Denise Campos E Eu Com Isso – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Thu, 24 Mar 2022 18:53:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png Denise Campos E Eu Com Isso – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas#respond Fri, 25 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36941 Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na… Read More »Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo

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Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na composição da gasolina, de impostos sobre seis produtos da cesta básica, como café e margarina, até uma nova rodada de corte d taxação sobre importações de eletrônicos, máquinas e equipamentos.

 Em princípio, menos impostos devem acarretar cortes de preços, colaborando para menos pressões inflacionárias. Já temos visto até promoções de carros a partir da diminuição do IPI sobre bens industrializados. Mas, no geral, a acomodação dos preços depende muito mais da evolução dos custos de insumos, que subiram pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global. Primeiro pela pandemia, depois pela guerra entre Ucrânia e Rússia, e agora, também por novos casos de Covid, levando a fechamentos de fábricas. Esse desequilíbrio da cadeia global, que inclui alimentos, e o petróleo, tem gerado inflação em todo o mundo, reduzindo o potencial do impacto das mexidas nos tributos. Por isso fica a impressão que, com algumas dessas iniciativas, o governo vai apenas enxugar gelo, sem maiores efeitos.

Por outro lado, até por não se saber ao certo qual será a evolução da oferta e dos preços de produtos estratégicos e o repasses dos aumentos de custos internamente, fica a dúvida quanto à eficácia do aperto monetário e até onde esse aperto pode chegar.

 Embora muitos tenham visto um tom mais duro na ata do Copom, na verdade, o recado veio em duas direções. Se o petróleo ceder e as projeções de inflação ficarem mais favoráveis, o atual ciclo de elevação dos juros pode até parar com a Selic nos 12,75%, o que deve ocorrer na reunião de maio, e já num patamar contracionista. Mas se as pressões mais fortes persistirem ameaçando a meta também do próximo ano, os ajustes vão continuar e a taxa básica pode chegar nos 13,25 ou até mais. 

O que parece certo, nas sinalizações do BC, é que não quer o risco de um novo estouro da meta inflacionária, pelo terceiro ano consecutivo. E nessa avaliação prospectiva de cenário pesa até o que tem sido citado como arcabouço fiscal, ou seja, a evolução das finanças públicas. E, nesse aspecto, a enxurrada de medidas lançadas pelo governo não colabora muito. Os cortes de tributos afetam a receita, num momento em que já há necessidade de recorrer ao contingenciamento de despesas pra garantir o teto de gastos. Isso em meio às pressões políticas por mais despesas. 

Como citei de início, há uma preocupação política muito grande com a questão da popularidade, e as condições atuais da economia não têm jogado muito a favor. Tem inflação e juros em alta corroendo a renda, desemprego ainda elevado, com queda do rendimento médio e da massa salarial, aumento da pobreza. Tudo isso pesa muito na percepção da gestão da economia, mesmo que vários fatores desfavoráveis sejam inevitáveis. 

Mas é fato também que a forma como são gerenciados pode influenciar essa percepção. Nesse sentido não basta tentar produzir efeitos de curto prazo e limitados. A responsabilidade também pode passar um recado importante, se estabelecer perspectivas melhores para a economia em prazo maior.

Nesse ambiente ainda bem incerto o mercado continua favorecido pelo fluxo externo de recurso, atraído pelos juros cada vez mais altos, com o dólar chegando a testar pisos abaixo dos R$ 5,00. oi A Bolsa com uma evolução desigual no comportamento das ações, na avaliação por empresas e setores, no geral, tem alcançado momentos de boa performance, por reflexo de alguns fatores que preocupam em outro sentido, como da inflação. A alta das commodities, de produtos básicos, como alimentos, minério e petróleo tem aumentado o potencial de ganhos das ações ligadas a esses ramos. E o Brasil ainda tem se beneficiado com a alta liquidez global num cenário de juros ainda bem baixos, mesmo com os ajustes promovidos pelos bancos centrais, inclusive dos EUA.

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Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios#respond Fri, 18 Mar 2022 11:53:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36847  O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas,… Read More »Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários

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 O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas, tem sido um grande problema, pelas incertezas do cenário interno e do externo, mas também pelo próprio posicionamento do BC. Ao contratar o aumento de um ponto dá a impressão de trabalhar com projeções seguras, que permitem definir os passos da política monetária antecipadamente, já sabendo o que vai acontecer até a próxima reunião. Mas não se trata disso. Tanto que o Copom trabalha com cenários diferentes tendo como referência o preço do barril do petróleo na faixa dos US$ 100. E essa é só uma variável na composição da inflação, que já vem com uma difusão forte de aumentos e ainda deve sofrer influência dos preços de outras commodities, até alimentos, fora o desequilíbrio na cadeia de insumos e peças, pela guerra e por novos focos de contágio do coronavírus, especialmente na China. É uma situação que dá margem para especulações e pressões na curva de juros em vários sentidos, que vão depender muito mais das percepções de cenário do que das indicações do Copom. Sendo que o Banco Central muitas vezes tem sancionado as expectativas do mercado e não influenciado essas expectativas.

Mas e em relação ao FED, que elevou os juros em 0,25 e indicou sete aumentos nesse ritmo? Há diferenças importantes. O Banco Central dos Estados Unidos tenta balizar as expectativas, só que já antecipou possível mudança na magnitude dos ajustes dependendo da evolução do cenário. E o FED, diferente também do nosso BC, cuida do controle da inflação, do ritmo de atividade e do desempenho do mercado de trabalho. Aqui a política de juros tem como foco o cumprimento da meta inflacionária. Além disso, o salto dos juros no Brasil já foi muito forte, partindo dos inéditos 2%, sem que tenha tido maior influência na inflação, que caminha para o segundo ano de estouro da meta. Enfim, temos um ciclo de elevação da Selic com impacto contracionista, para tentar derrubar uma inflação que vem, principalmente, da oferta, não da demanda.

