Levante Ideias - Banco Central

O dilema do Copom

Nesta semana será realizada a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2021. A certeza de que a taxa referencial Selic será elevada em 1,5 ponto percentual para 9,25% ao ano é quase absoluta, tendo em vista as declarações do próprio BC (Banco Central) nas Atas mais recentes das reuniões anteriores do Copom.

A questão é o que vai ocorrer depois. Segundo a edição mais recente do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira (06), a expectativa para a Selic em dezembro de 2022 está em 11,25%. O prognóstico para 2023 subiu para 8,00%, ante 7,75% na semana passada e frente a 7,50% há quatro semanas.

Ou seja, a expectativa dos investidores é de aumento dos juros se estendendo por muito mais tempo do que se esperava anteriormente.

Há outro ponto. Os prognósticos para o desempenho da economia também vêm piorando. A estimativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 foi reduzida para 4,71%, ante 4,93% há quatro semanas.

Essa não é a única redução.

A projeção para 2022 caiu para 0,51% ante 1,00% há quatro semanas. E até mesmo a expectativa para o PIB de 2023 recuou levemente. A projeção agora é de um crescimento de 1,95%, levemente abaixo dos 2,00%.

O que essa montanha de números quer dizer? A política monetária parece estar “atrasada” em relação ao comportamento da inflação e da economia real. Devido à pandemia, o BC manteve os juros em 2% ao ano por vários meses.

Isso impediu uma queda maior da economia devido à pandemia, mas também desancorou as expectativas de inflação. O quadro foi agravado pela alta dos preços das commodities e do petróleo, e pela escassez hídrica que vem pressionando para cima os preços dos alimentos.

Ou seja, se olharmos apenas para os índices de inflação, que devem ficar acima do teto da meta em 2022, o Copom deveria prosseguir em sua tarefa desagradável de elevar a taxa de juros e apertar a política monetária.

Porém, se observarmos apenas o comportamento esperado da economia real, o BC poderia até mesmo afrouxar a política monetária para conter a desaceleração esperada do PIB. Até porque a economia fraca poderá retirar energia dos índices de inflação.

Assim, a atividade econômica poderá desacelerar antes de a política monetária fazer efeito. Essa distorção temporal coloca o Copom em um dilema, que provavelmente só começará a ser resolvido em 2022.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa iniciam a semana e o dia com uma leve alta, estimulados por expectativas de que a variante Ômicron seja menos grave do que se temia.

Essa expectativa gerou um movimento de alívio nos mercados internacionais, com os contratos futuros do índice americano S&P 500 em leve alta.

As notícias são positivas para a Bolsa.

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Leia também: Copom aumenta Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano.

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