra.

O principal desafio daqueles que desejam representar uma população na esfera política é, portanto, antecipar o desfecho da eleição – envolvendo a escolha coletiva e, mais que isso, se colocando em posição de destaque quando em comparação com os outros candidatos. Certamente, esse é um jogo fundamentado em estratégias racionais – a ver as pesquisas eleitorais, trackings internos de campanhas e outros instrumentos de mensuração das preferências do eleitorado – mas também carrega, intrinsecamente, um componente forte de abstração, tornando eleições muitas vezes imprevisíveis e surpreendentes.

Quando olhamos para as eleições presidenciais de 2022, no Brasil, conjecturamos um cenário disposto entre Jair Bolsonaro – atual presidente e candidato à reeleição –, no espectro político mais à direita, o ex-presidente Lula, ocupando a esquerda, e um ou mais candidatos do centro político, que busca se colocar como uma terceira via (em referência à Tony Blair, primeiro-ministro britânico e ao presidente dos EUA, Bill Clinton, que buscaram reunir correntes ideológicas, liberalismo e socialdemocracia, supostamente antagônicas).

No artigo de hoje, vamos nos debruçar sobre as reais condições de se arquitetar uma alternativa de terceira via competitiva, quais são os nomes ventilados para representar essa força frente ao bolsonarismo e ao petismo, e as dificuldades eleitorais impostas, dada a atual conjuntura política brasileira. 

Golpes dolorosos

Em primeiro lugar, é bom pontuar as desistências de dois nomes de peso deste grupo político: João Amoêdo, do Partido Novo, e Luciano Huck, apresentador sem ligação partidária, mas cobiçado por muitos caciques.

O primeiro aceitou ser o pré-candidato do partido, mas, dias depois, se retirou do jogo político alegando falta de unidade no Novo e ausência de um posicionamento transparente, firme e célere da sigla. De fato, o Novo tem passado por turbulências internas, à medida que parte de seus integrantes (Amoêdo, inclusive) engrossou o coro pelo impeachment do presidente Bolsonaro enquanto outra parte prefere seguir independente ao governo, mas frequentemente apoia projetos enviados pelo Executivo. Nesse contexto, a bancada federal do partido no Congresso Nacional acabou não chancelando a pré-candidatura do empresário carioca e deve promover o nome do parlamentar mineiro, Tiago Mitraud, para o pleito de 2022.

No segundo caso, Luciano Huck tem flertado com a política desde meados de 2014 mas nunca, efetivamente, deu o passo definitivo para a corrida presidencial. Há, nas entrelinhas, um recado claro do apresentador: ele só entraria na disputa caso tivesse chances reais de vencê-la; caso contrário, não seria proveitoso se queimar no âmbito político de modo precoce. Ajudou, ainda, a desistência de Huck o fato da Rede Globo, empresa para a qual ele trabalha há anos, carecer de um nome de peso para substituir o apresentador Faustão, que recentemente fechou contrato com outra emissora – a Rede Bandeirantes de Televisão.

Ocorre que muitas legendas de centro-direita e centro-esquerda, como PSB, MDB, PSD e DEM, flertavam com a candidatura de Luciano Huck – em função de seus posicionamentos liberais na economia, mas seu background social e preocupação com justiça e bem-estar. Tal construção poderia legitimar a terceira via, resgatando pontos dos dois lados do espectro político. A prática, contudo, se fez distante da teoria, visto que as melhores pesquisas de intenção de voto conferiam apenas 4% ao apresentador, nos cenários de voto espontâneo.

Ao mesmo tempo, interlocutores dos partidos e mesmo aqueles mais próximos de Luciano Huck sabiam que não haveria a possibilidade de candidatura sem uma resposta mais contundente nas pesquisas. Curiosamente, um candidato de fora da política pode não ter espaço em 2022 e a demora em eleger uma alternativa demonstra que legendas tradicionais ainda não tiveram sucesso em construir um nome que já conhece Brasília. 

Correndo atrás do prejuízo

Diante de problemas internos de partidos e a necessidade de procurar, do zero, um novo candidato que possa juntar as forças do centro político e, minimamente, criar fôlego para disputar uma vaga no segundo turno, partidos como o MDB, o DEM e o PSD se voltam para as discussões internas, a fim de viabilizar um nome o mais breve possível. Entre as opções, são ventilados – respectivamente em cada partido – políticos como Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), Simone Tebet (MDB-MS) e o próprio Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que recentemente foi sondado pelo partido do ex-ministro Gilberto Kassab.

