Levante Ideias - Selic

O Copom e os juros

A se confirmarem as expectativas dos investidores, o Copom (Comitê de Política Monetária) inicia sua primeira reunião de 2022 nesta terça-feira (1) com uma missão clara: seguir no processo de elevação dos juros para debelar uma inflação persistente. A dúvida de vários bilhões de reais é até quando isso será necessário.

A edição mais recente do Relatório Focus mostra que os prognósticos para a economia não são dos melhores. A projeção para o IPCA, que calibra a meta de inflação determinada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), está em 5,38%, acima dos 5,15% da semana passada e dos 5,03% esperados há três semanas.

As expectativas subiram também para índices mais instáveis. O IGP-M esperado para o ano está em 6,99%, 1,5 ponto percentual acima da projeção de há quatro semanas. Esse índice oscila mais que o IPCA devido ao peso das commodities em sua composição, e suas projeções são menos confiáveis.

Mesmo assim, a expectativa dos investidores e dos agentes de mercado é de preços em alta e acima das metas, apesar da prometida elevação da taxa Selic. Nesta terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou uma inflação industrial elevada.

Cabe aqui uma discussão. Vamos supor que a projeção do Focus para o IPCA de 2022 se confirme e a inflação para o ano fique em 5,38%. Será o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta do CMN. Porém, em 2021 a inflação foi de 10,06%, mais que o dobro do teto da meta. Em 2022, a se confirmarem os prognósticos, o descumprimento será por 0,38 ponto percentual.

Ambos os casos indicam que o BC (Banco Central), por meio do Copom, falhou em sua missão. Porém, é claro que o descumprimento da meta de 2021 foi muito mais grave do que o eventual descumprimento de 2022. Ou seja, não será necessário repetir a brutal elevação dos juros no ano passado, quando a Selic subiu de 2% para 9,25% ao ano em apenas dez meses.

Os prognósticos mais comuns são de uma elevação de 1,5 ponto percentual na Selic, que poderá ser seguida de uma alta de um ponto percentual na reunião seguinte, marcada para os dias 15 e 16 de março. Isso elevaria a Selic para 11,75% ao ano, patamar em que permaneceria pelos nove meses seguintes.

Será pouco? Será suficiente? Será demais? Essas dúvidas só serão esclarecidas a posteriori, no fim do ano, quando for possível saber se o endurecimento dos juros foi suficiente para deter a inércia da inflação.

Indicadores

A inflação no setor industrial foi de 28,39% em 2021, um recorde para a série histórica, que foi iniciada em 2014, informou o IBGE na manhã desta terça-feira (1). O Instituto divulgou o IPP (Índice de Preços ao Produtor). A alta de 2021 foi 9 pontos percentuais superior à de 2020. Isso ocorreu apesar de os preços terem recuado 0,12% em dezembro, a primeira queda em 18 meses. Segundo o IBGE, as causas foram o câmbio, a alta das commodities como minério de ferro e o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis.

E Eu Com Isso?

O primeiro pregão de setembro começa com quedas nos contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500. Apesar das altas da véspera em ambos os mercados, o movimento dos investidores nesta terça-feira é de uma realização pontual de lucros à espera de novas notícias que permitam firmar uma tendência.

As notícias negativas para a Bolsa.

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Leia também: Copom eleva Selic a 9,25% ao ano, maior patamar em quatro anos.

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