É certo que não é fácil para o BC lutar sozinho nesse combate. O governo, preocupado com o estímulo à atividade, continua liberando recursos e cortando tributos, o que vai na contramão da contenção do consumo e do espaço para remarcações de preços, que se tenta garantir com juros mais altos. E essas medidas ampliam o risco fiscal, que também dificulta o controle da inflação. Aí ainda vêm todas as variáveis externas colocando mais lenha na fogueira.

Enfim, continua o jogo de apostas em relação à inflação, juros e crescimento e a tentativa de antecipação de cenários, o que pode produzir mais volatilidade do mercado, independentemente das pressões do noticiário do dia a dia. Juros mais altos são uma certeza, reforçando o ganho das aplicações de renda fixa, mas com a dúvida de até onde podem chegar e qual vai ser a margem real. Dólar e bolsa também dependem do fluxo externo, que pode ser atraído pelos juros elevados e pelos ganhos com commodities, por exemplo, no caso das ações. Porém, se nota uma certa perda de ritmo que pode ter influência das mudanças do cenário externo, o que inclui preços e juros. E vamos lembrar das eleições que também podem deixar os investidores mais ariscos. É nesse contexto que se deve buscar as melhores oportunidades de ganho.

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Projeções atropeladas pelos efeitos da guerra  https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/projecoes-atropeladas-pelos-efeitos-da-guerra https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/projecoes-atropeladas-pelos-efeitos-da-guerra#respond Fri, 11 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36663 A invasão da Ucrânia pela Rússia continua atropelando projeções e expectativas num cenário que, para o Brasil, já não era dos mais favoráveis. Já estávamos com dificuldades no controle da inflação, com previsão de mais um estouro da meta, como em 2021, tendência de um ciclo mais longo de elevação dos juros básicos, com expansão… Read More »Projeções atropeladas pelos efeitos da guerra 

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A invasão da Ucrânia pela Rússia continua atropelando projeções e expectativas num cenário que, para o Brasil, já não era dos mais favoráveis. Já estávamos com dificuldades no controle da inflação, com previsão de mais um estouro da meta, como em 2021, tendência de um ciclo mais longo de elevação dos juros básicos, com expansão mais fraca da economia e aumento do risco fiscal. O mercado é que vinha dando uma trégua, favorecido pelo ingresso mais forte do capital externo que, de um lado, ajuda na recuperação da Bolsa e, de outro, faz o dólar testar pisos mais baixos, ao redor dos R$ 5,00. Agora tudo isso está sob revisão.

A guerra provocou disparada dos preços do petróleo, de alimentos, especialmente trigo e milho, além dos fertilizantes e outros insumos, seja por sanções, seja por questões de logística. E aí vêm os efeitos colaterais. Paralelamente às discussões sobre medidas pra minimizar o impacto da alta do petróleo, a Petrobras já anunciou reajustes pesados para o diesel, a gasolina e o gás, ainda insuficientes para corrigir integralmente as defasagens. No embalo vão subir os preços no varejo, com pressões sobre frete, que entra na composição de outros preços, além das tarifas de transporte. Alimentação também em alta, com acvanços dos preços dos derivados dos grãos, o que inclui as rações, com efeitos sobre as proteínas, em geral. Tudo isso leva a uma revisão das projeções para a inflação, já oscilando na faixa entre 6 e 7%. A dispersão das previsões também aumentou. O que reforça a dúvida quanto à posição do Copom na reunião da próxima semana e em todo o ciclo de elevação dos juros. Na calibragem da Selic é preciso considerar que esse cenário de inflação e juros em alta compromete o potencial de expansão da economia. Sendo que, independentemente das projeções, a atividade já não vem dando bons sinais, com perda de ritmo de vários ramos de atividade, como mostrou o IBGE nos levantamentos do começo de ano, junto com a piora dos índices de confiança.

Quanto aos juros básicos fica o questionamento quanto ao efeito que um aperto maior na política do Copom possa ter sobre a inflação, agora mais pressionada pelos reflexos da guerra e não pela demanda. Demanda que pode até perder força, com os consumidores tendo de destinar fatia maior da renda para despesas básicas. Situação que, aliás, já vem de um bom tempo. A inflação tem sido muito perversa, especialmente para os mais pobres. Nem a recuperação do mercado de trabalho tem trazido maior alívio, já que tem sido muito puxada pela informalidade, por vagas mais precárias, que não reforçam a renda média, a massa de rendimentos disponível para o consumo.Os bons números do Caged mostram apenas o que ocorre no segmento formal do mercado de trabalho. É aguardar o posicionamento do Copom diante desse cenário e as sinalizações quanto aos futuros passos da política monetária, que a curvar de juros continua tentando antecipar.

Para o mercado ainda há espaço para manter uma trajetória mais favorável. Na composição da Bolsa temos as ações favorecidas e as prejudicadas pelas mudanças de cenário impostas pela guerra e pelas condições domésticas. Isso exige maior atenção dos investidores para detectar as boas oportunidades e acompanhar as oscilações. Petrobras, por exemplo, tem oscilado muito, pra cima e para baixo, em função das variações do petróleo e das discussões de medidas para reduzir impactos sobre os combustíveis. O dólar apesar da volatilidade, permanece em patamar mais próximo dos R$ 5,00, diante do bom fluxo externo, que pode prosseguir mesmo com aumento das incertezas, pela atratividade dos juros elevados e retorno das exportações de produtos básicos. Já na na renda fixa o investidor tem, potencialmente, possibilidade de ganhos crescentes, embora a inflação possa pesar no ganho real. Também por aí é importante garimpar as melhores alternativas. É o que temos: a guerra afetando e prejudicando vários indicadores no Brasil, mesmo com o País não estando mais envolvido, sequer, nas discussões referentes ao conflito.

