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A Copa 2018 e a escassez relativa

Na coluna de domingo (08), tratei da famosa curva de oferta e demanda por um determinado bem ou produto. Irei abordar termos como excesso de oferta ou escassez relativa de determinados bens. Eu fui para a minha segunda Copa do Mundo e acabei de voltar da Rússia para retomar os trabalhos aqui na Levante. Assisti a seis jogos da primeira fase da Copa 2018 e posso dizer que vi gols do Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar no estádio ao vivo (jogo contra a Costa Rica, que sufoco!).

A lei da oferta e da procura na Copa 2018

Mas o foco aqui não é futebol e, sim, aplicar conceitos básicos de economia, como a lei da oferta e da procura, para um bem simples e conhecido: a cerveja.

O preço da cerveja (marca popular no Brasil da Ambev, aquela vermelha, patrocinadora do mundial) no estádio da Copa do Mundo e nas “festas de fãs” era de 350 rublos em moeda local, cerca de R$ 22.

A constatação mais espantosa foi: a cerveja quase nunca estava gelada, e às vezes, o vendedor tirava a lata de cerveja da caixa (sem gelo mesmo) e servia nos belos copos dos jogos com as bandeirinhas que trouxe de recordação para os colegas do trabalho.

Alguns amigos até brincavam: “Essa está boa, estava na sombra e não no sol”.

Brincadeiras à parte: qual a razão econômica para a cerveja não estar gelada na Rússia?

Acredito que a resposta está relacionada com a escassez relativa, ou seja, havia muito mais demanda por cerveja por parte dos torcedores do que oferta. Os organizadores russos não esperavam uma demanda tão grande por cerveja durante os jogos e as festas de fãs.

Portanto, não se prepararam adequadamente com infraestrutura: geladeiras, vendedores, cerveja e copos (se esgotavam rapidamente). Mesmo ao comprar Coca-Cola no estádio, a bebida quase sempre vinha na temperatura ambiente.

Outra parte da razão da cerveja não ser gelada é cultural: a Rússia é um país cuja bebida nacional é a vodca e não a cerveja. Além disso, o país é conhecido pelos seus invernos rigorosos e temperaturas muito baixas.

Em São Petersburgo, cidade mais ao norte, mais precisamente 60 graus norte, a temperatura média é de 10 graus negativos no inverno (podendo alcançar 22 graus negativos) e 23 graus no verão.

Andando pela avenida Nevsky, principal da cidade, eu pude observar que praticamente existe um café a cada 50 metros. Ou seja, no frio, a bebida mais desejada na Rússia é quente e não gelada. Os dias de calor e sol são raros na Rússia, ao contrário do que acontece aqui no Brasil.

No Brasil, é praticamente verão o ano inteiro e apreciamos as bebidas geladas: refrigerantes e sucos em copos com muito gelo e a cerveja precisa estar estupidamente gelada.

Mas o que é a escassez relativa?

Segue a definição econômica de escassez: “Disparidade entre a quantidade demandada de um produto ou serviço e o montante fornecido no mercado. A escassez ocorre quando há excesso de demanda”.

Em situações como essa de escassez, é natural que ocorra um aumento de preços, pois existem consumidores dispostos a pagar mais caro para consumir determinando bem.

No jogo do Brasil e Costa Rica, eu teria pago tranquilamente 500 rublos por uma cerveja geladinha servida pelo vendedor ambulante.

Aqui, entramos em outros termos econômicos: elasticidade preço-demanda e o valor (preço) que o consumidor está disposto a pagar por determinado bem.

Por exemplo, se o preço da cerveja no estádio aumentasse 150 rublos (de 350 para 500 rublos), menos consumidores estariam dispostos a pagar esse valor pelo produto. Sempre que ocorre um aumento no preço de um bem, ocorre uma diminuição da demanda.

Nesse caso, por se tratar de Copa do Mundo, jogo do Brasil é uma experiência única, podemos dizer que a demanda por produtos no estádio poderia ser considerada “inelástica”, ou seja, aumentos não abusivos de preços teriam pequeno impacto na demanda pelos produtos.

O papel da Ambev no mercado de cervejas

Voltando ao mundo das empresas, irei aproveitar o gancho e falar da Ambev, dona da marca de cerveja patrocinadora do mundial. Cerca de 70% da cerveja vendida pela Ambev é realizada em bares e/ou festas. O restante é realizado em supermercados.

A sensibilidade do consumidor a preços é muito maior no supermercado do que no barzinho d0 happy hour “da firma”.

Essa sensibilidade aos preços do bem é a chamada elasticidade preço-demanda: “a elasticidade preço da demanda mede a intensidade da variação da quantidade demandada de um bem diante da variação do seu preço”.

No supermercado, somos muito mais racionais ao escolher determinado produto, pois o preço é um componente muito essencial na composição da demanda pelo produto. Já em eventos de maior interação social (happy hour ou festas), o nosso “price willing to pay” (termo de marketing), que significa o preço limite que estamos dispostos a pagar por determinado bem, é mais alto que o preço do supermercado.

Música para ouvidos para a Ambev, que tem poder de repassar preço ao consumidor. O seu tamanho, escala e poder da marca são as grandes vantagens competitivas da Ambev.

Minha missão é te ajudar a entender mais sobre Value Investing e análise fundamentalista de empresas. Por isso, continue acompanhando a minha coluna e não esqueça: se você ficou com alguma dúvida, é só mandar um e-mail para o endereço eduardo.guimaraes@levante.com.br.

Conte comigo e até breve!

Um grande abraço,
Eduardo Guimarães

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