Levante Ideias - Paulo Guedes

Alívio com juros da dívida

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (18), que o governo deve economizar cerca de 400 bilhões de reais com o custo da dívida entre 2019 e 2023. Segundo o ministro, os juros baixos no Brasil possibilitaram uma economia de 80 bilhões de reais no pagamento de juros no primeiro ano de governo, 120 bilhões de reais neste ano e a expectativa é de economias na casa dos 100 bilhões em cada um dos próximos dois anos.

Guedes ressaltou que o governo foi responsável por quebrar “a dinâmica explosiva dos gastos”, ao aprovar uma reforma da Previdência e tomar outras medidas de austeridade fiscal, como o congelamento dos salários de servidores. Ainda, o economista declarou que o País, hoje, “é um país de juro mais baixo” e de “câmbio de equilíbrio mais alto” – frisando, que há um lado positivo na alta da moeda, por exemplo, no caso das exportações brasileiras.

Por fim, Guedes voltou a defender o teto de gastos públicos mesmo com o Orçamento de 2021 bastante apertado, indicando que a saída para resolver esse imbróglio é pela desindexação dos gastos. Enquanto não houver coragem para enfrentar a indexação automática dos dispêndios públicos, disse o ministro, o Brasil não poderá viver sem um mecanismo como o teto de gastos.

De fato, o custo da dívida pública tem diminuído, uma vez que ela é financiada por meio da emissão de títulos que, por sua vez, vêm pagando prêmio de risco historicamente bem abaixo do patamar “normal” para o Brasil. Outro movimento feito pelo Tesouro Nacional, que barateia os juros da dívida, é o encurtamento do perfil das emissões de títulos (como os juros futuros de ponta mais longa estão pagando um prêmio de risco mais elevado, diante de uma Selic a 2 por cento, o Tesouro tem optado por emitir títulos com vencimento menor – até 2025, por exemplo – e com prêmio mais moderado).

No entanto, se a trajetória da dívida pública brasileira não é mais explosiva, ela também não é exatamente confortável. Trabalhamos com uma relação dívida/PIB para o fim deste ano de cerca de 90 a 95 por cento, um patamar elevado se considerarmos o grupo de países emergentes. Evidentemente, a pandemia piorou o quadro fiscal brasileiro, mas a saída desse cenário passa fundamentalmente por uma reforma no gasto público e em outras medidas de aumento de produtividade e melhoria no ambiente de negócios.

E essas reformas ainda precisam ser endereçadas pelo governo. Por isso, o mercado ainda não compreende como viável a manutenção da Selic a 2 por cento, mesmo no curto prazo. Para o pregão de hoje, a notícia da economia com os juros, levemente positiva, deve ser ofuscada pelo tom negativo de outras notícias mais importantes no curto prazo.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

O conteúdo foi útil para você? Compartilhe!

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook

Recomendado para você

Levante Ideias - Federal Reserve
E eu com isso

O Fed e a China

A terça-feira (27) começa com os mercados sob forte expectativa do que vai ocorrer nas principais economias. Há pontos que demandam atenção nos Estados Unidos,

Read More »
Levante Ideias - Dinheiro
E eu com isso

Veto ao fundão

O presidente Bolsonaro confirmou, nesta segunda-feira (26), que deve vetar o montante de R$ 5,7 bilhões destinados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (mais

Read More »
Levante Ideias - Tesla
E eu com isso

Resultados da Tesla (TSLA) do 2T21

A Tesla (TSLA), referência global no mercado de veículos elétricos, apresentou nesta segunda-feira (26), após o fechamento do mercado, o seu resultado referente ao segundo

Read More »

Ajudamos você a investir melhor, de forma simples​

Inscreva-se para receber as principais notícias do mercado financeiro pela manhã.

Fechar Menu

Fechar Painel