 

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Incertezas não têm comprometido atratividade do mercado local | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/incertezas-nao-tem-comprometido-atratividade-do-mercado-local https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/incertezas-nao-tem-comprometido-atratividade-do-mercado-local#respond Fri, 18 Feb 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36377 O mercado brasileiro vem mantendo um comportamento dos mais favoráveis neste começo de ano, mesmo com ajustes pontuais, em momentos de maior stress, como os desta semana, relacionados à crise da Ucrânia. Fora isso, já tivemos ajustes pela expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos, por frustrações com balanços, especialmente no exterior, como ocorreu… Read More »Incertezas não têm comprometido atratividade do mercado local | Denise Campos de Toledo

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O mercado brasileiro vem mantendo um comportamento dos mais favoráveis neste começo de ano, mesmo com ajustes pontuais, em momentos de maior stress, como os desta semana, relacionados à crise da Ucrânia. Fora isso, já tivemos ajustes pela expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos, por frustrações com balanços, especialmente no exterior, como ocorreu com a área de tecnologia, além das preocupações locais com pressões fiscais, por mais gastos ou por cortes de tributos, como se discute em relação aos combustíveis. São questões em aberto, mas que não têm tido impacto de forma constante. E em vários momentos o mercado aqui até se descolou da pressão externa.

Fato é que, apesar de todos esses fatores, a Bolsa já chegou a acumular avanço de quase 10% no ano e o dólar conseguiu romper o piso dos R$ 5,20. Movimentos que refletem, em boa parte, uma atratividade maior do País, independentemente de todas as incertezas de que temos falado. É preciso lembrar que ainda há muita liquidez pelo mundo, por todos os programas de estímulo lançados para reverter os impactos econômicos negativos da pandemia. As bolsas lá fora, que tinham subido muito, estão passando por ajustes mais fortes. A Bolsa brasileira, que vinha muito pressionada por questões locais, acabou oferecendo boas oportunidades de ganho, com preços baixos dos papéis, o que assegurou essa importante atratividade. Neste ano já ingressaram cerca de R$ 48 bilhões em recursos externos. E ainda tem a atratividade dos juros, com a Selic a 10,75% já muito acima da média internacional e com tendência de alta. Podemos fechar o ano no topo do ranking dos juros reais. Isso pode manter a atratividade mesmo diante do ciclo de alta dos juros pelo FED, que deve começar em agosto. 

Tudo isso, claro, desde que não haja uma fato relevante que provoque uma onda mais intensa de aversão ao risco. 

Mas, em princípio, ainda há espaço para recuperação da Bolsa, sustentada especialmente por recursos externos, e para o dólar testar novos pisos. Isso seria muito positivo até do ponto de vista do controle da inflação, dado o peso do dólar na formação de vários preços, como combustíveis, insumos e até alimentos. 

O País tem problemas desafiadores. Essa é uma certeza, principalmente com a proximidade das eleições, o que sempre tem potencial para produzir mais instabilidade. Mas o mercado local tem sido favorecido por essa janela de oportunidade ou de atratividade. De uma atratividade de capital de curto prazo, que pode sair em debandada com muita rapidez. Só que, por enquanto, tem buscado aproveitar as boas oportunidades.

Sendo que essas oportunidades também valem para o investidores locais, tanto para os que não temem o risco de uma maior volatilidade do mercado acionário ou sabe lidar com essa volatilidade, como para os mais conservadores, saudosistas dos juros mais elevados, que preferem a renda fixa. Vale lembrar que as projeções para a Selic passam dos 12,25% neste ano.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo.

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Semana de revisão de expectativas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/semana-de-revisao-de-expectativas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/semana-de-revisao-de-expectativas#respond Fri, 11 Feb 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36357 Tivemos uma semana de agenda relevante, com algumas mudanças de expectativas que podem influenciar o andamento do mercado. Começando pelo âmbito doméstico temos em aberto a questão do corte dos tributos sobre os combustíveis, que vai de uma proposta mais moderada, apenas para o diesel, com custo de cerca de R$ 18 bilhões, até a… Read More »Semana de revisão de expectativas | Denise Campos de Toledo

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Tivemos uma semana de agenda relevante, com algumas mudanças de expectativas que podem influenciar o andamento do mercado. Começando pelo âmbito doméstico temos em aberto a questão do corte dos tributos sobre os combustíveis, que vai de uma proposta mais moderada, apenas para o diesel, com custo de cerca de R$ 18 bilhões, até a do “fim do mundo” com isenções e outros benefícios que podem elevar o rombo para mais de R$ 100 bilhões, passando por algumas ideias de mais longo prazo, como a criação de um fundo de estabilização, para amortecer as pressões sobre os preços. Fato é que há uma tentativa de se obter resultados mais imediatos, que nos remete a interesses políticos pela proximidade das eleições, ampliando as preocupações quanto ao que ainda poderemos ter de aumento de gastos com o mesmo objetivo. É certo que a inflação preocupa, pesa no poder de compra e afeta o potencial de expansão da economia. Mas é bom não esquecer que menor responsabilidade do lado fiscal, ainda que produza algum resultado como a queda pontual dos preços dos combustíveis, pode acabar gerando mais pressões inflacionárias, ao mexer negativamente com as expectativas.

