Pague Menos: maior risco de execução

Na coluna de hoje, vou falar sobre a abertura de capital (Initial Public Offering, IPO) da Pague Menos S.A., a terceira maior rede de farmácias do Brasil, líder de mercado nas regiões Nordeste e Norte.

Direto ao ponto

A minha recomendação é NÃO ENTRAR na oferta pública inicial (IPO) da Pague Menos.

Eu gosto da estratégia de negócios da Pague Menos, mas acredito que a relação entre risco e retorno das ações não é favorável ao investidor.

Os indicadores de rentabilidade da Pague Menos são inferiores aos da concorrência (Droga Raia e Panvel) e os múltiplos podem ser considerados elevados no preço pretendido na oferta.

O risco de execução da Pague Menos é mais alto e a oferta deveria vir com desconto em relação às ações da Panvel em termos de múltiplo preço/lucro.

Motivos para ficar de fora do IPO do Pague Menos

Em resumo, os cinco principais motivos para ficar de fora do IPO da Pague Menos são:

  1. Valuation: múltiplo preço/lucro 2021 elevado da Pague Menos de 30,6x, comparado a 48,8x para a Droga Raia (RADL3), referência em operação de varejo de farmácias e acima do múltiplo de Panvel (PNVL3), que é de 29,5x;
  2. A empresa vem perdendo participação de mercado no “quintal de casa”, a região Nordeste, com participação de 18,6 por cento em junho de 2020 (21 por cento em 2018 e 20,5 por cento em 2019);
  • As despesas com vendas da Pague Menos atualmente são mais elevadas do que a média do setor: equivalentes a 24 por cento da receita bruta, comparadas com 20 por cento a 21 por cento da receita bruta para Droga Raia e Panvel;
  1. Participação menor do canal digital: 3,9 por cento das vendas totais, comparado a 12,7 por cento da Panvel e a 7,6 por cento da Droga Raia.
  2. A Pague Menos ainda não tem experiência de crescimento de novas lojas e deverá enfrentar as “dores do crescimento” na inauguração de novas unidades.

Perfil da empresa

A Pague Menos S.A. é a terceira maior rede de farmácias do Brasil. É líder de mercado nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Tem 1.112 lojas em todo o País, com presença nos 26 Estados e no Distrito Federal.

O modelo de negócios da rede Pague Menos baseia-se na venda de produtos e serviços voltados para a saúde e para o bem-estar, com atuação 100 por cento no mercado de varejo de especialidade por meio do conceito de hub de saúde.

A Companhia foca na venda de medicamentos de marca e genéricos, seja por meio de prescrição médica ou Over-The Counter (OTC) (produtos isentos de prescrição) e produtos de higiene e beleza, compondo quase 15,6 mil itens adquiridos de 440 fornecedores diferentes, além de medicamentos formulados.

Público alvo

O público alvo da Pague Menos pertence às classes C e D (66 por cento do total) e parte da classe B (29 por cento do total), com faixa etária média de 58 anos.

Segundo a empresa, 66 por cento das lojas localizam-se em regiões cujo grupo socioeconômico predominante pertence aos nichos acima, enquanto que 29 por cento das lojas estão em regiões de classes B1 (estrato mais rico da classe B) e aproximadamente 5 por cento em regiões de classe A.

Estratégia

A estratégia de crescimento da empresa, desde a entrada do fundo de private equity americano General Atlantic em sua base acionária, tem sido a de expansão orgânica com reciclagem do portfólio de lojas.

Desde 2016 a Pague Menos fechou 58,2 por cento das lojas, unidades antigas que não faziam mais sentido no novo modelo de negócios, com objetivo de aumentar as vendas por loja.

Entretanto, a empresa tem sofrido com o aumento da concorrência, com perda de market share no Nordeste, a sua principal região de atuação (dois terços das lojas).

Leia o artigo completo no site da Investing.

Abraços,
Eduardo Guimarães

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