Follow-on’s e IPO’s da Bolsa batem recorde em 2019

Antes de começar a coluna de hoje, vou contar como foi o início da minha carreira como analista de ações na corretora Fator, no auge do mercado de capitais, em 2007.

Fiz uma transição de carreira peculiar: deixei o mundo das empresas – eu era o coordenador de tesouraria da empresa de papel e celulose Klabin – para ser o novo analista de ações do setor de construção civil na Fator, umas das maiores corretoras do mercado brasileiro naquela época.

O setor de construção civil tinha peso grande no Ibovespa (superior a 10%), uma contabilidade bastante complicada e estava dividido entre muitas empresas. Eram mais de 30 se fossem consideradas as incorporadoras, as empresas de shopping centers e as de propriedades, além das corretoras de imóveis.

Eu entrei no time da Fator já “jogando”. Logo no começo, participei da abertura de capital (Initial Public Offering, ou IPO) de uma incorporadora imobiliária, com apresentações (roadshow) com investidores, um tremendo aprendizado com mais de 100 reuniões com investidores para falar do IPO.

O ano de 2007 marcou o auge do mercado de capitais em termos de quantidade de ofertas de ações, com diversos IPO’s e inclusive alguns casos em que duas operações ocorreram no mesmo dia: Rodobens Negócios Imobiliários e Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), ambas em janeiro de 2007.

O recorde do mercado de capitais de 2007 é impressionante: foram 75 ofertas, a maior parte IPO’s (63) com valor total de R$ 69,7 bilhões.

Em 2010, o volume levantado nas ofertas de ações foi maior: R$ 150 bilhões, mas a mega oferta (follow-on) da Petrobras de R$ 120 bilhões distorceu o volume total. Assim, sem considerar a oferta da Petrobras, o volume de ofertas foi de apenas R$ 30 bilhões em 2010.

De volta a 2007: novo recorde

O mercado de capitais está bastante aquecido em 2019, com a realização de 35 ofertas de ações, com volume total de R$ 77,7 bilhões até o fim de novembro, dos quais R$ 10,2 bilhões em IPO’s e R$ 67,5 bilhões em follow-on‘s. A tabela abaixo resume esse movimento:

Este volume de ofertas em 2019 bateu o recorde de 2007, mas de uma maneira diferente, pois a maioria das ofertas de 2019 ficou concentrada em follow-on‘s enquanto em 2007 o forte foram os IPO’s, com novas empresas vindo a mercado.

O momento atual é diferente do cenário de 2007, não somente pelo cenário macroeconômico, mas também pelo perfil das ofertas, que estão mais concentradas em grandes follow-on‘s de três empresas: IRB Brasil (IRBR3), com duas ofertas para a venda de ações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal no valor total de R$ 9,9 bilhões; Petrobras Distribuidora (BRDT3), com a venda de participação da Petrobras com oferta total de R$ 8,6 bilhões; Banco do Brasil (BBAS3), com venda de ações em tesouraria no valor de R$ 5,8 bilhões.

Em 2019, tivemos apenas cinco IPO’s: o da varejista de material esportivo Centauro, o da empresa distribuidora Neonergia (oferta 100% secundária), e os da Vivara, da C&A e do Banco BMG, com valor total pequeno, R$ 10,2 bilhões, se comparado ao volume de IPO’s de 2007 – R$ 53,7 bilhões.

O mercado de capitais está mais seletivo em relação aos IPO’s. Apenas as empresas grandes e mais conhecidas conseguiram abrir seus capitais. Por outro lado, as empresas já listadas na Bolsa foram ao mercado de capitais levantar mais recursos para financiar seus crescimentos. Um bom exemplo é o setor imobiliário, que sofreu muito durante a crise e que agora voltou a crescer, principalmente no mercado de São Paulo.

Follow-on‘s em 2019: ainda não terminou

Existem pelo menos mais quatro operações de follow-on “no forno” ainda em 2019: Aliansce Sonae, Marisa, JBS e Marfrig, que anunciaram planos de fazer ofertas de ações em dezembro, com destaque para a venda de participação do BNDES no setor de frigoríficos.

Além disso, vai acontecer o IPO da XP na bolsa de valores dos EUA em Nova York, operação que pode movimentar R$ 60 bilhões em dezembro de 2019.

Fila de IPO’s em 2020

Para 2020, são esperadas as aberturas de capital (IPO) das seguintes empresas: Caixa Seguridade, Caixa Cartões, Iguá Saneamento, Incorporadora Kallas, Banco Votorantim, Rede D’or, Madero, Banco Bonsucesso (BS2), Tok&Stok, Gestora de Recursos do BB (BBDTVM) e da Caixa Asset, além da Vasta Educação, empresa de educação básica da Cogna (ex-Kroton).

O processo de abertura de capital das empresas na B3 dependerá bastante do crescimento econômico a partir de 2020.

Conclusão

Eu recomendo que os investidores sejam bastante seletivos ao investir nos IPO’s, pois as empresas ainda precisam comprovar o seu desempenho e constituir um histórico de comunicação com o mercado.

Em relação aos IPO’s em 2019, a Levante recomendou a entrada no IPO com recomendação de compra das ações somente nos casos da Centauro, da Neoenergia e da Vivara. Recomendamos ficar de fora dos IPO’s da Vamos Locação (operação que acabou não saindo), da varejista C&A e do Banco BMG.

Todos os relatórios sobre os IPO’s elaborados pela Levante em 2019 estão disponíveis para os assinantes e seguidores da Levante Ideias de Investimentos.

Leia também: Desdobramento de ações não gera valor para empresas

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