Esse alerta veio até na ata da reunião do Copom, cujos integrantes têm dado recados mais firmes quanto à importância da responsabilidade fiscal e o quanto isso pode influenciar o cenário prospectivo para a inflação e a própria política de juros. Inclusive, por essa questão, a ata mexeu com as previsões de uma política monetária menos apertada. O ritmo de elevação da Selic deve diminuir, como foi sinalizado no comunicado do último aumento, para 10,75% ao ano. Mas ao trabalhar com um possível estouro da meta também neste ano, diante da previsão do IPCA em 5,4%, e projeções acima do ponto central em 2023, o BC indica que o ciclo de ajuste pode ser mais prolongado, com os juros básicos chegando a um patamar acima do que vinha sendo projetado.

Essa indicação mais hawkish ainda ganhou o reforço do IPCA de janeiro. A alta de 0,54% bateu com as expectativas, só que a disseminação maior dos aumentos trouxe mais incertezas quanto a evolução da inflação, que ainda pode ter mais pressões de fora, como a alta do petróleo, e internas, como a quebra de safras por fatores climáticos. Mais pressões num ritmo fraco de atividade, que pode melhorar em alguns segmentos, como Serviços, ainda afetados pela pandemia, que é um onde já se nota mais aumentos por recomposição de preços.

Por mais que o BC queira evitar impactos mais abruptos sobre a economia e tenha preocupações até com o emprego, como ressaltou na ata, a Selic pode chegar a 12,5% nesse ciclo mais longo de ajustes. O que não colabora para expectativas mais favoráveis quanto ao PIB deste ano, mesmo que o de 2021 não tenha fechado tão ruim como se esperava na virada do ano.

Neste cenário ainda é importante lembrar das questões externas. Já citei o petróleo como um problema a mais no controle da inflação, mas ainda tem as mudanças nas políticas dos bancos centrais, também influenciadas por preocupações crescentes com a inflação, em meio às dúvidas quanto ao desempenho das economias. A inflação nos Estados Unidos continua surpreendendo, reforçando a expectativa de maior aperto dos juros. Mas ainda se nota uma certa vacilação do FED em promover ajustes mais pesados. De qualquer modo, estamos perto do início do ciclo de elevação das taxas, que deve começar em março.

O mercado local ainda segue favorecido pelo fluxo positivo de recursos, pela previsão de alta das commodities, refazendo as projeções, principalmente, quanto à inflação e os juros, na expectativa de uma gestão fiscal que não traga mais instabilidade para o cenário de 2022, já bastante desafiador.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo.

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Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/copom-e-mercado-devem-responder-ao-balanco-de-riscos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/copom-e-mercado-devem-responder-ao-balanco-de-riscos#respond Fri, 04 Feb 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36254 A decisão do Copom de elevar os juros básicos para 10,75% ao ano, deixando de sinalizar qual será o tamanho do ajuste na próxima reunião, teve uma boa repercussão. Na prática, o Comitê deixa de assumir o compromisso com uma elevação mais pesada da Selic, que possa ter impacto mais negativo sobre a atividade, induzindo… Read More »Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo

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A decisão do Copom de elevar os juros básicos para 10,75% ao ano, deixando de sinalizar qual será o tamanho do ajuste na próxima reunião, teve uma boa repercussão. Na prática, o Comitê deixa de assumir o compromisso com uma elevação mais pesada da Selic, que possa ter impacto mais negativo sobre a atividade, induzindo uma retração da economia agora em 2022, quando se trabalha, de qualquer modo, com uma expansão perto de zero. O Copom deverá definir os próximos passos com base na evolução do cenário, observando o comportamento da inflação e fatores de pressão, como o dólar, petróleo, incertezas fiscais, as mudanças do cenário externo, inclusive com o início do ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos e a evolução da atividade, ainda comprometida pela Ômicron. 

A sinalização de ajustes menos pesados, no entanto, não quer dizer que o ajuste total não possa levar a Selic para a faixa dos 12%, como ainda prevê parte do mercado. Fato é que as projeções de inflação e os próprios índices persistem acima do desejável. No comunicado que saiu junto com a decisão sobre a Selic, a estimativa para o IPCA de 2022 subiu de 4,7% para 5,4%, acima do teto da meta, de 5%; e para 2023, que passa a ser o principal alvo da política monetária, a projeção permaneceu em 3,2%, encostada no centro da meta do próximo ano, que é 3,25%. Trabalhar com uma inflação ao redor do teto, indicando resposta menos intensa na gestão dos juros, não significa que o BC tenha jogado a toalha. A questão é que juros muito mais altos talvez não consigam derrubar a inflação numa economia que já vem perdendo o fôlego. A questão não tem sido a pressão da demanda e vale lembrar que o fato de, em pouco mais de um ano, a Selic ter avançado de 2% para quase 11% ao ano não alterou muito a trajetória de alta da inflação nem garantiu a convergência das projeções para a meta. 

Esse tem sido um dilema para os vários BCs, como vimos com o Europeu, que optou por manter as taxas nesta semana, o da Inglaterra que promoveu leve aumento, o da China que chegou a cortar as taxas e mesmo o Fed, que vem lidando com dados irregularidades de atividade e emprego, ainda influenciados pela nova onda da pandemia. O discurso é mais duro, mas, na prática, ainda se vê uma certa resistência na adoção de aperto mais forte. Por isso, o mercado prevê de quatro a oito aumentos dos juros ao longo deste ano, fora o aperto na liquidez.

