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A boa notícia de Bolsonaro: a economia

Hoje na coluna vou tratar de um candidato bastante polêmico. De um personagem que passou de um coadjuvante do baixo clero político para o líder das principais pesquisas eleitorais a quase um mês das eleições: Jair Messias Bolsonaro.

Ele é um ator bastante controverso da política brasileira. Coleciona episódios de intolerância, despreza os direitos humanos e já chegou a apoiar abertamente a Ditadura Militar iniciada nos anos 60 no país. Tem gente que gosta desse tipo de discurso. Eu não. Acho um discurso atrasado, que, se levado à risca, pode cercear algumas liberdades individuais.

No entanto, não adianta fechar os olhos para a realidade.

O que esperar de Bolsonaro?

O Bolsonaro 2018 não é chacota, não é lunático, nem qualquer outro adjetivo simplista que o ignore. Talvez esse fosse o candidato em 2016, com 5 ou 6% das intenções de votos para a Presidência e míseros 13% de rejeição (pesquisa do Datafolha, em fev/16). O Bolsonaro de hoje é o candidato dos 17% – projeção mais baixa de todas as pesquisas – do Datafolha de agosto deste ano, com rejeição (31%) pouco menor que Lula, no melhor estilo “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Não concordo com suas posições políticas. Mas em termos econômicos, consigo ter muito mais afinidade. Isto porque o militar tem um precioso trunfo: Paulo Guedes, doutor em economia pela Universidade de Chicago e muito conceituado pela sua carreira: foi diretor do IBMEC, professor da FGV e na PUC-Rio e bem-sucedido no setor privado. O fundador do Banco Pactual parece ter conseguido mudar a orientação do candidato – ou pelo menos terá autonomia para tocar seu programa econômico.

“Ué, mas você gosta ou não gosta dele?”

No tema mais importante, a economia, o candidato me agrada. A verdade é que algo precisa ficar claro para os brasileiros. Sem crescimento econômico, não há redução de desigualdades; não há justiça social. E não se podem repetir os mesmos erros cometidos nos últimos 10 anos. O preço é caro demais.

Ideias robustas de Bolsonaro na economia

O programa de governo de Bolsonaro é uma síntese das minhas percepções. No campo da política, diagnósticos lisérgicos como “Nos últimos 30 anos, o marxismo cultural e suas derivações como o gramscismo, se uniu às oligarquias corruptas para minar os valores da Nação e da família brasileira”.

Na economia, ideias robustas: “Para alcançar esses grandes objetivos sociais, nós brasileiros devemos afastar o populismo e garantir que o descontrole das contas públicas nunca seja uma ameaça ao bem-estar da população”.

Ideias que, na prática, seriam implementadas via reformas tributária e previdenciária, orçamento base zero, eliminação do déficit público, privatizações e renda mínima, entre outras propostas mencionadas. Seria o tão esperado boom, o que nosso estrategista-chefe chamou da Explosão do Brasil com Bolsonaro.

Existe, portanto, uma boa chance do militar da reserva chegar ao segundo turno e, talvez, ser eleito. Do ponto de vista político, sua vitória é sinônimo de instabilidade. Do ponto de vista econômico (leia-se: meu bolso!), o contrário.

Poderia me apegar ao ideal com candidatos como Amoêdo e Meirelles, que seguem mais a cartilha liberal em todos os campos, porém, tem chances baixíssimas de vitória. Até mesmo Geraldo Alckmin não consegue conquistar os eleitores.

Poderia demonizar Bolsonaro, mas prefiro acreditar que seu governo irá colocar a economia nos trilhos – essa deve ser a prioridade número 1 para agora. De resto, em outras áreas de um possível governo do deputado, continuarei com minha postura crítica.

O risco Bolsonaro

E qual é o maior risco? O risco é que Bolsonaro, se eleito, descole muito seu discurso da prática. Que sua guinada ao liberalismo não passe de perfumaria, ou ainda que outros urubus da política o convençam de que Guedes irá afundá-lo e o episódio Dilma-Levy se repita.

A firmeza de Bolsonaro nas ideias econômicas pode ainda não ser tão consistente com seus valores. Após votar por anos e anos no Congresso contra a maioria das medidas liberais, sinto que lhe falta certa dose de convicção para abraçar a nova postura econômica. E a história já provou que não existe espaço na política para dois tipos de pessoas: aquelas com convicções demais e aquelas com poucas convicções.

Se isso ocorrerá ou não? Se eu soubesse, estava rico.

Um abraço,

Felipe Berenguer

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