Levante Ideias - Berkshire Hathaway

Warren Buffett e o Bitcoin

Eu confesso: esse título tem uma pegadinha. Warren Buffett, que completará 92 anos em agosto e ainda pensa todos os dias em como investir melhor seu dinheiro, já declarou que não tem nem jamais terá uma criptomoeda. Historicamente avesso às empresas de tecnologia, apesar de ter posto muito de seu dinheiro em ações da Apple, ele não investe em Bitcoins. Mesmo assim, é possível usar um pouco de sua enorme experiência ao escolher ações na hora de investir nos criptoativos.

Vamos comparar dois números. Na manhã da sexta-feira (28), o Bitcoin estava cotado a US$ 36,4 mil. Uma leve alta em relação à véspera, mas uma desvalorização de 23,7% desde o início do ano. Quer dizer, em menos de um mês a moeda virtual mais negociada perdeu quase um quarto de seu valor. Péssimo investimento.

Vamos relembrar uma frase de Buffett. “Eu escolho uma ação pensando no seguinte: se, no dia seguinte à compra a Bolsa parasse de funcionar e ficasse fechada por dez anos, ainda assim eu dormiria tranquilo”, escreveu ele em uma de suas famosas cartas aos acionistas.

Ou seja, é preciso pensar nos investimentos no longo prazo. Dez anos é muito tempo em termos de Bitcoin, pois a moeda é algo recente, surgiu em 2009. Em 2012 ela ainda era algo restrito aos aficionados. Porém, se considerarmos um período um pouco mais curto, de cinco anos, veremos que as cotações subiram 3.416%. Sim, bem mais de três mil por cento. Em dólares. Para comparar, nesse período, as ações da Berkshire Hathaway, veículo de investimentos de Buffett, subiram 79%.

O desempenho da Berkshire não é algo ruim para uma empresa americana madura. Um investidor ou investidora que tivesse colocado US$ 100 na Berkshire há cinco anos teria hoje US$ 179. Porém, um investidor que tivesse investido os mesmos US$ 100 colocando 98 deles na Berkshire e US$ 2 em Bitcoin teria, atualmente, pouco mais de US$ 245.

Vamos pensar um momento sobre esses dois números. Apenas US$ 2 investidos no Bitcoin teriam rendido pouco mais de US$ 70. Na pior das hipóteses, se o Bitcoin tivesse desaparecido ou se seu valor houvesse caído a zero, os US$ 100 teriam se tornado US$ 175 nesses cinco anos.

Quer outro exemplo? Nesse mesmo período, as cotações do Ether, segunda criptomoeda mais popular, subiram 20.829%. É isso mesmo, mais de vinte mil por cento. Seguindo com o raciocínio anterior: o investidor com US$ 100 que colocasse 98 em ações da Berkshire, US$ 1 em Bitcoin e outro dólar em Ether teria US$ 317. Um ganho mais de quatro vezes superior do que se houvesse investido apenas em ações da Berkshire.

Qual a conclusão disso? Apenas investidores muito técnicos, muito experientes e com muito conhecimento poderiam pensar em colocar uma parte significativa de seu patrimônio em criptomoedas. Como qualquer investimento novo, elas são voláteis. Por isso, quem investe nelas navega em mares desconhecidos. O FMI (Fundo Monetário Internacional) nunca vai recomendar que o governo dos Estados Unidos deixe de usar o dólar como sua moeda oficial. Porém, na terça-feira (25), o Fundo recomendou formalmente ao governo de El Salvador que deixe de usar o Bitcoin como sua moeda, algo que o presidente Nayib Bukele havia determinado em julho do ano passado.

Mesmo assim, as promessas e oportunidades das criptomoedas em geral são grandes demais para serem ignoradas. E, como sempre diz a Fernanda Guardian, especialista em criptomoedas da Levante Ideias de Investimentos, o movimento de longo prazo desses ativos sempre será de aproximação com a economia tradicional. Assim, apesar de eventuais solavancos, considere sempre colocar uma fração de seu dinheiro nessas novas aplicações financeiras.

Indicadores

A inflação de janeiro medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) avançou para 1,82% ante 0,87% no mês anterior. Com este resultado o índice acumula alta de 16,91% em 12 meses. Segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), boa parte dessa alta decorreu do aumento de 18,26% no minério de ferro, além de avanços nos preços de bens de investimento.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) subiu 2,30% em janeiro, após alta de 0,95% em dezembro. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) desacelerou e subiu 0,42% ante 0,84% em dezembro. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou para 0,64% ante 0,30% em dezembro. Em janeiro de 2021, o índice havia subido 2,58% e acumulava alta de 25,71% em 12 meses.

E Eu Com Isso?

O último pregão da semana começa com uma leve baixa nos contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500, com os investidores à espera da inflação de 2021 medida pelo índice PCE (Personal Consumption Expenditure), que é mais importante para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, na avaliação de sua política monetária. Dependendo do número, isso pode elevar a volatilidade do mercado.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: 3 motivos para se expor no mercado cripto agora.

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