Marcelo Sayão/EFE/VEJA

Megaleilão da cessão onerosa: a mãe de todos os leilões – 06/11

Megaleilão da cessão onerosa: a mãe de todos os leilões

Marcado para começar às 10 horas desta quarta-feira (6), o mega leilão dos excedentes da cessão onerosa das jazidas do pré-sal será o maior negócio da história do Brasil em termos de exploração do petróleo. Serão leiloados quatro campos, todos na Bacia de Santos. Seus valores mínimos são expressivos. Búzios, o maior, tem um preço de 68,1 bilhões de reais. Seguem-se Sépia (22,8 bilhões de reais), Atapu (13,7 bilhões de reais) e Itapu (1,7 bilhão de reais). Somados, eles podem movimentar 106,3 bilhões de reais.

A grande incógnita é o percentual de participação da Petrobras (PETR3, PETR4). Duas petroleiras estrangeiras, a francesa Total e a inglesa BP, desistiram de participar. Ainda há outras 14 companhias interessadas no megaleilão da cessão onerosa. Seus nomes são um “quem é quem” da indústria global. A lista inclui as americanas ExxonMobil e Chevron, as chinesas CNODC e CNOOC, a colombiana Ecopetrol, a norueguesa Equinor, a portuguesa Petrogal, a malaia Petronas, a QPI, do Catar, a anglo-holandesa Shell e a alemã Wintershall Dea. E, é claro, a estatal brasileira.

Se o interesse das estrangeiras ficar abaixo do esperado, a Petrobras poderá ter de elevar sua fatia nos campos para garantir o sucesso do leilão. E lances por percentuais superiores a 50 por cento de cada bloco podem provocar dúvidas sobre o processo de redução no nível de endividamento da estatal. Para operar os campos, ela poderá ter de elevar seus gastos e desacelerar, ainda que momentaneamente, o processo de desalavancagem. Isso poderia reduzir as perspectivas de dividendos, algo que levou os investidores a uma posição mais defensiva na terça-feira (5), com queda de 2,34 por cento nos preços das ações PN (PETR4).

No entanto, esse efeito seria momentâneo. Segundo estimativas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as jazidas podem conter de seis a 15 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Na estimativa mais conservadora, é 20 por cento a mais que os cinco bilhões de barris concedidos originalmente à Petrobras em 2010, para a exploração dessa área. Na hipótese mais otimista, é quase o triplo do petróleo. A estimativa de produção nas quatro áreas é de 1,2 milhão de barris por dia, o que representa um aumento de 41,4 por cento na produção total de petróleo diários; para que se tenha ideia do salto que isso representará, a produção total de petróleo atingiu em agosto o recorde de 2,9 milhões de barris por dia.

E Eu Com Isso?

Apesar das turbulências e incógnitas esperadas no megaleilão da cessão onerosa, a simples abertura dessas áreas a uma exploração mais intensiva deverá aumentar a importância do País no mapa internacional do petróleo e reduzir a pressão sobre as contas públicas. Neste ambiente mais positivo, esperamos um bom dia para os ativos locais.

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