presidente-da-camara-rodrigo-maia-a-esq-se-senta-a-mesa-diretora-ao-lado-de-paulo-guedes-na-comissao-da-previdencia-1557339441603_v2_900x506

Atritos no governo

A relação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, continua bastante tensionada. Já desgastada há algum tempo – desde desavenças técnicas, como o desenho da reforma tributária, a questões pessoais, como a luta por protagonismo no Planalto –, a relação entre os dois ministros teve outro episódio de troca de farpas na última sexta e durante o fim de semana.

De modo latente, existe uma divisão bastante clara entre fiscalistas, grupo liderado pelo ministro da Economia, e desenvolvimentistas, ligados a Marinho. Como pano de fundo dessa disputa, está o teto de gastos. Marinho considera que haveria espaço para excluir o Renda Cidadã do limite de teto, ainda que temporariamente. Na sexta-feira, após conversa de Marinho com investidores em que o ministro do Desenvolvimento Regional teria afirmado que o programa vai ser criado “de qualquer jeito”, levantou-se rumores de que Marinho teria, também, falado mal de Guedes. Segundo Marinho, Guedes teria perdido a confiança do senador Márcio Bittar, relator do Orçamento de 2021, e a equipe econômica estaria “desgovernada”.

O ministro da Economia reagiu, afirmando que não acreditava que Marinho havia feito tais comentários, mas se o fez, o seu colega seria “despreparado, desleal e fura teto”. Marinho, por sua vez, afirmou posteriormente que suas falas teriam chegado à imprensa “de maneira distorcida”. Interlocutores do Planalto tiveram que correr para colocar panos quentes na história, uma vez que a semana passada trouxe bastante instabilidade para os mercados.

O mais recente desentendimento entre as partes expõe o porquê de os investidores estarem preocupados com a condução da política econômica do governo atual. Diante de um dilema (como financiar o Renda Cidadã?), pressões antifiscalistas ficam cada vez mais intensas e a equipe econômica corre contra o tempo para apresentar uma alternativa que financie o programa sem aumentar gastos.

Paulo Guedes acaba sendo – parafraseando o que o próprio ministro disse sobre o teto de gastos – a última barreira para o populismo fiscal, cujas consequências o mercado sabe que são extremamente negativas. Infelizmente, Guedes vai ficando cada vez mais isolado na sua luta contra o rompimento do teto. Recentemente, o ministro da Economia cortou relações com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e agora o novo atrito com Marinho deixa os investidores apreensivos quanto ao futuro político do ministro.

O fim de semana acabou servindo para apaziguar os ânimos entre os lados e o mercado não deve penalizar o último revés político do governo, com exceção das curvas de juros futuros, que devem apresentar alta nesta segunda.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

Compartilhe

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook

Ajudamos você a investir melhor, de forma simples​

Inscreva-se para receber as principais notícias do mercado financeiro pela manhã.

Recomendado para você

Artigos

Resultados do 2T20 da CVC

A CVC (CVCB3) apresentou nesta segunda-feira (20), após o fechamento do mercado e com atraso, seus resultados do segundo trimestre de 2020. Como era de

Read More »
Política Sem Aspas

O desafio do teto – parte I

No Comentário de nº 9 da Instituição Fiscal Independente, “Considerações sobre o teto de gastos da União”, Felipe Salto, Daniel Couri e Josué Pellegrini recortam

Read More »
Fechar Menu

Fechar Painel