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Lições de uma vida de investimentos do sábio de Omaha

Na coluna de hoje, irei abordar lições de vida aplicadas ao mundo dos investimentos do “sistema operacional de Charlie Munger”, um dos magos de Omaha, vice-presidente da Berkshire Hathaway e braço direito de Warren Buffett.

Eu me inspirei no discurso de formatura da turma de advogados de 2007 na Universidade do Sul da Califórnia (USC): assistir vídeo

Estou falando de ideias universais de bom senso que não tem falhas, mas que nem sempre são utilizadas pelos investidores em geral.

Na vida é preciso entregar o serviço que você gostaria de receber se estivesse do outro lado

Aqui na Levante levamos esse ponto com bastante seriedade, pois pensamos na satisfação dos nossos assinantes. O ponto principal é a adequação do produto ao perfil do cliente. Assim, por exemplo o produto de ações não é recomendável para um cliente avesso à riscos.

Aplicando esse conceito em relação às empresas que eu analiso, cito o exemplo da Localiza, empresa líder no mercado de locação de veículos. A empresa está sempre investindo em tecnologia para melhorar a experiência do usuário. O aplicativo da empresa é muito simples para fazer as reservas e o check-in e, ainda por cima, tem programa de milhagem. Retirar o carro em uma das lojas não leva mais do que alguns minutos, uma ótima experiência.

Ser uma pessoa digna de confiança

Esse é o lema da minha vida de profissional de investimentos pois eu construo relacionamentos confiáveis com as pessoas, oferecendo uma visão ampla para os seus desafios e conselhos não convencionais (mas sobretudo racionais), de forma que as pessoas possam escolher as suas próprias ações.

Muito importante fazer novamente um paralelo com o mundo de investimentos em ações de empresas brasileiras. Quanto melhor for a governança corporativa e a comunicação de uma empresa com o mercado, melhor será a precificação do valor da empresa. Por exemplo, uma empresa que explicou bem os impactos da greve dos caminhoneiros no seu resultado do segundo trimestre foi a Localiza, com respostas claras e objetivas dos seus executivos às perguntas dos investidores durante a teleconferência do resultado do segundo trimestre.

Aprendizado contínuo na vida: as chamadas “máquinas de aprender”

Esse é o meu principal objetivo com esta coluna Domingo de Valor: o aprendizado dos investidores e a educação financeira. “É preciso ir dormir todo dia um pouco mais esperto do que você estava no começo do dia”.

Warren Buffet passa metade do seu tempo útil no trabalho lendo e estudando. Afinal, o sucesso na vida daqui para frente depende do que você vai aprender no futuro. O aprendizado no mundo dos investimentos é essencial para a sustentabilidade do retorno adequados aos riscos nos investimentos.

Eu gosto muito de citar frases de grandes líderes. Aqui vai uma de Jorge Paulo Lemann, empresário brasileiro fundador e sócio do 3G (principal acionista de empresas como Ambev, Kraft Heinz e Burger King), que afirmou estar se sentindo um dinossauro apavorado e mencionou que as suas empresas estão sendo “disrupted” de todas as formas possíveis.

“A fórmula da marca sólida e eficiente não é mais suficiente para garantir o sucesso de um negócio de empresas de setores tradicionais, como de bebida e alimentação. É preciso lutar para descobrir as novas demandas dos clientes e acompanhar as mudanças”.

As empresas precisam constantemente pensar em novas formas de aumentar ou alongar a vida útil das suas vantagens competitivas, sempre levando em consideração a sua competitividade no mercado, ou seja, aumentar o tamanho do fosso do castelo (Moat’s), que eu já mencionei aqui.

Assim como um piloto de avião, é preciso ter uma rotina de checklists ao analisar investimentos

Acredito ser muito importante ter uma filosofia de investimentos, e utilizo a análise fundamentalista para escolher os melhores investimentos em ações. Na minha visão, os principais critérios para escolher as empresas são: perspectivas do setor de atuação, liderança de mercado, baixo nível de endividamento, geração de caixa recorrente, crescimento dos lucros futuros e potencial de valorização do preço da ação.

Esteja sempre pronto para quando surgirem os problemas

Esta é a lição mais importante de todas, pois está muito relacionada ao risco: “Risco é não saber o que você está fazendo”.

Por exemplo, se a tese de investimento de uma empresa mudar ou se os resultados não acontecerem como o esperado, é muito importante ter sempre um plano B e possuir uma estratégia de saída do investimento muito bem definida previamente.

Usando outra frase do CEO da Amazon, Jeff Bezos: “As pessoas que estão mais frequentemente corretas são aquelas que mais frequentemente mudam de opinião”.

Para finalizar, eu não tenho “amor” por nenhum call em empresa ou ação. Se eu estiver errado ou se a tese de investimento tiver se provado equivocada, eu já terei uma estratégia de saída muito bem definida.

Irei abordar mais sobre estratégia, análise fundamentalista e risco em outras colunas.

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre Value Investing e análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e até breve!

Um grande abraço,
Eduardo Guimarães

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