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A inflação passada e a futura

A divulgação de um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 0,73% em dezembro, cravando uma inflação “oficial” de 10,06% em 2021, é mais importante em termos “históricos” do que práticos. Para a vida real e para o dia a dia do mercado, o mais interessante é a inflação que vai ocorrer, não a que passou. Mesmo assim, é possível analisar como os preços se comportaram no ano passado para tentar antecipar como eles poderão se comportar ao longo de 2022.

Na prática, a inflação de 2021 foi a maior taxa acumulada no ano desde os 10,67% de 2015, e extrapolou a meta de 3,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2021, cujo teto era de 5,25%. O resultado de 2021 foi influenciado principalmente pelo grupo Transportes, que apresentou a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 pontos percentuais) no acumulado do ano.

Isso continua? Como a economia brasileira está desaquecendo, os principais vetores da inflação deverão ser principalmente externos: a taxa de câmbio e os preços das commodities. Os preços da energia e dos combustíveis deverão seguir sendo determinantes na evolução dos índices de inflação.

Comecemos pelos preços da energia, mais especificamente a eletricidade. A grande quantidade de chuvas provocada pelo fenômeno meteorológico “La Niña” permitiu a recuperação parcial dos reservatórios das usinas hidrelétricas. O ano de 2021 caracterizou-se pela pior seca em mais de 90 anos, o que literalmente secou os reservatórios, principalmente os da região Sudeste. Com isso, as empresas do setor tiveram de acionar as usinas termelétricas, que produzem energia mais poluente e cara.

E no caso das commodities? A expectativa de que a agropecuária possa melhorar o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano não está garantida. A piora das condições climáticas está pondo a produção em risco. O La Niña não chegou a prejudicar a safra de soja, que já havia sido plantada e foi recorde.

Neste ano, porém, as consequências do La Niña se anteciparam e estão sendo potencializadas por outro fenômeno, o aquecimento das águas do Atlântico Equatorial, que banha o Nordeste.

Resta o câmbio. Os juros americanos devem subir. Na sexta-feira (7), o BLS (Bureau of Labor Statistics), órgão americano equivalente ao IBGE, anunciou a criação de 199 mil empregos não agrícolas (“non farm payroll”) em dezembro. Ao contrário do que ocorreu com a informação da ADP, o resultado foi metade do esperado.

Mesmo assim, a taxa de desemprego caiu para 3,9%, a menor desde o início da pandemia, e menor que a expectativa, que era de 4,1%. Isso levou muitos investidores a aumentar sua expectativa para os juros americanos.

Atualmente, as taxas referenciais dos Fed funds, equivalentes à Selic brasileira, estão ao redor de zero. Até a semana passada, o prognóstico dos participantes do mercado era de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, elevaria esses juros três vezes neste ano.

As três altas, provavelmente de 0,25 ponto percentual, levariam os Fed Funds a 0,75% ao ano em dezembro. Agora, os grandes agentes do mercado já começam a prever quatro altas, com as taxas chegando a 1% no fim de 2022.

Juros americanos mais elevados aumentam a atratividade dos investimentos em dólar e tendem a drenar recursos de países emergentes, o Brasil entre eles. Isso deve manter o dólar apreciado em relação ao real, o que dificulta a queda da inflação e obriga o BC (Banco Central) a manter a taxa Selic elevada por mais tempo.

E Eu Com Isso?

Apesar de os contratos futuros do índice americano S&P 500 estarem iniciando o dia com uma leve alta, os contratos futuros do Ibovespa começam a terça-feira em queda devido aos prognósticos negativos provocados pela chuva. No entanto, essa trajetória pode mudar durante o pregão.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Como o Banco Central vê a inflação.

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