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FGTS e Eletrobras: E você com isso? | Domingo de Valor

Acredito que você já deve ter se deparado com o tema nos últimos dias. Talvez um e-mail oferecendo a participação na oferta, um banco proporcionando a entrada “sem cobrar” nenhuma taxa ou algum amigo falando que vai investir o FGTS nas ações da Eletrobras.

Aqui, como sempre, e longe da prepotência de falar o que você deve fazer, vamos abordar o tema de forma independente, como usualmente fazemos. E assim poderemos ajudar você a tomar a melhor decisão daquilo que fazer com seu capital.

Contextualizando: em decorrência do processo da venda de uma parcela acionária do governo na Eletrobras, abriu-se a possibilidade de utilizar até 50% do saldo do FGTS para investir nas ações da Eletrobras por meio de Fundos Mútuos de Privatização (FMPs).

Evidente, isso ocorreu mediante algumas regras, como, por exemplo, o “travamento” desse capital utilizado para a compra das ações por um período mínimo de 12 meses nas ações e, após isso, podendo retornar ao FGTS.

As primeiras comparações que ocorrem: (i) “o FGTS só rende 3% ao ano mais TR” e (ii) “com Petrobras e Vale aconteceu o mesmo, veja quanto valorizou até hoje”.

Essas relações de causa e efeito espúrias sempre me chamam a atenção. Antes de continuar, quero reforçar que não sou contra privatizações e, também, existe de fato um potencial de valorização para longo prazo após este processo ser concluído na Eletrobras.

Ocorre que, em situações como essa, parece que devemos assumir sempre o lado da maioria, mesmo ao receber mensagens de amigos e familiares que jamais compreenderam ou se identificaram com oscilações de preços na renda variável e estão decididos a entrar na “privatização” usando o FGTS.

Sem uma justificativa correta, clara ou sequer a ciência dos riscos.

Voltando à comparação simplista – a de número (ii) – (simples não, simplista mesmo): Ora, se aconteceu com Vale e Petro, acontecerá com Eletrobras! Não precisamos sequer explicar que não funciona assim, só precisamos ter um momento de reflexão aqui fora do ruído e da pressão da enxurrada de informações que recebemos – e o domingo é um ótimo dia para tal.

Diga-se de passagem, é no domingo que seleciono minha carteira semanal.

Ainda nesta comparação espúria (ii), é evidente que foi fantástica a valorização. Mas foi fantástico a qual custo? Antes dessa alta acontecer com as empresas que vêm sendo usadas de exemplo nesse caso, tivemos quedas exorbitantes, desvalorizações que levaram a Petrobras a ser cotada na casa de 1 dólar, quase 100% de perda.

Naquele momento, você teria aguentado a queda? Naquele momento você estaria confortável com suas finanças?

Ao responder isso, entenda que avaliar isso hoje é muito mais tranquilo do que avaliar há 10 anos atrás, com o dinheiro alocado.

Além disso, nos últimos 10 anos, você precisou de um recurso extra? Alguma emergência aconteceu?

Esses fatores vão além de uma análise fria de preço-alvo, de gráfico ou cenário macro.

Mais do que explicar a oferta, como fazer, ou pior ainda falar o que você deve fazer com seu capital, procurei trazer questionamentos que podem fazer você refletir sem alguém pressionar como essa sendo a última e a única oportunidade de investir em ações.

Se está chegando agora em Bolsa, talvez outra opção seja melhor, mas confesso que a (i) não nos parece muito atrativa.

Existem diversas formas mais tranquilas de investir em renda variável e com acompanhamento.

Existem formas de ganhar com o IPO da Eletrobras sem estar alocado no IPO, até mesmo sem investir em Eletrobras e, principalmente, sem deixar o dinheiro parado por um ano, fora do nosso controle.

Desculpe ter trazido mais questionamentos do que fatos neste domingo, mas ninguém melhor que você pode decidir isso – e tenho visto muito viés incentivando como sendo uma oportunidade única.

Todos os dias temos oportunidade em renda variável, desde que façamos nossos investimentos de forma racional e isenta de viés, como gostamos de abordar aqui aos domingos.

Acredito que contar com uma única ação nunca é a melhor estratégia. Eu diversifico e também não deixo um percentual significativo da alocação estagnado por um período tão grande de tempo.

Espero que ter compartilhado minha opinião e a forma como eu vejo situações recorrentes como essa no mercado de capitas ajude você a tomar uma melhor decisão.

 

Grande abraço,

Enrico Cozzolino

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