Levante Ideias - Domingo de Valor

Um trimestre de resultados recordes

A alta de commodities e a recuperação da economia americana levaram algumas companhias brasileiras aos melhores desempenhos de sua história. Saiba como ganhar com isso

 

Gerdau (GGBR4). Suzano (SUZB3). Marfrig (MRFG3). Weg (WEGE3). Assaí (ASAI3). O que essas cinco empresas abertas têm em comum? Todas elas divulgaram resultados recordes no terceiro trimestre de 2021. E não devem ser as únicas. Um levantamento realizado pela Levante Ideias de Investimento com 39 das empresas abertas que já haviam divulgado resultados do 3T21 até a sexta-feira (29) mostra que as companhias brasileiras seguiram fazendo sua lição de casa. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia e pelas incertezas na macroeconomia, as Sociedades Anônimas continuaram melhorando suas atividades e seu desempenho, e brindando os acionistas com excelentes resultados.

No levantamento foram excluídos os bancos. Apesar de as duas instituições financeiras que liberaram seus números, Santander Brasil (SANB11) e Inter (BIDI11) terem mostrado bons números – o Santander divulgou a melhor rentabilidade patrimonial de sua história –, optamos por comparar apenas as empresas que divulgassem receita e geração de caixa (Ebitda), dois parâmetros contábeis que os bancos reportam de maneira distinta.

Também foram excluídos alguns pontos fora da curva, como as empresas que divulgaram resultados quase 9.000 por cento acima dos números do 3T20. Esses números decorrem de ajustes não-recorrentes, e sua inclusão poderia distorcer a análise. Mesmo assim, os números são dignos de comemoração. Vamos lá.

 

Observando os números

Receita: na média, o faturamento das empresas da amostra avançou 37,8 por cento no terceiro trimestre na comparação anual. Como a inflação foi elevada nesse período, também foi feita a atualização monetária dos resultados. Os números também são pujantes, com um crescimento de 25 por cento.

Ebitda: esse indicador é uma boa indicação da geração de caixa decorrente das operações da empresa, sem as distorções da tributação e dos custos financeiros, que podem provocar desvios nos resultados e na interpretação. Esse foi o melhor resultado obtido no levantamento. Na média, o Ebitda cresceu impressionantes 85,7 por cento na comparação anual, e 68,4 por cento quando descontada a variação da inflação. Trataremos disso a seguir.

Lucro Líquido: apesar do expurgo de todas as companhias cujas variações superaram 1.000 por cento, o crescimento nos lucros líquidos foi de 89 por cento na variação anual, em termos nominais. E, a título de curiosidade: sem o expurgo dos “outliers”, o crescimento dos resultados teria sido de 484 por cento. Foram descartados os casos em que a empresa apresentou prejuízo no 3T20 e lucro no 3T21, pois a variação matemática não tem sentido em termos financeiros.

 

Commodities e Estados Unidos

A justificativa para boa parte desses ganhos estrondosos foi a alta das commodities, que beneficiou companhias como Gerdau e Suzano, e deve seguir beneficiando as demais empresas do setor. E no caso de Marfrig e Gerdau, além dos preços favoráveis, a recuperação acelerada da economia americana, onde essas empresas têm atividades relevantes, justificou os resultados recordes – sem contar o efeito benéfico de um real depreciado para quem possui receitas em dólar.

A Petrobras teve seus resultados turbinados pela alta do petróleo, apesar de seu lucro ter sido inflado por um evento não-recorrente, a reavaliação de seus ativos. Sem isso, o resultado também teria sido excepcional, com um ganho de 17,4 bilhões de reais. A empresa exibiu um Ebitda recorrente de 63,8 bilhões de reais, com margem de 52,5 por cento, permanecendo em patamares elevados.

A Vale (VALE3) também mostrou um bom resultado, apesar de os preços do minério de ferro terem desabado nas últimas semanas de setembro devido a problemas setoriais na China, como a inadimplência da incorporadora Evergrande. No entanto, há dois fatores. Um deles é o descasamento entre oferta e demanda de minério, que deverá manter as cotações acima de 100 dólares por tonelada. O outro é a política da companhia de dar prioridade à exportação de minério de melhor qualidade nos próximos trimestres, de modo a elevar os prêmios. Os dois fatores são benéficos para as margens da Vale, e vão permitir que ela siga sendo uma forte geradora de caixa.

Outras companhias não ligadas a commodities, como Multiplan (MULT3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Hypera (HYPE3) também mostraram resultados acima das expectativas, seja por terem preservado sua alavancagem operacional, seja por terem aproveitado seu caixa para fazer aquisições que agregaram valor para o acionista. Isso também valeu para empresas de serviços como EDP Energias do Brasil (ENBR3) e Neoenergia (NEOE3).

 

O micro e o macro

Apesar de tantos bons resultados, a principal tarefa dos analistas da Levante Ideias de Investimentos é orientar o investidor tanto nos momentos de preocupação quanto nas horas de euforia. E apesar de os resultados positivos deverem ser comemorados, é preciso observá-los de maneira fria e cautelosa.

O desempenho do 2T21 já havia sido muito bom, mas os números foram distorcidos pela base de comparação deprimida: o 2T20 foi o pior momento da pandemia no Brasil. O avanço do 3T21 na comparação anual é mais consistente, pois o mesmo período de 2020 já mostrava uma recuperação da atividade econômica. Mesmo assim, ainda há um pouco de “efeito Covid-19” nos números.

Outro ponto é que a melhora dos resultados é um evento microeconômico, não macroeconômico. Explicando. As empresas que mostraram resultados recordes tiveram seus números beneficiados por eventos como a alta das commodities, o crescimento da economia americana e o acerto de sua estratégia. Não queremos, com isso, desmerecer qualquer um desses bons resultados. Eles são louváveis, ainda mais por terem sido obtidos em um cenário adverso.

Ou seja, apesar de algumas empresas terem prosperado, a economia em geral não está em um momento de prosperidade, o que dificulta a manutenção de bons desempenho e que companhias que não estão tão bem possam virar o jogo no curto prazo.

Finalmente, há os problemas que existem para além dos muros da empresa. Enquanto empresários, executivos e colaboradores se dedicam a melhorar os negócios, em Brasília prossegue firme e forte o desmonte do equilíbrio das contas públicas que foi tão duramente conseguido. Isso não ajuda nenhuma empresa em nenhum setor.

 

Momento de compra?

A conclusão é simples. Apesar de as quedas recentes do Ibovespa e dos bons resultados das empresas parecerem indicar que há um saldão no pregão, com muitas pechinchas, não é bem assim. Há, de fato, muitas empresas com relações promissoras entre risco e retorno, especialmente para o investidor que pensa no longo prazo – abordagem defendida pela Levante Ideias de Investimentos. No entanto, não são todas as empresas e todos os papéis que podem propiciar bons resultados, ainda mais quando se pensa que em 2022 será um ano eleitoral, e por isso mesmo sujeito a solavancos e a sustos. Será preciso escolher com cuidado. E, para isso, conte com a orientação dos analistas da Levante.

 

Bom domingo, e bons investimentos.

 

Equipe Levante

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