Para o Brasil, a médio prazo, os ajustes externos não devem trazer maiores dificuldades em termos de fluxo, se considerarmos apenas a questão dos juros. O diferencial entre os juros domésticos e os praticados no exterior tende a manter a atratividade do país. A Bolsa, por outro lado, também mantém a atratividade com preços ainda baixos. O balanço de janeiro, com a forte recuperação do mercado acionário, queda do dólar e ingresso de R$ 32,5 bilhões confirma o quanto é importante essa atratividade. É ver se outros fatores não terão maior peso, afugentando o smart money, que é o que tem tido maior participação. No exterior temos, além das mudanças nas políticas de juros, os temores geopolíticos, resultados de balanço corporativos e os indicadores de atividade também provocando movimentos pontuais de aversão ao risco. Internamente, persistem as dúvidas quanto ao andamento da economia, o compromisso fiscal do governo, as eleições e as propostas dos principais candidatos à presidência. Condições que tendem a deixar os investidores mais ariscos.

A curva de juros aqui no Brasil, agora sem uma sinalização mais clara do BC quanto aos ajustes da Selic, deve refletir muito as expectativas do mercado e o balanço de riscos. Mas, para os investidores as condições de rentabilidade já melhoraram bastante, após um longo período de ganhos negativos. Já escolher entre as aplicações pré ou pós fixadas depende muito das avaliações quanto a esse balanço de riscos. Em princípio, há possibilidade de a taxa básica de juros ter algum corte ainda neste ano, se houver uma desaceleração mais relevante da inflação. O Focus projeta a Selic em 8% no próximo ano. Mesmo assim, ainda haveria uma margem real importante, considerando a previsão de inflação, para 2023, ao redor do centro da meta, dos 3,25%.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Vários fatores desenham cenário desfavorável para a Bolsa | Denise Campos de Toledo.

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Vários fatores desenham cenário desfavorável para a Bolsa | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/varios-fatores-desenham-cenario-desfavoravel-para-a-bolsa https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/varios-fatores-desenham-cenario-desfavoravel-para-a-bolsa#respond Fri, 28 Jan 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36080 A semana trouxe algumas sinalizações relevantes para a formação de expectativas quanto ao comportamento futuro do mercado. No âmbito doméstico, a alta de 0,58% do IPCA 15 em janeiro, acima do esperado e com uma disseminação maior dos aumentos, além de reforçar as projeções para cima da inflação deste ano ainda confirma as dificuldades que… Read More »Vários fatores desenham cenário desfavorável para a Bolsa | Denise Campos de Toledo

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A semana trouxe algumas sinalizações relevantes para a formação de expectativas quanto ao comportamento futuro do mercado. No âmbito doméstico, a alta de 0,58% do IPCA 15 em janeiro, acima do esperado e com uma disseminação maior dos aumentos, além de reforçar as projeções para cima da inflação deste ano ainda confirma as dificuldades que o Banco Central pode ter para evitar novo estouro da meta, apenas com o aumento dis juros que vem sinalizando. Mesmo com a expectativa de expansão do PIB próxima de zero, o BC pode ter de promover aperto maior da Selic. 

Vale observar que sozinho na tarefa de controlar a inflação, já que não pode contar com maior compromisso fiscal do governo, que cogita até uma PEC pra cortar tributos sobre os combustíveis, o Banco Central ainda terá de lidar com possíveis efeitos do aperto da política monetária nos Estados Unidos. Antes de tratar da questão externa, importante ressaltar que o corte dos tributos federais sobre combustíveis, além do pouco impacto sobre os preços, muito relacionados às condições externas, geraria mais rombo nas finanças públicas, com mais incertezas na área fiscal, o que pode se converter em novas pressões sobre o dólar, outro importante fator na composição de preços. Enfim, uma medida que criaria mais narrativa do que resultados no controle da inflação. 

Feita a observação, tivemos nesta semana uma nova reunião do FOMC, o Comitê do Federal Reserve, que manteve os juros básicos entre 0 e 0,25%, mas já sinalizando o início do ciclo de alta em março, com a finalização do programa de recompra de títulos e possibilidade de iniciar a redução da carteira de ativos, que, na prática, significa maior corte de liquidez. Aperto necessário para facilitar o controle da inflação que, também nos Estados Unidos, vem se mantendo persistentemente acima das expectativas.A partir dessas sinalizações, o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de 5 e não mais 4 aumentos dos juros, pelo FED, ao longo de 2022.

Independentemente dessas indicações desfavoráveis para o mercado acionário, a Bolsa aqui seguiu na trajetória de recuperação. Tem um atraso a compensar, embora isso não signifique que possa manter um fôlego mais longo. A Bolsa brasileira, até no embalo de novas emissões, tem atraído capital muito pela defasagem de preços, o atraso que citei, favorecida também pelo excesso de liquidez no mundo, com tantos programas de estímulo lançados pelos governos e bancos centrais, que começam a ser revertidos como indica o FED. O maior aperto das políticas monetárias tende a prejudicar as bolsas, em geral, pela menor disponibilidade de recursos, fora a concorrência dos juros mais altos, especialmente nos Estados Unidos, cujos títulos são considerados de risco zero. No Brasil, em particular, o aumento projetado para a Selic e as taxas impostas pela curva de juros também exercem maior concorrência. É um cenário que, em algum momento, pode levar a ajustes mais pesados no mercado acionário. 

