Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Mas e o Senado?

Todos estamos esperando pela finalização da lenta e gradual contagem de votos para a Presidência americana. Aliás, o resultado oficial, com praticamente 100 por cento dos votos apurados, não deve sair tão cedo – semana que vem, ou até mesmo na semana seguinte. Ao mesmo tempo, parece já existir um consenso entre as Casas Legislativas: a Câmara dos Representantes – o equivalente à nossa Câmara dos Deputados – irá permanecer nas mãos dos Democratas, apesar dos Republicanos terem ganho algumas cadeiras a mais nesse pleito; e o Senado americano, a não ser que haja uma grande surpresa, deve permanecer com o Grand Old Party (GOP), apelido do partido de Donald Trump.

Vale, porém, esmiuçar os resultados, no caso do Senado, para entender melhor como ficará a situação da Casa. Antes das eleições, o GOP tinha uma vantagem de três cadeiras sobre os Democratas no Senado: dos 100 senadores, 53 eram Republicanos, 45 Democratas e dois independentes, mas alinhados com o Partido Democrata. Agora, a situação atual é de 48 cadeiras para cada lado, faltando o resultado de quatro cadeiras.

A tendência é de que a margem de vantagem numérica dos Republicanos se estreite, caindo de 53-47 para 51-49. Porém, só saberemos, oficialmente, como ficará a disposição do Senado em janeiro de 2021. Isso porque o Estado da Geórgia, com duas cadeiras em disputa, possui uma regra que não permite que nenhum senador seja eleito com menos de 50 por cento dos votos. Em outras palavras, caso nenhum dos dois concorrentes (seja pelo partido democrata ou republicano) atinja esse percentual, há um segundo turno entre os dois mais bem votados. Isso pode ocorrer, pois existem candidaturas de outros partidos – apesar de insignificante do ponto de vista da possibilidade de vitória, essas candidaturas acabam angariando uma pequena porcentagem e, eventualmente, impossibilitando que um dos dois candidatos pelos dois grandes partidos atinja a maioria (50 por cento + 1 voto).

Nesse contexto, portanto, tudo indica que as duas cadeiras da Geórgia irão para o segundo turno em janeiro do ano que vem, deixando em aberto a possibilidade de já cravar uma maioria partidária no Senado ainda este ano. As outras duas cadeiras (uma no Alaska e uma na Carolina do Norte) devem ir para o GOP assim que a apuração terminar, ficando o placar dos partidos com 50 senadores republicanos e 48 democratas. Tudo mais constante, o segundo turno da Geórgia terá Raphael Warnock (Democrata) vencendo sua concorrente, Kelly Loeffler, e David Perdue (Republicano) vencendo Jon Ossof. Somente assim, chegaremos aos previstos 51 a 49 no Senado.

Apesar de não confirmada, mas muito provável, a maioria republicana no Senado é importante para frear medidas de Joe Biden (caso ele vença, o que parece mais provável) consideradas impopulares pelo mercado – caso da revogação do corte de impostos sobre corporações feito por Donald Trump. Esse jogo de equilíbrio deve restringir qualquer projeto mais “radical” que Biden, eventualmente, poderia querer levar adiante.

Por isso, os mercados americanos vêm reagindo bem ao desfecho das eleições e o Ibovespa tem acompanhado. Para o pregão de hoje, contudo, o forte discurso proferido por Donald Trump ontem à noite pode trazer alguma realização em um primeiro momento.

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