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O caixa é soberano

Nesta coluna, continuo a falar sobre os critérios fundamentalistas mais importantes que utilizo para analisar uma empresa e compor minha carteira de ações.

Receita é vaidade, lucro é sanidade e o caixa é o que manda

O assunto deste texto é um dos critérios mais importantes da análise fundamentalista: geração de caixa uma empresa. A sobrevivência de uma empresa é função direta do seu fluxo de caixa no futuro.

De que adianta ficar olhando somente para o velocímetro do carro (lucro) quando o tanque de combustível (caixa) está quase vazio? Nesse caso, o carro (empresa) pode ficar pelo meio do caminho.

Cálculo da geração de caixa de uma empresa

A conta mais simples para saber a geração de caixa de uma empresa é a variação do endividamento líquido em determinado período. Expliquei como medir o grau de alavancagem de uma empresa na semana passada.

A dívida líquida de uma empresa é a soma de todas as dívidas (financiamentos, debêntures, etc.), subtraído do caixa e aplicações financeiras. Se a dívida líquida aumentar em determinado período, quer dizer que a empresa não está gerando fluxo de caixa positivo.

Entretanto, a análise da variação apenas do endividamento líquido no período é incompleta, pois a empresa pode estar em crescimento e realizando investimentos em novos produtos/capacidade.

Demonstração de fluxo de caixa livre para o acionista

Eu falei sobre fluxo de caixa na minha primeira coluna Domingo de Valor, assunto essencial na análise fundamentalista de empresas.

O fluxo de caixa é calculado da seguinte forma:

(+) lucro líquido da empresa

(-) investimentos em novos projetos

(+/-) variação capital de giro

(+/-) variação no endividamento

(+) depreciação dos ativos (a depreciação é uma despesa contábil que não é caixa, por essa razão é somada de volta)

Neste caso, o resultado é a variação do saldo de caixa e aplicações financeiras em determinado período.

Se for positivo aumenta o saldo de caixa, se for negativo diminui o saldo do caixa.



O ativo que vai fazer você ganhar dinheiro em 2019

Será revelado nesta terça-feira, 18 de dezembro, o investimento pouco conhecido capaz de enriquecer muitos brasileiros em 2019.

O anúncio será em um Webinar Ao Vivo, que começará às 20h30 em ponto.

Participarão da transmissão os analistas Rafael Bevilacqua, Eduardo Guimarães, Glenda Ferreira e Rafael Bevilacqua.

Clique aqui para se inscrever no evento.



Como medir a recorrência de um fluxo de caixa

Muito importante não considerar eventos não recorrentes que podem afetar o fluxo de caixa de uma empresa em determinando período: recebimento de venda de ativos, despesas não recorrentes e outros efeitos contábeis.

No caso de um investimento em nova planta que ainda não iniciou a sua produção, portanto, ainda sem geração de receita, o desembolso com o novo projeto de investimento afeta negativamente o caixa e o nível de endividamento no período. Muitas vezes o novo investimento é financiado através de dívida com terceiros.

A geração de caixa e o nível de endividamento de uma empresa estão bastante relacionados. Uma empresa em fase crescimento (ex: setor de varejo eletrônico) precisa fazer novos investimentos e ‘queima caixa’ no período.

Esse consumo de caixa tem impacto no nível de endividamento da empresa, que geralmente tem um limite definido pelas cláusulas financeiras (covenants) com as instituições financeiras determinado pela relação dívida líquida/Ebitda.

Em determinado momento, a empresa que está em crescimento deverá começar a gerar caixa, senão pode acabar como o carro que está ficando sem combustível na estrada.

Ebitda como medida de geração de caixa

O lucro operacional antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (da sigla em inglês Ebitda) é frequentemente utilizado como uma medida da geração de caixa de uma empresa.

Eu sempre tomo muito cuidado ao analisar o release de resultados de uma empresa para checar o Ebitda. Muitas vezes, as empresas classificam despesas recorrentes (ex: despesas com provisões) como não recorrentes, o famoso ‘Ebitida ajustado’.

Os leitores da coluna têm bastante dúvidas sobre o Ebitda, então eu explico a seguir a minha metodologia de cálculo do Ebitda de qualquer empresa (exceto bancos).

Ebitda = Ebit + DA

Lucro operacional antes das despesas com juros e impostos (Ebit), que é calculado pela receita líquida menos todos os custos e despesas operacionais. Essa informação eu busco na demonstração de resultados da empresa (o ITR padrão CVM é sempre mais confiável que o release de resultados). Depreciação e amortização são despesas não caixa que podem ser encontradas na demonstração de fluxo de caixa indireto (demonstrações financeiras padrão CVM).

Interessante comparar sempre o resultado obtido acima com a informação do EBITDA que a empresa fornece no seu release de resultados. Muitas vezes existem diferenças consideráveis.

Por último, a geração de caixa livre de uma empresa pode ser comparada com o seu valor de mercado. Esse múltiplo de mercado é conhecido como taxa de retorno sobre o fluxo de caixa livre (do inglês FCF yield).

Esse número é expresso em porcentagem e representa o quanto a geração de caixa de um ano representa do valor de mercado de uma empresa. Essa geração de caixa muitas vezes acaba retornando aos acionistas na forma de dividendos, que são isentos de imposto de renda.

Eu expliquei detalhadamente o cálculo do FCF yield no relatório número 12 da série Dividendos.

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre investimentos em ações, através do Value Investing e da análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e até breve!

Um grande abraço,
Eduardo Guimarães

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