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Resultado da capitalização das companhias dispara onda de aquisições. E isso é bom para a economia

A semana que se encerrou foi farta em aquisições. Logo na segunda-feira (28), a empresa de gestão de resíduos Ambipar anunciou sua maior aquisição. Uma transação de 800 milhões de reais, em que ela comprou a Disal Ambiental Holding, líder em gestão de resíduos, mineração, alimentos e construção civil no Chile, no Peru e no Paraguai. E a seguradora Porto Seguro (PSSA3) acertou a compra de 50 por cento da companhia de “tags” para pagamento de pedágio Conect Car, por 165 milhões de reais.

Na quinta-feira, primeiro de julho, houve três negócios. A JSL (JSLG3), líder em logística rodoviária no País, propôs à Tegma (TGMA3), segunda maior do setor, uma aquisição envolvendo 990 milhões de reais em dinheiro mais 49,4 milhões em ações. Pelo fechamento da sexta-feira (02), isso representa 2,9 bilhões de reais. Assim, são 3,9 bilhões na consolidação das duas empresas. A Tupy (TUPY3) anunciou a aquisição das operações da Teksid no Brasil e em Portugal por 67,5 milhões de euros (405 milhões de reais), e a Dasa (DASA3) comprou as controladoras da GEM Assistência Médica por 750 milhões de reais.

Essa é mais uma aquisição da Dasa, que levantou cerca de 5 bilhões de reais em abril deste ano para acelerar seu crescimento e a consolidação no setor. No início do ano, ela já havia adquirido o hospital São Domingos, referência em São Luís (MA) por 2 bilhões de reais, e o hospital LeForte em São Paulo, conforme seu plano de diversificação e verticalização de suas operações.

Vamos somar? Ambipar, Porto Seguro, JSL, Tupy e Dasa. Em apenas uma semana, cinco aquisições movimentaram 6,02 bilhões de reais. Não entra nesta conta o investimento que o banco americano JP Morgan Chase fez no C6 Bank, adquirindo 40 por cento do capital, por um motivo simples: o valor da transação não foi divulgado.

Não cabe aqui entrar no mérito se a estratégia dessas empresas é acertada ou não. A equipe de analistas da Levante Ideias de Investimentos considerou a maioria das transações positiva. Ao usar seus recursos para adquirir uma empresa menor ou para associar-se a um concorrente quase do mesmo tamanho, uma companhia aberta faz um dos melhores usos possíveis do seu acesso ao capital do mercado acionário.

Em qualquer empresa sustentável, espera-se que o saldo das atividades produtivas seja suficiente para custear as operações, remunerar os acionistas, compensar a depreciação do capital fixo e promover um crescimento orgânico e uma ou outra transação eventual. Porém, ao listar suas ações em bolsa, a empresa passa a ter acesso ao arsenal do mercado, e obtém muita munição para ofensivas de crescimento.

Faz sentido? Na grande maioria dos casos, faz sim. Nenhum processo de fusão ou de aquisição é simples. As negociações são penosas e arrastadas. E, uma fez fechado o negócio e abertas as garrafas de espumante, é preciso arregaçar as mangas e transformar duas empresas com culturas, sistemas e políticas diferentes em um organismo coeso e funcional.

Mesmo assim, a maioria das aquisições proporciona ganhos de escala e melhorias de margem que seria inacessíveis por outro motivo. E também garante musculatura para enfrentar concorrentes. Entre duas empresas do mesmo setor, uma aberta e outra fechada, é muito maior a probabilidade de a aberta suplantar a de capital fechado. Pelo simples motivo de que o acesso a capital é mais simples.

Por isso, o movimento recente de aquisições pelas companhias abertas tem de ser comemorado. Ele significa que os recursos captados pela onda recorde de lançamentos iniciais de ações (initial public Offering, IPO) e ofertas subsequentes (follow-ons) estão sendo empregados no crescimento e na melhoria das companhias, o que é benéfico para os acionistas.

Abraços,
Equipe Levante

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