Como fica o investimento em startups em tempos de crise?

Uma das minhas frases favoritas em momentos de adversidade – e não foram poucos, apesar de 15 anos de marketing, consultoria e agora investimento de risco – é de que há beleza no caos.
 
É nele que nasce uma nova ordem; uma nova maneira de fazer as coisas. Com mais segurança, conhecimento e preparação para que possa aproveitar os tempos bons que se avizinham a médio prazo.
 
Viver dois cisnes negros como o COVID-19 e o crash do petróleo é um cenário novo para muita gente, quando não víamos uma crise de amplitude global há mais de 10 anos. Não é a primeira vez nem será a última que viveremos momentos de tensão e talvez até retrocesso no que tange a economia global.
 
Neste cenário, como tudo na vida, temos duas perspectivas para ponderar:
  • Aqueles mais negatividas floream sobre o caos, se blindam dos piores momentos e assumem perdas.
  • Já aqueles com visão mais positiva ou ao menos ponderada tem a perspectiva de mitigar riscos, rever cenários e aproveitar as oportunidades que se avizinham numa nova rampa de desenvolvimento econômico.
Vale para qualquer tipo de investidor – seja ele anjo, institucional, pessoa física ou jurídica. Ao meu ver no montante das minhas perdas, vejo uma janela de oportunidade interessante de investir em ações e produtos financeiros que me darão uma boa oportunidade de ganho no espectro de 12, 24 meses ou mais. As empresas ficaram baratas mantendo sua estruturas de governança.
 
Já para quem lida com investimentos em Venture Capital (startups) e Private Equity (novos projetos)… Algumas coisas mudam no dia-a-dia:
  • A captação de recursos para fundos ilíquidos – 100% lastreados em ativos – pode ficar mais difícil, uma vez que o investidor está perdendo patrimônio momentaneamente e/ou mais inseguro para aplicar num segmento com retorno em média acima de 5 anos.
  • O mesmo se aplica a startups que querem ou estão em processo de captação: faça-o o mais rápido possível e estejam prontos para um momento de carência de funding, principalmente se você estiver no início da sua jornada (angel, pré-seed, seed). Quem está com modelo de negócio validado e precisando de recursos para ganho de escala terá uma vida menos difícil.
Mas nada se compara a um fenômeno que já falamos no final do ano, após o IPO mal-sucedido do WeWork e toda a polêmica em cima do SoftBank: investidores e empreendedores precisam ficar de olho em projetos que consigam uma geração de caixa consistente com o desenvolvimento dos seus produtos e serviços, e não no CAPEX necessário para manter ou acelerar uma jornada de crescimento sem garantia de lucros.
 
Os juros baixos por mais tempo que o esperado fará com que o capital volte ao mercado em algumas semanas, não é uma crise estrutural mas uma contigência pontual. Mas… o risco calculado e a solidez para cada passo fica.
 
Ao final e diferente da carta apocalíptica do Sequoia Capital – a mãe de todos os VCs no Vale do Silício – acredito que os cisnes negros cantam novos tempos de alvorada.  

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