Vale observar que a recuperação da economia americana, com expansão de 6,9% no fechamento de 2021, deu fôlego adicional para as bolsas, inclusive no Brasil. Mas esse avanço da economia americana, bem acima do esperado, acaba dando mais tranquilidade para o FED promover os ajustes necessários para o controle da inflação. Sendo que no comunicado da reunião desta semana já havia retirado o emprego da pauta dos objetivos, antes mesmo dos novos indicadores de atividade. Com o detalhe que a previsão da Tesla de continuidade do desequilibrio na cadeia de suprimentos já deu uma freada no ânimo provocado no mercado pela forte recuperação da economia americana.

O que se tem, por enquanto, é o desenho de uma conjuntura menos favorável para a performance da Bolsa, que em boa parte também será desfavorável para uma melhor performance da nossa economia. O País terá de conviver durante boa parte deste ano com inflação ainda elevada, mesmo que caia para cerca da metade de 2021, e juros mais altos até por causa disso. Sobre a inflação ainda há risco de pressões adicionais pela alta do petróleo e outras commodities no exterior, além das safras comprometidas pelas condições climáticas, fora a possibilidade de um dólar mais alto, pelo aperto das políticas monetárias no exterior e as incertezas fiscais e políticas no campo doméstico. Sendo que os programas dos candidatos melhor colocados nas pesquisas eleitorais não têm gerado maior confiança. Isso vale até para o atual governo, com iniciativas que revelam maior foco na política do que na responsabilidade fiscal. 

É um ambiente que afugenta investidores, especialmente para a Bolsa, ainda que a elevação dos juros possa exercer maior atratividade, limitando os reflexos sobre o fluxo de recursos. Mas nesse ponto ainda fica em aberto o quanto que os juros poderão subir nos Estados Unidos em prazo maior, considerando também 2023, quando, em princípio, a Selic já poderá ter retomado uma trajetória de queda. Não sem motivos, a renda fixa começa a ser observada com mais atenção por boa parcela dos investidores, independentemente do recente embalo de recuperação da Bolsa. Aumento de incertezas pode recomendar maior conservadorismo, o que não impede que a busca por oportunidades também possa favorecer momentos de reação para a Bolsa.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: 2022: ano desafiador, com mais indefinições que certezas | Denise Campos de Toledo.

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Neste começo de ano o que se vê é um cenário de muitas indefinições e poucas certezas. O que mantém os mercados voláteis e, em alguns momentos, sem justificativas mais convincentes para determinados movimentos. Foi o que se viu no meio desta semana com analistas relacionando a reação mais favorável do mercado local às falas mais conciliadoras do ex-presidente Lula, admitindo possível chapa com Geraldo Alckmin. A política, pesquisas e programas dos candidatos, além debates, certamente, daqui algumas semanas, estarão mais em foco. Mas no curto prazo há apenas movimentações de possíveis candidaturas tentando fortalecer posições para a disputa em outubro. Há uma forte tendência de polarização entre Lula e Bolsonaro, mas não se pode descartar uma terceira via, até por fatos mais substanciais que desequilibrem esse jogo de forças. Qualquer relação direta de notícias sobre os candidatos com movimentos mais fortes do mercado parecem exagero ou desculpa mesmo para acerto de posições, embora haja uma preocupação inevitável quanto ao que se pode esperar daqueles que parecem mais fortes para a disputa eleitoral.

Na verdade há muitas dúvidas, inclusive, quanto às ações do atual governo e as condições em que chegará às eleições. Iniciativas com objetivos eleitoreiros, como a proposta inicial de reajuste dos policiais, podem se transformar, como vimos, em um grande imbróglio, com implicações políticas, no que refere a sustentação da base de apoio, e econômicas, pelos reflexos do ponto de vista fiscal, que ainda é uma das grandes incertezas do cenário de 2022. Como lidar com o orçamento, com tantas pressões por mais gastos, que passam pela questão de reajustes do funcionalismo, emendas parlamentares, do relator, aumento do fundão eleitoral? Qualquer saída pode ter efeitos colaterais e repercussões políticas indesejáveis. 

Mas, voltando ao comportamento do mercado, é preciso considerar também as incertezas externas. Em meio aos recordes de inflação registrados pelo mundo, ainda se nota uma certa resistência do FED em elevar os juros, como seria necessário, podendo trabalhar mais com a liquidez, o que teria menos impacto sobre os mercados. Isso também explica, em parte, a pressão baixista no câmbio, ao longo da semana. Só que teve aquela justificativa relacionada a Lula e também é preciso considerar que a alta liquidez do mercado local, com juros mais elevados, tem assegurado fluxo maior, independentemente das limitações colocadas pelas incertezas domésticas, após a fase de aumento das remessa de lucros e dividendos do final do ano. Quem sabe um dólar menos pressionado não diminuiria também a pressão sobre a curva de juros, como ocorreu nos últimos dias, com reflexos na Bolsa, favorecendo setores cujo desempenho depende mais do crédito? 

Mesmo que tenhamos um cenário dos mais desafiadores, com perspectiva de elevação dos juros nos EUA, aumento maior da Selic pelo Banco Central, inflação ainda elevada, com expectativa de baixo crescimento, em meio a incertezas fiscais e políticas, há momentos em que o exagero nas posições mais pessimistas do mercado levam a ajustes por correção de posições, sem que haja explicações mais concretas. São ondas de diminuição do stress. Foi muito do que tivemos nos últimos dias, com o mercado dividido, por exemplo, entre a resistência do dólar em patamar mais alto ou a possibilidade de testar quedas mais acentuadas. É o tal cenário de muitas indefinições e poucas certezas que citei no início.

Ainda em relação aos juros, houve o corte das taxas na China, na tentativa de reverter a desaceleração do ritmo de crescimento. Fator que também trouxe um certo alívio nos mercados, mas sem maiores reflexos no contexto geral. 

