Levante Ideias - Desemprego

O emprego americano

Na manhã desta sexta-feira, o Bureau of Labor Statistics, vinculado ao Ministério do Trabalho americano, deverá divulgar a criação de empregos não-agrícolas de agosto.

O “non-farm payroll” é, tradicionalmente, um dos indicadores mais importantes da economia americana.

Recordando brevemente o que já discutimos várias vezes por aqui: o emprego é uma das variáveis mais “lentas” da economia.

Demora a piorar nas crises, demora a melhorar nos momentos de retomada.

Por isso, notícias sobre o emprego são essenciais para medir a temperatura da economia.

E, a partir dela, tentar antecipar os movimentos da política monetária – e as oscilações nos preços dos ativos financeiros.

A projeção para o “non-farm payroll” de agosto era da criação de 720 mil vagas, um número inferior às 943 mil vagas abertas em julho.

No entanto, o que realmente interessa são os próximos resultados.

Vamos fazer algumas contas.

Em junho e em julho, a economia americana criou 1,88 milhão de empregos. Supondo-se que o desempenho de agosto confirme as expectativas, serão mais de 2,6 milhões de vagas criadas após o fim da pandemia.

Entretanto, esse número impressionante não revela um fato grave: ainda assim, haverá 5 milhões de empregos menos do que em fevereiro de 2020, último mês antes de os dados começarem a ser afetados pelas medidas de restrição.

Há menos americanos dispostos a trabalhar.

Por três motivos.

O primeiro é o medo da pandemia: o cidadão prefere trabalhar de casa para evitar o risco de contaminação.

O segundo são as mudanças na maneira de trabalhar. Muitas pessoas, em especial os trabalhadores menos qualificados, descobriram que poderiam exercer atividades alternativas e obter mais ou menos a mesma renda com menos esforço.

E o terceiro, e mais sensível, é o reforço no seguro-desemprego, que vem garantindo a milhões de americanos de baixa renda uma maneira de pagar as contas sem ter de trabalhar.

Esse reforço no auxílio desemprego durou até agosto e não foi renovado.

Com o fim dos cheques semanais, muitos terão de procurar emprego para pagar as contas. Daí o número a ser divulgado em setembro ser tão importante.

Ele vai indicar como está, de fato, o mercado de trabalho americano.

E não podemos nos esquecer que, pelas declarações recentes de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, o emprego é a variável importante a ser observada por enquanto.

Uma retomada forte do emprego detectada em setembro pode antecipar bastante o tapering, que é o fim da compra mensal de US$ 120 bilhões em títulos.

O Fed já avisou que isso vai acontecer. Só não disse quando, algo que vai depender do nível de emprego.

Daí a importância do non-farm payroll de agosto e de setembro.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam o dia em leve alta, mas o mercado está com poucos negócios, à espera do resultado da criação de empregos nos Estados Unidos, o que deve elevar a volatilidade dos ativos.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: A retomada do emprego.

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