Nos bastidores, o diagnóstico é pessimista, mas não lançar um candidato forçaria as legendas a declararem apoio antecipado a um dos dois grandes concorrentes: Lula ou Bolsonaro. Do lado do atual presidente, já existem apoios do PP, PL e do Republicanos; do outro lado, com o petista, estão siglas como PSB, PSOL e PCdoB. Esta primeira sigla da esquerda, inclusive, tem tido êxito em filiar nomes de peso da esquerda, como o governador do Maranhão, Flávio Dino, e o pré-candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo.

Dos partidos que já buscam construir uma terceira via própria, podemos citar o PDT, com o presidenciável Ciro Gomes (CE), e o PSDB, que ainda vai passar pelo processo interno de prévias eleitorais, mas tem na mesa nomes como João Doria (SP), Eduardo Leite (RS), Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM). Os tucanos, porém, permanecem rachados entre si, com recentes mudanças no processo de escolha do presidente dentro do partido e uma forte oposição ao nome de Doria,  da ala ligada a Aécio Neves (MG) – ainda muito influente no diretório nacional. 

E o mercado com isso?

Até agora, o empresariado, corretamente, não consegue vislumbrar um nome forte o suficiente para desbancar Bolsonaro ou Lula. A grande oportunidade perpassa por uma união inédita entre grandes caciques da política – cenário que, a cada dia que passa, torna-se mais e mais improvável. Vale lembrar que, em 2018, apesar de um contexto político bastante distinto, tivemos 13 candidatos concorrendo ao Palácio do Planalto. Dessa forma, é bastante improvável que o número de presidenciáveis em 2022 gire em torno de 4 ou 5 alternativas, pressupondo que uma delas representaria essa coalizão política centrista e de caráter amplo.

Reservadamente, outras siglas de menor porte, como o Solidariedade, o Cidadania e o Podemos, já admitem como nula a possibilidade de uma união maior das forças de centro em torno de um só nome. Como declarou, recentemente, o deputado Paulinho da Força, um dos caciques do Solidariedade, o jogo entre partidos desse espectro não passa de uma “tentativa de um ganhar o outro”.

Outro nome relevante do cenário político nacional, Flávio Dino compartilha do mesmo diagnóstico – em que pese sua inclinação ao ex-presidente Lula, o governador tem bom trânsito com o centro político. Segundo ele, para que uma terceira via consiga espaço teria de haver um enfraquecimento político de Bolsonaro e a tendência é justamente contrária.

Sendo assim, o cenário de polarização deve engolir os candidatos à presidência que se identificam com posições políticas mais moderadas. Até por isso, estrategicamente, ele e o PSB devem se aproximar do candidato do PT.

Tais teses têm sustento na larga experiência em Brasília de ambos os seus disseminadores, mas também pode ser exemplificada por meio de uma matemática simplificada. Usando como base as recentes pesquisas de avaliação de governo, uma estimativa conservadora de votos para Bolsonaro no primeiro turno ficaria na casa dos 30-35% dos votos válidos. Ao mesmo tempo, nas pesquisas eleitorais estimuladas, ainda que haja um longo caminho a ser percorrido, o ex-presidente Lula já angaria entre 25% e 30% da preferência dos brasileiros.

Em outras palavras, um candidato de centro teria de alcançar entre 25% e 35%, a depender do desempenho dos dois nomes acima, para ao menos chegar ao segundo turno em 2022. Isto, claro, se não tivéssemos nenhum outro espólio de votos – ou seja, não havendo nenhum outro (ou outros) candidato(s) à Presidência que, eventualmente, furtaria(m) aqueles 2% ou 3% ou 4% dos votos válidos. Uma tarefa deveras complicada para o centro político.

Nesse contexto, o mercado já precifica, de certa forma – e também é o nosso cenário, na Levante –, um embate restrito ao atual presidente e ao ex-presidente. Muito provavelmente, a preferência dos investidores (e, portanto, os reflexos sentidos nos ativos financeiros) deve permanecer com a gestão Bolsonaro, que – apesar de algum descontentamento em outras áreas e até mesmo com o próprio presidente – tem em Paulo Guedes e sua equipe econômica um voto de confiança bastante sólido. As máximas do teorema de impossibilidade de Arrow, contudo, deixam 2022 ainda nebuloso, no que será um dos pleitos mais importantes desde a redemocratização brasileira.

Leia a minha última coluna para ficar por dentro do que movimenta Brasília: Em banho-maria | Política sem Aspas.

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