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A sexta-feira começa negativa

A sexta-feira (15) tinha tudo para ser um dia de alta. O barril de petróleo estava subindo de manhã, com a perspectiva de crescimento da demanda chinesa. O governo chinês informou que a produção industrial cresceu 3,9 por cento em abril, acima da projeção de 1,5 por cento. A possibilidade de normalização da economia da China oferecia um suspiro de alívio. No entanto, uma declaração do presidente americano, Donald Trump, de que “não queria conversar” com o líder chinês Xi Jinping azedou os ânimos dos investidores logo cedo, e fez os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 começarem o dia em baixa.

Autoridades e líderes políticos podem – e devem – discordar. A descrição de seus cargos exige que eles cuidem dos interesses de seus liderados, não dos interesses dos oponentes políticos ou econômicos. No entanto, essa discordância não deve impedir o diálogo, que é muito importante para a economia e para as expectativas de empresários e investidores.

Tomemos, por exemplo, o comportamento dos mercados na quinta-feira (14). O dólar chegou a rondar 5,97 reais, mas fechou a 5,819 reais, queda de 1,39 por cento. E o Índice Bovespa chegou a amargar uma baixa de 2,67 por cento, mas fechou em alta de 1,59 por cento. O que mudou ao longo do dia? O fato de que Jair Bolsonaro encontrou-se com Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. 

Isso fez toda a diferença em um dia que poderia ser tenso na política. A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transcrição de trechos do vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro, supostamente, teria manifestado sua intenção de interferir na Polícia Federal, algo com conteúdo potencialmente explosivo. 

No entanto, o impacto foi fraco, apenas pelo fato de Maia e Bolsonaro terem sentado para conversar. De concreto, a conversa trouxe pouco. Apenas declarações genéricas de que a reunião serviu “para manter o diálogo”. No entanto, a mera disposição em conversar, aparar as arestas, e negociar o apoio do Centrão ao governo para fazer avançar as reformas serviu para melhorar a disposição dos investidores, reduzindo a tensão na bolsa e no câmbio.

Por isso, as declarações de Trump de que não quer conversa com Xi Jinping assustam tanto. São apenas movimentos normais em uma complicada guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Mas a disposição para não sentar e negociar torna as consequências imprevisíveis. E imprevisibilidade tem preço. 

INDICADORES 1 – O Banco Central (BC) divulgou, na manhã desta sexta-feira (15), o IBC-Br de março, indicando uma queda de 5,89 por cento na atividade econômica em relação a fevereiro, considerando dados dessazonalizados. O IBC-Br é um índice de atividade econômica calculado pelo BC e que funciona como uma indicação do comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), que é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a março de 2019, o IBC-Br indica uma queda de 4,24 por cento na atividade econômica, também considerando dados dessazonalizados.

INDICADORES 2 – A confiança dos empresários e dos consumidores parou de cair. Segundo uma prévia das Sondagens de Confiança levantadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Índice de Confiança Empresarial (ICE) de maio deverá subir para 63,5 pontos, alta de7,7 pontos ante os 55,8 pontos registrados em abril. Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) deverá subir para 64,7 pontos, alta de 6,5 pontos ante os 58,2 pontos de abril.

O aumento da confiança na prévia de maio foi determinado por alguma redução do pessimismo em relação aos próximos meses. A percepção sobre a situação corrente ficou estável tanto para empresas quanto para consumidores. “Pode estar ocorrendo uma adaptação das expectativas ao ‘novo normal’ do período de crise”, diz Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora das Sondagens da FGV IBRE.

O cenário político nacional está menos anuviado. Várias empresas relevantes no pregão já divulgaram os resultados do primeiro trimestre, permitindo uma avaliação melhor sobre os efeitos da pandemia sobre as últimas linhas dos balanços. No entanto, o aumento da tensão econômica internacional deve levar a uma abertura em baixa, em mais um dia de forte volatilidade.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

Leia também: China exporta mais que o esperado e agita o mundo

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