Muito do que tem ocorrido desde o começo de janeiro apenas confirma que não vai ser um ano fácil para a economia e o mercado, o que exige muita capacidade de avaliação das possibilidades e até antecipação de mudanças de cenário. Isso vale para a gestão empresarial e dos investimentos, lembrando que no atual contexto a renda fixa voltou a ser uma opção de proteção e ganhos, pela perspectiva de continuidade do aperto da política monetária.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Os desafios locais e globais não dão trégua | Denise Campos de Toledo.

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Os desafios locais e globais não dão trégua | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-desafios-locais-e-globais-nao-dao-tregua https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-desafios-locais-e-globais-nao-dao-tregua#respond Fri, 14 Jan 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=35293 Inflação, perspectivas para a política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além das questões fiscais internas vêm pautando muito os movimentos do mercado, dos ativos, nessas primeiras semanas de 2022. A inflação de 10,06% registrado pelo IPCA em 2021, a maior desde 2015, além de ter superado as projeções de fechamento de ano… Read More »Os desafios locais e globais não dão trégua | Denise Campos de Toledo

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Inflação, perspectivas para a política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além das questões fiscais internas vêm pautando muito os movimentos do mercado, dos ativos, nessas primeiras semanas de 2022. A inflação de 10,06% registrado pelo IPCA em 2021, a maior desde 2015, além de ter superado as projeções de fechamento de ano reforçou as preocupações quanto às condições para se evitar um novo estouro da meta neste ano. A projeção média ainda passa dos 5% e até por isso temos tido momentos de curva de juros bem mais pressionada, sendo que a projeção média para a Selic, de acordo com o último relatório Focus, foi a 11,75%, piorando, claro, as expectativas de crescimento, com corte da previsão do PIB para 0,26%, este ano. Isso na média, porque uma possível retração ainda está no radar.

No geral, tem havido uma frustração com os dados setoriais de atividade. A reação dos Serviços em novembro, com avanço de 2,4% sobre outubro, bem acima do esperado, jogando o setor 4,5% acima do pré pandemia, veio na contramão do marasmo geral que se tem observado. Pode até mexer com as projeções, que andavam bem pessimistas para o fechamento de 2021, com algum carregamento menos pesado para 2022./ Mas aí entra em cena a Ômicron e o avanço acelerado de casos, que neste início de ano deve dar uma freada, principalmente, nesse setor, prejudicando turismo, bares, restaurantes, eventos. Ainda há uma interrogação quanto ao que pode acontecer ao longo do trimestre, até com cancelamento do Carnaval em várias cidades. De qualquer modo, serviços ainda estão devendo uma retomada ainda mais consistente pelo atraso registrado desde o começo da pandemia, até por ser um dos principais alvos de restrições. Ficam dúvidas também quanto à capacidade de reação da atividade, não só dos Serviços, diante da perda de poder de compra da população, com inflação e juros mais altos, geração de empregos de pior qualidade, informais, e reajustes salariais que, para a maior parcela dos trabalhadores, não têm conseguido repor as perdas. O fato de os serviços para as famílias terem avançado 2,8% em novembro também traz maior alento.

No início citei também a inflação e os juros nos Estados Unidos. A inflação de 2021 ficou em 7%, a maior desde 1982, mas não teve impacto mais pesado nos mercados dada a desaceleração de novembro para dezembro. Mesmo com núcleos mais pressionados e vários grupos de preços em alta, como Serviços, de início, provocou até um certo alívio. Assim como outros indicadores, pelo menos, não aumentou a preocupação com surpresas quanto à intensidade da esperada retomada da alta dos juros pelo Federal Reserve, nem do corte de liquidez.

Mas a situação ainda é bem incerta. Ao mesmo tempo que se conta com menos pressões de alguns preços, as commodities continuam em alta, os desequilíbrios da cadeia produtiva podem se arrastar por mais tempo, com os fechamentos de fábricas e portos provocados pela Ômicron. No Brasil, as condições climáticas, que melhoram as perspectivas para a crise energética, podem prejudicar a oferta e preços de alimentos, até pela seca em áreas de produção de grãos. E tem toda a disseminação dos aumentos até para reposição de custos e recomposição de margens, como tem ocorrido nos preços industriais e de Serviços, por exemplo.

No âmbito doméstico ainda lidamos com as questões fiscais, independentemente das melhora das contas públicas no fechamento do último ano. Teve as mudanças no teto, aumento de fundão eleitoral, corte de verbas até para o ministério da Economia, com mais recursos para emendas parlamentares e do relator e, agora, a onda de reivindicações de reajustes salariais do funcionalismo, após o presidente defender aumento apenas para os policiais. São condições que aumentam as incertezas fiscais e o risco de instabilidades, em ano de eleições, com a economia enfrentando várias vulnerabilidades. 

Em meio a tudo isso, o mercado tem oscilado entre momentos de stress exagerado, com avanço do dólar, dos juros futuros, queda da Bolsa, e períodos de maior ânimo, onde prevalece uma análise mais técnica dos fundamentos, sem reações emocionais. Fato é que gestores e investidores que conseguem controlar o emocional estão obtendo os melhores resultados. O mundo anda muito complicado, tendo de conviver com todas as situações inéditas e desafiadoras impostas pela pandemia. O Brasil, que nunca foi fácil, mais que nunca deixa claro que não é para amadores. Pode parecer chavão, mas é o que estamos vendo ao ter de lidar com tantas incertezas simultaneamente, algumas evitáveis. Calma e bons negócios. Os dias de reação mais favorável do mercado estão aí para confirmar as boas oportunidades e consolidar resultados pra quem tem conseguido lidar melhor com as instabilidades, com os desafios locais e globais.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Novo ano, velhos problemas | Denise Campos de Toledo.

