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Bolha financeira: sabia o que ela é e quais as suas principais características

Atualmente, muito se fala em “bolha financeira”, principalmente após os picos de volatilidade na Bolsa, causados pela crise do coronavírus, terem passado – eles ocorreram, mais fortemente, em março deste ano.

Porém, esse tema pode gerar muitas dúvidas e, mais ainda, “mexer com os ânimos” de investidores iniciantes, mas não só, pois se trata de um assunto complexo. Além disso, uma bolha financeira é algo muito pontual. Ela depende de diversos fatores, tanto micro quanto macroeconômicos.

Por isso, a fim de esclarecer melhor esse temática, trazemos até você este artigo. O nosso objetivo, aqui, é oferecer uma abordagem ampla sobre o assunto, garantindo que você saia desta leitura bem informado, consciente e atento às configurações, aos riscos e aos impactos de uma bolha.

O que é uma bolha financeira?

Tecnicamente, a bolha financeira é um fenômeno em que ocorre um aumento exagerado e injustificado no valor de um ativo ou de ativos de um setor. Inclusive, o nome caricato — bolha — é uma boa figura de linguagem para descrever visualmente como isso acontece.

Primeiramente, há a inflação dos preços. E a palavra “inflação” é muito importante aqui, pois não ocorre, na formação de uma bolha financeira, um simples “aumento” de preços, mas sim uma elevação injustificada dos valores, sem nenhum fundamento que a explique. Nas Bolsas, é comum que essa fase seja repleta de euforia, pois os ativos se valorizam rapidamente, o mercado apresenta uma tendência de alta e parece que “nada pode dar errado”. Depois, no geral, ocorre a desvalorização brusca, ou seja, o “estouro” da bolha.

É nesse momento que se iniciam as vendas em massa. A euforia que estimulou a compra dos ativos é transformada em ansiedade, que abastece o desejo de venda dos investidores, os quais precisam liquidar suas posições rapidamente para evitar perdas.

Como esse fenômeno é formado?

Assim como no caso de muitas observações no campo econômico, é muito difícil criar um modelo preditivo capaz de dizer, com 100% de certeza, quando será a próxima bolha e/ou grande crise. No entanto, existem indicadores relativamente confiáveis para analisar se uma bolha está em formação ou em vigência.

O primeiro – e principal – indicador é a característica central de uma bolha, que consiste em um ciclo econômico (ou de investimentos) representado pela escalada rápida e violenta dos preços – novamente: sem fundamentos que justifiquem tal escalada. Normalmente, essa expansão está conectada a uma mudança comportamental dos investidores, que podem estar surfando alguma tendência momentânea, ou, até mesmo, a alguma mudança de paradigma no mercado.

Quais as características fundamentais de uma bolha financeira?

Além de perceber a formação desses eventos, é importante, também, reconhecer algumas características fundamentais do processo, tais como:

  • O aumento dos riscos: a valorização rápida, em uma bolha, pode ser lucrativa. Entretanto, quanto mais os preços sobem, maior a probabilidade de o “fim do ciclo”, ou seja, o momento em que as vendas em massa são engatilhadas e os preços começam a despencar, estar perto.
  • O efeito manada: bolhas financeiras são eventos socioeconômicos de dimensões coletivas. Isto é: uma de suas características principais é o “efeito manada”, que ocorre quando o comportamento dos investidores é determinado pela maioria, por uma “massa” de investidores”, o que causa uma euforia coletiva que determina as tomadas de decisões e que é responsável tanto pelo movimento de alta como pelo de baixa.
  • Valorização não fundamentada: conforme já citado anteriormente, em uma bolha financeira, a valorização sem fundamentos de determinados ativos é um ponto-chave. Isso está muito relacionado com o tópico acima, pois é o efeito manada, muitas vezes, o responsável pela alta em bolhas. Assim, é sempre válido ficar atento aos fundamentos das companhias, a seus índices e à sua situação financeira.

Quais as principais bolhas da história moderna?

Agora, vale relembrar dois grandes exemplos recentes de bolhas financeiras.

Dot-com

No Brasil, conhecido como a “bolha ponto-com”, esse evento foi caracterizado pela alta vertiginosa das ações dos setores de tecnologia da informação e comunicação relacionados à internet no fim da década de 1990. Ao final de 2001, muitas tech companies cederam sob o peso da crise, quando ocorreu o estouro da bolha. Por outro lado, as gigantes do setor se mostraram ainda mais resilientes, tais como Amazon, Microsoft, Apple etc.

Subprime

Já aqui temos a bolha que catapultou a crise econômica de 2008, amplamente conhecida como a “crise do subprime“. Além de o próprio mercado imobiliário americano, à época, ter estado inflado, o acesso ao crédito era muito fácil e não criterioso, criando um ambiente propenso à inadimplência.

Por fim, vale dizer novamente que, por mais que as bolhas financeiras sejam perigosas do ponto de vista econômico, elas consistem em eventos pontuais. De qualquer modo, é sempre importante ficar atento aos fundamentos das empresas e das ações antes de investir nelas.

Esperamos que este artigo tenha esclarecido a você o que são as bolhas financeiras e quais as suas características principais. Caso queira acompanhar mais de perto o mercado financeiro, recebendo diariamente análises econômicas, políticas e das empresas da Bolsa, recomendamos que você se inscreva em nossa newsletter.

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