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Senado dos EUA pode derrubar plano de Biden

Na noite do domingo (19), enquanto a maior parte dos investidores ao redor do mundo se preocupava com o crescimento das contaminações pela variante Ômicron do coronavírus e pela eventual retomada das medidas de isolamento social, uma entrevista do senador democrata Joseph Manchin, da Virgínia Ocidental, à rede de televisão Fox News lançou uma sombra de incertezas sobre o mercado.

Manchin, uma das vozes mais respeitadas dentro do partido do governo, disse com todas as letras que não vai apoiar o programa de auxílio econômico do governo Biden. Denominado Build Back Better (algo como Reconstruindo Melhor) e apelidado BBB, o programa prevê gastos públicos elevados no que vem sendo chamado de infraestrutura “soft” – redução da pegada de carbono e melhoramentos tecnológicos da indústria.

Também estão previstos gastos sociais como programas de renda semelhantes do brasileiro Bolsa Família, a construção e a reforma de casas populares. Ao todo, o programa previa gastar US$ 1,75 trilhão.

Sua negociação foi árdua. A proposta original previa gastos de US$ 3,3 trilhões, mas o montante foi reduzido para 1,75 trilhão durante as tratativas. O plano foi aprovado na Câmara dos Deputados em novembro por 231 votos a 218, com os deputados republicanos rejeitando a proposta de maneira unânime.

Senado a situação é mais séria. Há um empate numérico entre senadores republicanos e democratas. Constitucionalmente, o vice-presidente pode votar. Como Kamala Harris é democrata, isso faz pender a balança. Porém, sem o voto de Manchin, a aprovação fica comprometida.

As críticas do senador ao programa têm origem fiscal. Segundo Manchin, o Plano de Resgate Americano (American Rescue Plan), que paga US$ 300 para cada criança na família, é caro demais por custar US$ 185 bilhões por ano e seria “popular demais” para ser retirado posteriormente.

A retirada do voto – e o virtual cancelamento do programa – caiu como uma bomba sobre os mercados, que desabaram na segunda-feira (20). O banco de investimentos Goldman Sachs revisou para baixo suas projeções para o crescimento americano em 2022 devido à possibilidade de esses gastos não ocorrerem. O crescimento esperado do primeiro trimestre caiu de 3% para 2%, o do segundo recuou de 3,5% para 3% e o do terceiro foi reduzido de 3% para 2,75%. Somadas, as revisões indicam uma frustração de 1,75 ponto percentual no crescimento da economia americana no ano que vem.

Além da decisão de Manchin, os investidores voltaram a temer que as contaminações pela variante Ômicron do coronavírus deflagre uma nova onda de medidas de isolamento social. A Holanda já decretou um lockdown severo até depois do Natal. Em Londres, a tradicional virada de ano na Trafalgar Square foi cancelada. E o governo americano avalia o que fazer, pois só na semana passada houve cerca de 650 mil contaminações pela nova variante.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 estão iniciando o dia em alta, em uma reação à forte queda da véspera. No entanto, a incerteza com relação ao coronavírus poderá ampliar a volatilidade do mercado

As notícias são positivas para a bolsa em um cenário de volatilidade.

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