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Novo ano, velhos problemas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/novo-ano-velhos-problemas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/novo-ano-velhos-problemas#respond Fri, 07 Jan 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=35172 É claro que a mudança no calendário não altera o cenário. Mas a virada do ano sempre cria expectativas melhores, renovamos os propósitos, planos. Porém, este começo de 2022 tem mostrado a renovação é dos problemas e incertezas. Inflação que volta a subir no atacado, queda da produção industrial em novembro, a sexta seguida, confirmando… Read More »Novo ano, velhos problemas | Denise Campos de Toledo

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É claro que a mudança no calendário não altera o cenário. Mas a virada do ano sempre cria expectativas melhores, renovamos os propósitos, planos. Porém, este começo de 2022 tem mostrado a renovação é dos problemas e incertezas. Inflação que volta a subir no atacado, queda da produção industrial em novembro, a sexta seguida, confirmando um final de 2021 mais fraco. Movimentos que reforçam os riscos da tal estagflação. Apesar de dados melhores do emprego nas pesquisas mais recentes e a possibilidade de a PNAD retornar, neste trimestre, ao nível pré pandemia, o mercado de trabalho não deve passar imune pela desaceleração da atividade, podendo também mostrar perda de fôlego. Isso sem esquecer que, independentemente da queda do desemprego, o rendimento médio tem caído bastante pelos efeitos da inflação elevada, reajustes menores e geração de vagas de pior qualidade, a maior parte na informalidade, com muita gente se virando para garantir alguma renda. São fatores que explicam a atividade mais fraca, que ainda deve sofrer os reflexos dos juros em alta. A Selic, no mínimo, deve bater nos 11,5%. Não se descarta altas maiores dos juros básicos, afinal, a expectativa média ainda é de inflação um pouco acima do teto da meta, de 5%. E mesmo pra chegar nesse patamar ainda deve levar alguns meses. 

Por outro lado, persistem as preocupações no campo fiscal. Apesar dos dados mais favoráveis de evolução das contas públicas nos últimos meses, ficou o mal estar pelas manobras que envolveram PEC dos Precatórios, criação do Auxílio Brasil e formulação do orçamento deste ano. Até a prorrogação da desoneração da folha ainda é questionada do ponto de vista de ajuste das contas. E o governo arranjou uma grande dor de cabeça ao sinalizar aumento salarial apenas para os policiais, inclusive abrindo espaço no orçamento e no teto de gastos para isso. Agora enfrenta uma onda de reivindicações de outras áreas do funcionalismo, até com um cronograma de paralisações, fora a entrega de cargos de chefia e comissionados. Uma grande enrascada, até política, para o governo que tentou preservar as boas relações com os servidores ao abrir mão de uma ampla e necessária Reforma Administrativa. 

Aliás, em ano de eleições são poucas as chances de qualquer Reforma mais ambiciosa, já que o próprio Congresso também vai tentar fugir de desavenças e tem todo o jogo de interesses políticos. Interesses que aumentam os riscos de mais pressões por gastos e as incertezas fiscais.

Nas pautas de preocupações não podemos deixar de lado o avanço da Ômicron, mesmo indicando menor gravidade entre vacinados. A nova onda tem levado ao aumento de restrições de atividade no exterior, suspensão de eventos no Brasil, maior cautela da população, o que pode adiar a normalização da oferta de insumos, que tem prejudicado vários setores, além de comprometer uma retomada mais firme do turismo e dos serviços, em geral, uma das principais apostas na sustentação do crescimento da economia e do emprego. 

Para completar o balanço dos primeiros dias de 2022 veio o recado mais duro do FED quanto ao corte de estímulos e retomada da elevação dos juros, que já deve começar em março, com possibilidade de quatro altas ao longo do ano. Mais pressão sobre a política monetária doméstica, a atratividade de capital, o comportamento do câmbio, da Bolsa, da curva de juros e a própria atividade, na medida em que juros mais altos têm efeito contracionista. Impacto minimizado nos Estados Unidos, onde o mercado de trabalho já está perto dos objetivos de recuperação. Pior para o Brasil, cuja economia já registrou recessão técnica, convive com a possibilidade de expansão muito fraca neste ano e até uma leve retração, com desemprego alto e renda em queda, fora todas as incertezas de um ano de eleições, que tendem a ampliar polarizações, embates políticos e gastanças de recursos públicos. 

Mas nada disso significa que tenhamos pela frente, necessariamente, um ano ruim. Só não podemos contar com um céu de brigadeiro. O País tem demonstrado muita resiliência, capacidade de reação. que podem assegurar até um balanço final positivo. Eleições também costumam trazer renovação de expectativas, mais que a virada do ano. Crescimento baixo tem sido uma constante no histórico mais recente, pós recessão histórica de 2015/2016, além do tombo de 2020, primeiro ano da pandemia. E o próprio controle da pandemia, que pode se efetivar depois da atual onda da Ômicron, deve dar mais condições de reação de vários setores, assim como o esperado controle da inflação que, talvez, dê espaço para os juros voltarem a cair antes do final do ano. Vai depender também do resultado das urnas e propostas do governo eleito. 

Sem pessimismo, o balanço realista das dificuldades, dos desafios, é importante para a definição das estratégias, inclusive na gestão dos investimentos, na busca das melhores oportunidades. Com os pés no chão, buscando informação, boas análises e orientações dá pra fazer desses limões uma saborosa limonada. 

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Os desafios que 2021 deixa para os próximos anos | Denise Campos de Toledo.

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