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Atacarejo ganha espaço

O câmbio valorizado e a alta na demanda por commodities pelos principais países desenvolvidos gerou uma alta de preços forte nos alimentos, dando-lhes uma posição de destaque na alta da inflação (IPCA) desde o início da pandemia.

As restrições à circulação, o medo e a incerteza em relação à pandemia e o auxílio emergencial generoso favoreceram o comércio varejista alimentar (supermercados em geral), com o orçamento familiar migrando para um maior consumo em casa e para itens de primeira necessidade, em detrimento do consumo discricionário (moda, vestuário e calçados, entre outros).

Todos os segmentos do varejo alimentar foram favorecidos em 2020, inclusive o hipermercado, que oferece a possibilidade de compra única por um período longo, evitando as várias idas ao mercado para comprar as necessidades domésticas.

O segmento de proximidade também veio com forte crescimento, com o público preferindo o comércio local para abastecer a casa.

O movimento vem se revertendo no ano de 2021, com a volta de circulação, maiores informações disponíveis sobre a pandemia e avanço no ritmo de vacinação.

A economia segue devagar, com alto índice de desemprego, além do fim do auxílio emergencial em patamares de 2020, com as atenções do orçamento familiar se voltando para a economia de preços.

Com isso os atacarejos seguem em ritmo forte de expansão, em detrimento dos hipermercados e proximidade.

Segundo dados da Nielsen, a participação no total de vendas do segmento de hipermercados recuou de 22,8 por cento de janeiro a maio de 2020 para 20,6 por cento neste ano, desde o início.

Já os Atacarejos ganharam ainda mais espaço, com a fatia passando de 31,7 por cento para 34 por cento no mesmo período de análise, com crescimento de 19,9 por cento, acima dos 11 por cento do setor de varejo alimentar em geral.

E Eu Com Isso?

Os dados balizam a expectativa de desempenho das empresas do setor com capital aberto de maneira imediata (CRFB3, PCAR3, ASAI3 e GMAT3) para o segundo trimestre de 2021.

As grandes vencedoras no curto prazo são as que mantêm a estratégia de Atacarejo e ritmo de expansão forte com a abertura de lojas daqui em diante, que são as três grandes do setor, exceto o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3).

Esperamos um movimento positivo para as três empresas que mantêm a estratégia de Atacarejo no curto prazo, enquanto para o PCAR3 esperamos que haja uma leve pressão negativa por ora nas ações.

O Carrefour (CRFB3) segue em linha de crescimento mirando a diversificação de atuação cada vez maior no segmento de varejo alimentar.

Com a compra do grupo Big, anunciada no início deste ano, a companhia coloca em seu guarda-chuva seis diferentes tipos de rede, com o  Atacado Premium e Clube de compras Exclusivo (Sam’s Club), Hipermercados (Big e Carrefour), Supermercados (Nacional e Super Bom Preço), Proximidade (Carrefour Express), Desconto Recorrente (Rede TodoDia) e Atacarejo (Maxxi, Atacadão).

O Grupo Mateus (GMAT3) também segue expandindo o Atacarejo de maneira prioritária, porém também mantém diferentes marcas e redes em seu portfólio, com Hiper, Super, Proximidade e Atacado.

Assaí (ASAI3) vem como puro player de Atacarejo, com investimentos ambiciosos de expansão e melhoria gradual da experiência de compra do cliente. O foco em um segmento permite um custo global mais baixo que o de seus concorrentes.

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) é o que mais sofre nesse contexto de inflação alta e renda familiar em situação precária, mantendo os segmentos que vêm reduzindo sua participação no mercado no curto prazo, com Hiper (Extra), Super (Mercados Extra), Mercado alto padrão (Pão de Açúcar) e proximidade (Mini Mercado Extra e Minuto Pão de Açúcar)

A companhia vem retomando a reformulação e expansão de suas lojas e estratégia comercial, com foco em segmentos mais promissores (Proximidade e Supermercados), agregando cada vez mais recursos para melhora da experiência de compra do cliente como o James Delivery e parceria com Ifood para entregas rápidas e capilaridade, além do programa de fidelidade Stix em conjunto com a RD (RADL3), reforço na estratégia digital e preços de atacado selecionados nas lojas Hiper do Extra.

No horizonte curto, os Atacarejos continuarão a expandir de forma mais forte, ganhando cada vez mais rentabilidade pela baixa necessidade de investimento em capital fixo relativamente aos demais segmentos.

A estratégia do GPA (PCAR3) em específico, irá demorar mais para ganhar tração, porém os resultados nas margens brutas indicam que a rentabilidade retornar a patamares de seus melhores momentos está mais próximo e a caminho de ocorrer.

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Leia também: Carrefour Brasil (CRFB3) dobra aposta no atacarejo.

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