Gestão ativa de ações

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Na coluna de hoje, vou falar do desempenho de carteiras de ações em comparação com o seu respectivo benchmark, que é o Ibovespa, e sobre como é difícil bater índice por meio da gestão ativa de ações.

Estudo sobre desempenho dos fundos de ações

Um estudo feito pela Luz Soluções Financeiras para o jornal Valor Econômico avaliou o desempenho de 756 fundos de ações em comparação com o Ibovespa nos últimos três anos.

Os fundos de ações tiveram bom desempenho nos últimos 12 meses, com 71,2 por cento das carteiras de ações com desempenho superior ao Ibovespa. Porém, quando considerado um período mais longo de 24 e 36 meses, apenas 41,5 por cento e 43,9 por cento deles, respectivamente, tiveram desempenho superior ao índice.

Num prazo mais longo de 2 a 3 anos, mais da metade dos fundos de investimento em ações teve resultados inferiores ao Ibovespa no período. Em outras palavras: não conseguiram gerar alfa.

A diretora da Luz Soluções Financeira, Sara Marques, foi enfática: “A gestão ativa de ações não parece consolidada no Brasil.”

A eterna busca pelo alfa

Alfa é a diferença de rendimento de uma carteira (ou fundo) de ações em relação ao seu índice de referência, que geralmente é o Ibovespa.

O investidor que decide investir em um fundo de investimento em ações paga as taxas de administração e de performance na esperança de obter desempenho acima da média. Caso contrário, era mais fácil investir em um ETF.

Quanto maior for o alfa, maior será o desempenho relativo do fundo e, portanto, maior o prestígio dos gestores. Geralmente, os fundos com alto alfa têm boa captação de recursos e alguns até mesmo fecham para captações.

Taxas dos fundos de ações

Existem basicamente duas taxas cobradas pelos fundos de investimento em ações, os chamados FIA’s: taxa de administração, que geralmente é de 2 por cento ao ano sobre o patrimônio, e a taxa de performance, que normalmente é 20 por cento sobre a diferença entre o desempenho do fundo e o Ibovespa, justamente o alfa que expliquei no texto acima.

Prazo mais longo para investir em ações

O prazo de 3 anos é insuficiente para avaliar a consistência do desempenho do gestor do fundo de ações, pois menos de 10 por cento dos fundos que aparecem com os melhores desempenhos ajustados ao risco num determinado ano continuam no ano seguinte. O prazo ideal para se avaliar o desempenho de um fundo de ações é de oito anos.

Captação de fundos de ações

Os fundos de investimento em ações tiveram captação líquida de R$ 7,4 bilhões em agosto e de 38,8 bilhões de reais no acumulado de 2019. O total investido em fundos de ações atingiu 391,3 bilhões de reais em agosto de 2019, equivalente a 7,6 por cento do total de fundos de investimento no Brasil (5,6 por cento em agosto de 2018).

Acredito que a tendência é o aumento da alocação em renda variável. Devido ao baixo nível da taxa de juros e com o brasileiro começando a investir mais em ativos de risco (1,3 milhão de CPF’s na Bolsa), os fundos de ações podem voltar a representar pelo menos 10 por cento do total de fundos de ações, mesmo nível de 2008.

Concentração do Ibovespa

O Ibovespa é um índice de ações bastante concentrado em algumas empresas e setores, pois é ponderado pelo valor de mercado e volume negociado das ações.

Cinco empresas (Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco e Ambev) respondem por 42,7 por cento do Ibovespa, com grande concentração do setor financeiro (35,5 por cento), principalmente bancos (23,5 por cento) e das empresas estatais (20 por cento). Por isso, o Ibov não pode ser considerado representativo da economia brasileira como um todo.

Vale a pena tentar bater o índice?

Se, no Brasil, cujo índice de referência mal representa devidamente o mercado, muitos gestores profissionais não conseguem superar o Ibovespa, nos Estados Unidos, cuja economia e índices são maduros, a tarefa é ainda mais difícil.

Não à toa, o maior de investidor de todos os tempos, Warren Buffett, recomenda aos investidores iniciantes que simplesmente invistam em ETF’s que repliquem o índice e que tenham baixa taxa de administração.

Talvez essa seja a realidade na terra do Tio Sam. O sábio de Omaha que me perdoe, aqui a realidade é outra. Acredito que, ciente do horizonte de investimento mais longo e bem assessorado, o investidor comum também consegue obter retornos maiores que o do índice na bolsa de valores.

A gestão passiva não visa gerar alfa. Ela tenta apenas replicar o retorno do índice de referência. Já a gestão ativa tenta obter ganhos superiores. Eu não sei vocês, mas minha preferência é clara: o meu time entra em campo para ganhar, não para empatar.

Small Caps: o lado B da bolsa

O segredo para conseguir bater o mercado e ter um rendimento superior ao Ibovespa é fazer uma seleção de ações de empresas e setores que não estão no radar da maioria dos gestores. Como diz o meu amigo João Braga: “o dinheirão mesmo está fora do consenso”.

Na gestão ativa, os gestores de ações procuram histórias específicas de empresas que muitas vezes, até por não estarem no índice, são menos conhecidas e têm um potencial de valorização maior.

Essas ações que estão mais fora do radar. Eu já escrevi uma coluna sobre o assunto aqui.

O investimento em ações em Small Caps requer mais disciplina, conhecimento e paciência, pois o horizonte de investimento precisa ser mais longo. Se o objetivo é obter retornos mais altos é preciso fazer algo diferente do consenso do mercado e assumir mais risco.

Desempenho da carteira Small Caps

A carteira de ações Small Caps tem 6 empresas e acumulou valorização de +40,3 por cento desde o início em 12 de fevereiro de 2019, comparado à alta de 8,5 por cento do Ibovespa e aumento de 18,5 por cento no SMLL.

Claro, o horizonte de investimento ainda é curto. Conforme disse acima, a consistência é comprovada no decorrer de anos. Entretanto, com quase 20 anos de mercado financeiro e passagens por várias instituições financeiras, afirmo que o momento macroeconômico brasileiro é único para se investir em ações, especialmente as menores.

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