Levante Ideias - Wall Street

Quem lê tanta notícia?

A quarta-feira oferece um cardápio de notícias farto e variado para os investidores. Logo cedo, os mercados internacionais apresentam fortes quedas devido aos temores renovados de medidas de contenção na Europa e nos Estados Unidos. A justificativa é o crescimento dos casos de contaminação pelo coronavírus na segunda onda da doença. Em vários Estados americanos há notícias de que os hospitais estão voltando a ficar lotados. Em alguns casos, as autoridades médicas dos Estados Unidos avaliam a possibilidade de racionamento de leitos. Claro, novas medidas de restrição e isolamento social estão na lista, o que provocou uma queda acentuada das ações e das cotações do petróleo. Na Europa as ações chegam a cair mais de 3 por cento em Frankfurt e quase 2 por cento em Londres. E os preços do petróleo também recuam, com quedas superiores a 4 por cento tanto no Brent quanto no WTI, devido às perspectivas de uma nova retração da demanda.

O cenário internacional não é a única preocupação no radar dos investidores brasileiros. No fim da tarde será divulgado o comunicado da penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano. Apesar de ser praticamente certa a manutenção da taxa referencial Selic em 2 por cento ao ano, o que provoca mais curiosidade será o comunicado.

O Copom se encontra em uma encruzilhada. A retração esperada da economia para este ano permanece intensa. Os prognósticos da edição mais recente do boletim Focus indicam uma queda de 4,81 por cento no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o que justificaria juros menores. No entanto, a inflação pode estar despertando. A alta acumulada do IGP-M em 12 meses, até a segunda prévia de outubro, está em 20,56 por cento. No caso do IPCA, que serve de parâmetro para as metas de inflação e que oscila bem menos que o IGP-M, a alta acumulada nos 12 meses até setembro é de 3,14 por cento. É um patamar baixo e inferior ao centro da meta para o ano, mas está acima dos 2,44 por cento registrados nos 12 meses até agosto, o que justificaria uma postura mais firme. Tradução: alta dos juros.

Por isso, o comunicado a ser divulgado nesta quarta-feira vai ser lido com muita atenção. Ao divulgar o resultado do Copom, o Banco Central (BC) poderá ajustar a prescrição futura (forward guidance) para a política monetária e retirar do texto do comunicado a brecha deixada para um corte adicional, fechando a porta em definitivo. Um Copom mais conservador, indicando uma alta da Selic no curto prazo, é bem menos provável. Além do comportamento dos preços e do PIB, o BC terá de analisar com cuidado o comportamento das contas públicas. Um cenário fiscal pior do que o atual pode justificar uma alta da Selic antes do esperado.

Calma, que tem mais. Não bastasse a Covid-19 e o Copom, esta quarta-feira trará os resultados do terceiro trimestre de alguns pesos-pesados do mercado, como Petrobras (PETR3/PETR4), Vale (VALE3) e Bradesco (BBDC4), além de outras empresas de menor porte, mas também relevantes no pregão. Até agora, os resultados da maioria das companhias abertas referentes ao terceiro trimestre têm surpreendido positivamente os investidores, impedindo quedas mais abruptas das cotações.

A quarta-feira poderia ser um dia sem tendência definida devido às expectativas com o comunicado do Copom e os resultados das principais empresas do pregão. No entanto, as más notícias internacionais, a queda das cotações das ações e do petróleo lá fora e a incerteza com novas medidas de contenção justificam um dia de queda nos mercados.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

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